Exercícios Excêntricos Funcionais


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Li esse texto aqui e achei muito interessante. Logo, estou compartilhando:

As tendinopatias são causas freqüentes de afastamento do esporte em atletas amadores e profissionais.  Ainda que os dados epidemiológicos atuais não são muito precisos com relação à incidência desta patologia, estima-se que a prevalência de lesões nos tendões de Aquiles em corredores é de até 11%, e nos tendões patelares pode chegar a um 30% de todas as lesões relacionadas ao esporte.

Histologicamente, esta patologia pode caracterizar-se por alterações degenerativas e ausência de sinais inflamatórios, demonstrando evolucionar de maneira crônica e progressiva. Micro traumatismos repetitivos, associados a falha nos processos de cicatrização tecidual podem ser os responsáveis pela desorganização das fibras de colágeno, aumento celular e formação de novos capilares sanguíneos imaturos que estão circundados por estruturas nervosas altamente sensíveis a sobrecarga mecânica.

Diferentes formas de tratamento têm sido propostas para o controle da dor e aumento da capacidade de cicatrização tecidual. Em 1986, Stanish y col. baseados no conceito de que o treinamento muscular concêntrico-excêntrico provocava adaptações estruturais e aumento da síntese de colágeno, descrevem os exercícios excêntricos como proposta terapêutica.

Atualmente, séries de exercícios realizados com cargas supra máximas têm apresentado evidências cientificas de ser o tratamento conservador mais efetivo no tratamento das tendinopatias não relacionadas à zona de inserção tendinea
 

Programas de 6-12 semanas, executados 2x /dia, com cargas máximas e com amplitude de movimento em "zona dolorosa" demonstraram promover aumento da síntese de colágeno, diminuição de neovasclarizaçao patológica e diminuição da dor em diferentes estudos com metodologias variáveis.

Respostas sincrônicas entre as estruturas muscular e tendinosa sugerem que o aumento de carga promove aumento de força muscular e melhora das propriedades mecânicas do tendão como o aumento da capacidade de deformação elástica.

Alguns fatores biomecânicos podem ser uma explicação plausível e lógica para a boa evolução dos pacientes que apresentam tendinopatias e são tratados com essa modalidade terapêutica.

 

Alterações no plano frontal, como o aumento do movimento de adução femoral e maior pronação subtalar, são fatores predisponentes para maiores sobrecargas mecânica nos tendões de Aquiles e patelares.

Durante a fase inicial do tratamento com os exercícios excêntricos, o terapeuta deve orientar o paciente a realizá-los de maneira lenta e controlada. Desta maneira, conseguimos observar além de uma melhoria estrutural na zona miotendinosa, uma melhora da capacidade de coordenação de movimento e controle neuro muscular de toda extremidade inferior.

Quando falamos em reabilitar um atleta, não devemos pensar somente em alterações de força muscular na zona lesionada. Outros fatores como resistência muscular, fatores psicológicos e padrões inadequados durante a execução do movimento desportivo devem ser identificados para uma reabilitação efetiva e segura.

Na minha opinião, falhas biomecânicas em determinados movimentos devem ser identificadas e corrigidas com exercícios funcionais adaptados a cada esporte. Com a utilização do trabalho de força excêntrica dentro de um processo de reabilitação funcional, conseguimos promover não só uma melhoria local na estrutura músculo-tendinea, mas também a correção de alterações biomecânicas durante o gestual desportivo.

Os exercícios excêntricos são uma realidade cientifica quando falamos em tratamento conservador das tendinopatias. Entretanto, o trabalho funcional associado pode promover diminuição importante dos fatores de risco que geralmente ocasionam a lesão.
 
por Pedro Fagnani
 

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