Introdução     A estrutura do rendimento no futebol tem características bastante específicas: o espaço de jogo é muito grande, exigind...

Incidência de lesões traumato-ortopédicas no futebol de campo feminino e sua relação com alterações posturais


Introdução

    A estrutura do rendimento no futebol tem características bastante específicas: o espaço de jogo é muito grande, exigindo uma grande capacidade física, principalmente em corridas; o fato de se jogar com os pés, exige uma elevada capacidade técnica e tática; os jogadores usam 4 variações de corrida: corrida lenta, velocidade sub-máxima, velocidade máxima e corrida para trás; e o elevado nível de estabilidade psíquica dos jogadores em função do baixo número de êxitos quantitativos (gols) conseguidos durante um jogo (FERNANDES, 1994).

    Por outro lado, mais da metade das atividades do jogador em uma partida são executadas sem a bola, cerca de 57,6% (cinqüenta e sete por cento e seis décimos), enquanto que as restantes 42,4% (quarenta e dois por cento e quatro décimos) são executadas com a posse da bola. Sendo que, na maioria dos casos, as lesões tráumato-ortopédicas ocorrem durante a posse de bola, quando ocorre a marcação do adversário (FERNANDES, 1994).

    O futebol moderno requer muitas qualidades físicas que parecem ser independentes da posição do futebolista. Capacidade de aceleração rápida, alta velocidade de corrida, boa habilidade para saltar, força explosiva dos músculos de membros inferiores, resistência de velocidade são exigências constantes para os atletas (SILVA, 2001).

    Nos últimos anos, o treinamento para jogadores de futebol de alto nível vem sofrendo modificação substancial em relação ao que era feito há algumas décadas. O número de jogos e de horas dedicadas às sessões de treinamentos aumentaram significativamente. Desde então, a dinâmica das cargas de treinamento também foi alterada, em decorrência da entrada de novos conceitos para a prática do futebol na atualidade (SILVA, 2001).

    O futebol apresenta características próprias que propiciam lesões traumato-ortopédicas. Por outro lado, temos na literatura que alterações posturais como genovaro ou valgo, curvas lordóticas ou escolióticas estruturadas, discrepâncias verdadeiras no comprimento dos membros, quadris com anteroversão ou retroversão, exagerado genu recurvatum e tipo anormal do pé aumentam o risco de lesões no esporte (GOULD III, 1993).

    Segundo SILVA (2002), os músculos trabalham em conjunto tanto para sua estática como para sua dinâmica, pois, o sistema nervoso central não atende o trabalho de um músculo isolado ou em um único plano, mas, sim, de forma tridimensional. Portanto, qualquer alteração postural causará a retração de suas cadeias musculares posturais e vice-versa, e qualquer agressão nestas cadeias causará um alteração de desalinhamento ósseo.

    Os nossos músculos são organizados, interligados e harmonizados entre si em forma de cadeias (BUSQUET, 2001; SOUCHARD, 1986; DENYS-STRUYF, 1995 e TANAKA e FARAH, 1997). Na contração de um músculo, ele não vai apenas puxar o tendão e o segmento que lhe diz respeito, mas também transmitir uma tensão muito longe através do sistema aponeurótico, por meio do reflexo miotático inverso ou reflexo inverso de estiramento, que foi descrito por Sherinton (SILVA, 2002).

    BRODY e THEIN (1998), diziam que a correção postural se faz necessária. Quando existe um mau alinhamento patelar, por exemplo, sempre existirão desvios compensatórios em outras articulações, pois todos os músculos estão associados entre si (SILVA, 2002).

    O objetivo deste estudo é analisar as lesões traumáticas ocorridas em futebol de campo feminino, verificando as relações dos traumas de maior incidência com as alterações posturais apresentadas pelas atletas lesionadas. Ratificando assim, a importância da Reeducação Postural Global no meio esportivo.

Metodologia

    A amostra foi formada por 38 atletas, com idade entre 14 a 18 anos, de um time feminino de futebol de campo. Foi feito um contato inicial com as atletas e o preparador físico do time para esclarecimento dos objetivos e etapas do trabalho. As atletas passaram por uma avaliação postural, seguindo os princípios de um protocolo do método RPG de SOUCHARD (1986), visando observar possíveis alterações posturais que pudessem predispô-las às lesões. Os treinos e jogos competitivos foram acompanhados para observação da incidência das lesões, registrando todas as ocorrências, por um período de 6 meses.


Resultados

    Observou-se que a entorse de tornozelo foi à ocorrência mais comum no período de observação, correspondendo há 34% das ocorrências, seguida por contusões nos membros inferiores que representaram 30% das ocorrências. A entorse de joelho também representou uma significativa ocorrência de 16% das lesões (Gráfico I).

    Este resultado é condizente com conclusões de GOULD III (1993), que considera o entorse de tornozelo a lesão mais comum nos esportes. Já a pesquisa de EITNER (1989), enfatizou que as contusões no joelho aparecem com mais freqüência ficando o entorse de tornozelo em segundo lugar e RODRIGUES (1994), enfatizou que 90% das lesões musculares em atletas de futebol, localizam-se no membro inferior.

    Utilizando a classificação dos graus de entorse de BROWN e NEUMANN (1996), observou-se que o entorse grau II foi o mais comum (Gráfico II). As atletas apresentavam frouxidão leve, edema de partes moles e dor moderada.

    Todas as entorses de tornozelo ocorridas durante esta pesquisa foram pelo mecanismo de inversão, lesionando os ligamentos laterais do tornozelo. Segundo EITNER (1989), a inversão do pé supinado e plantarmente fletido produz 85% (oitenta e cinco por cento) dos entorses. As estruturas ligamentares possuem maior reforço na loja medial do pé e tornozelo, como também, a diferença angular entre as duas pinças maleolares propicia maior exposição do compartimento lateral".

    Observou-se também, que as meio-campistas foram as atletas que mais sofreram lesões traumáticas, ou seja, 66% das ocorrências foram sofridas pelas atletas de meio-campo (Gráfico III). Para GOULD III (1993), estes atletas são mais exigidos fisicamente do que os atletas de outros setores, pois, fazem movimentos rotacionais em excesso e correm maior distância na velocidade submáxima, sendo desta forma, mais expostos às lesões traumato-ortopédicas.

    Do grupo de atletas lesionadas, 82% apresentavam alterações na postura que podem aumentar o risco à lesão (Gráfico IV), enquanto que, no grupo de atletas não lesionadas durante as partidas, somente 2% delas apresentavam alterações posturais (Gráfico V). Este resultado mostra a maior incidência de lesões em atletas com desvios posturais.

    As principais alterações posturais apresentadas foram anomalias do pé (83%), aumento do ângulo Q (80%), rotação interna de pelve (78%), assimetria de membros inferiores (72%) e genuvalgo (70%).


Discussão

    Nesta pesquisa a entorse de tornozelo, por inversão, de grau II, foi a lesão de maior incidência. No tornozelo as estruturas ligamentares possuem maior reforço na loja medial e a diferença angular entre as duas pinças maleolares propicia maior exposição do campo lateral, por isso, habitualmente lesões por inversão, são vistas no vôlei, basquete e também no futebol.

    O ligamento lateral mais comumente lesado é o ligamento talofibular anterior, que é o estabilizador primário do tornozelo em flexão plantar. O ligamento calcaneofibular, ou estabilizador secundário, resiste à inversão do tálus e do calcâneo. Ele é habitualmente rompido em associação com uma ruptura do ligamento talofibular anterior (BROWN e NEUMANN, 1996).

    Observou-se nesta pesquisa que 83% das atlestas lesionadas apresentavam anomalias do pé. Segundo GOULD III (1993), o pé pronado em combinação com treinamento intenso e a utilização inadequada de calçados esportivos, podem criar uma sobrecarga excessiva sobre as estruturas da extremidade inferior, levando ao entorse de tornozelo. Por outro lado, o pé plano ou cavo, tensão e debilidade do músculo tríceps sural e assimetria linear dos membros inferiores, alterações também encontradas na maioria das atletas lesionadas, desta pesquisa, podem produzir uma pronação aumentada e prolongada do pé.

    Em relação a pronação do pé, ainda pode-se afirmar que esta anomalia associa-se com uma rotação interna obrigatória da tíbia e do fêmur, criando um vetor valgo na largura das pelves, genu-varo ou genu-valgo, o que conseqüentemente leva ao aumento do ângulo Q. As tensões musculares tracionando as aponevroses, também fazem surgir desvios nas articulações (DENYS-STRUYF, 1995).

    O genu-valgo esteve presente em 70% da atletas lesionadas e esta deformidade do joelho, segundo GRELSAMER e KLEIN (1998), contribui significativamente para o aumento do ângulo Q. Também, tem sido firmado que a espinha ilíaca ântero-superior (EIAS), é mais lateral nas mulheres, o que também leva ao aumento do ângulo-Q (SILVA, 2002).

    O aumento do ângulo Q, significa um alinhamento deficiente rotacional, e consequentemente um alinhamento anormal da patela (SILVA, 2002). Quando existe um mau alinhamento patelar sempre existirão desvios compensatórios em outras articulações, pois todos os músculos estão associados entre si (SILVA, 2002).

    O desalinhamento patelar faz com que haja uma insuficiência dos músculos estabilizadores dinâmicos da patela (semitendinoso, sartório, grácil e vasto medial obliquo) e frouxidão do retináculo medial, o que pode levar ao derrame articular crônico e/ou repetitiva subluxação (GRELSAMER e KLEIN, 1998; DOUCETTE E GOBLE, 1992; HILYARD, 1990 e ZAPPALA et al.,1992), isto pode explicar a incidência de entorses de joelho presente nesta pesquisa.

    Outra observação importante, foi a incidência de hiperlordose lombar e escoliose nas atletas, o que leva ao desalinhamento do membro inferior, aumentando o risco de lesões. Segundo BRACCIALLI (2000), a lordose lombar nas meninas mostra-se mais proeminente do que nos meninos em diferentes grupos etários. Para POUSSA e MELLIN (1992) e SOUCHARD e OLLIER (2001), as meninas estão mais predispostas a desenvolverem uma escoliose idiopática progressiva devido à baixa resistência de sua coluna, ao pico de crescimento ser mais precoce e à maior flexibilidade de seus ligamentos.

    Observou-se também a presença de pequenas assimetrias de comprimento dos membros inferiores (inferiores a 20mm). Para GOULD III (1993), em atletas submetidos a sobrecarga e estresse por esforço repetido pequenas assimetrias são significativas. Além das dores no quadril, na coluna lombar e também nos membros inferiores, relatadas pelas atletas, esta assimetria causa mudanças compensatórias (maior pronação do pé do lado do membro inferior mais longo ou mais curto).

    A dificuldade de adaptação ao uso de chuteiras com travas pode ter interferido na incidência das entorses de tornozelo e joelho, pois, as chuteiras com travas, usadas pelas atletas, causaram uma instabilidade lateral do tornozelo. Observou-se que as mulheres têm um período maior de adaptação ao uso de chuteiras com travas. Ao correr, assumem uma posição de genu-varo com tornozelos invertidos.


Conclusão

    Evidenciamos que a incidência de lesões esportivas estão diretamente relacionadas com alterações posturais presentes nas atletas. O que enfatiza a importância da Reeducação Postural Global na Fisioterapia Esportiva como prevenção de lesões.

    Todos os atletas devem receber uma avaliação postural global, pois somente essa avaliação pode deixar evidente a associação existente entre os músculos e as articulações, desta forma, um tratamento global de cadeias musculares deve ser prescrito e não um tratamento localizado.

    A amostra desta pesquisa foi formada por adolescentes do sexo feminino. Além das meninas apresentarem características posturais específicas que aumentam a incidência de desvios posturais, a adolescência caracteriza-se por ser uma fase em que ocorre alterações significativas repentinas e desordenadas do corpo.

    Portanto, este período etário, facilita o aparecimento ou acentuação dos desvios na postura, tornando-o como o período mais adequado para interferir sobre as estruturas esqueléticas, pois o crescimento não encontra-se, totalmente concluído.


Referências bibliográficas

  • BRACCIALLI, Lígia Maria P.. Estudo das relações existentes entre crescimento e desvios na postura. Reabilitar, 9:19-24,2000.

  • BRODY, L.T. e THEIN, J.M. Nonoperative treatment for patellofemoral pain. J.Orthop.Sports Phys. Ther.28(5):336-344, 1998.

  • BROWN, David E. e NEUMANN, Randall D.. Segredos em Ortopedia. Porto Alegre/RS. Editora Artes Médicas.1996.

  • BUSQUET, Léopold. As cadeias musculares - volume 2, Lordoses - Cifoses - Escolioses e Deformações Torácicas. 1ª Edição. Edições Busquet, Belo Horizonte, 2001. 191 p.

  • DENYS-STRUYF, Godelieve. Cadeias musculares e articulares: o método G.D.S. São Paulo, Editora Summus, 1995. 133 p.

  • DOUCETTE, S.A. e GOBLE, M. The effect of exercise on patelar tracking in lateral patellar compression syndrome. Am.J.Sports Med.20(4):434-40, 1992.

  • EITNER D. et.al. Fisioterapia nos Esportes. São Paulo/SP. Editora Manole. 1989.

  • FERNANDES, José Luiz. Futebol: Ciência, Arte ou Sorte. São Paulo/SP. Editora Pedagógica e Universitária - EPU. 1994.

  • GOULD III, James A. Fisioterapia na ortopedia e na medicina do Esporte. São Paulo/SP. Editora Manole. 1993.

  • HILYARD, A. Recent developments in the management of patello-femoral pain. Physiotherapy. 76(9);559-65, 1990.

  • POUSSA, M. e MELLIN, G. Spinal mobility and posture in adolescent idiopathic scoliosis at there stages of curve magnitude. Spine, v.17, n.7, p.757-760, 1992.

  • RODRIGUES, Ademir. Lesões musculares e tendinosas no esporte. CEFESPAR, 1ª Edição, São Paulo, 1994. 164 p.

  • SOUCHARD, Philippe-Emmanuel e OLLIER, Marc. As escolioses - seu tratamento fisioterapêutico e ortopédico. Editora Realizações, São Paulo, 2001. 240 p.

  • SILVA, Rogério de Paula. Estudo das alterações posturais em indivíduos portadores de Síndrome da Dor Patelo-femoral. Reabilitar 15:6-19,2002.

  • SILVA, Paulo Roberto Santos. O papel do Fisiologista Desportivo no futebol - Para que? e Por que? Reabilitar, 13:30-35, 2001.

  • SOUCHARD, P.E. Reeducação postural global: método do campo fechado. 2ª edição, São Paulo: Editora Ícone, 1986, 104 p.

  • TANAKA, Clarice e FARAH, Estela. Anatomia funcional das cadeias musculares. São Paulo: Ícone, 1997. 105 p.

  • ZAPALLA, F.G. et al.. Rehabilitation of patellofemoral joint disorders. Ortho. Clin. North Am. 23(4):555-66, 1992.

Os brasileiros descobriram o MMA, abreviação de Mixed Martial Arts, um esporte que engloba todas as artes marciais e mistura modalidades de ...

Artes marciais são a causa de 12% das lesões nos quadris




Os brasileiros descobriram o MMA, abreviação de Mixed Martial Arts, um esporte que engloba todas as artes marciais e mistura modalidades de lutas em pé, como karatê e boxe, e no solo, como judô e jiu-jitsu. As artes marciais, de maneira geral, são muito praticadas em todo mundo e integram o programa dos Jogos Olímpicos. Mas, é importante destacar que tanto os atletas profissionais como os recreativos devem ter cuidado na execução dos golpes para não lesionar os quadris.

"As artes marciais requerem muitos movimentos rotacionais que dependem da estabilidade articular. Mais do que outras atividades físicas, exigem muita carga e sustentação, amplitude de movimento e elasticidade da articulação para realizar os golpes. São esportes com muita 'explosão', ou seja, muita aceleração e desaceleração na execução dos golpes", explica Dr. Marcelo G. Cavalheiro (CRM-SP 87147), ortopedista integrante do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador da divisão de Artroscopia do Quadril na Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

Lesões

As mesmas lesões podem acometer atletas profissionais e praticantes recreativos, mas por motivos diferentes. "Estudos mostram a ocorrência de até 12% de lesões em praticantes de artes marciais. As lesões nos atletas recreativos, geralmente, ocorrem devido a um preparo físico insuficiente e por erro de técnicas. Nestes casos, a prevenção adequada às lesões é mais falha, deixando o praticante mais sujeito a uma intercorrência. Nos atletas profissionais, há maior exigência pela extensa carga de treinos. Isso pode favorecer a ocorrência de lesões, que são mais vinculadas à hipersolicitação, fadiga, realização de movimentos de alta complexidade e dificuldade", esclarece Dr. Marcelo.

Segundo o especialista, "as principais lesões são os estiramentos e as inflamações músculo-tendíneas (músculos e dos tendões). Com menor incidência, mas com importância pelas suas consequências, a síndrome do impacto femoroacetabular pode ocorrer quando não há um encaixe perfeito entre a cabeça do fêmur e a cavidade da bacia, o que pode resultar em lesões do labrum e da cartilagem e, a longo prazo, em artrose".

Tratamentos

Apenas um médico poderá diagnosticar a lesão e indicar o tratamento adequado. "Se for uma lesão músculo-tendínea, geralmente, não há necessidade de cirurgia. O conceito é somar medidas terapêuticas para auxiliar na cicatrização da estrutura lesada e para eliminar a inflamação local, evitando posições ou atividades que possam 'alimentar' a inflamação. Entre essas medidas, estão a imobilização ou o 'isolamento' da estrutura lesada, fisioterapia, meios físicos para analgesia, termoterapia, bandagens, medicações, manipulações, infiltrações locais, acupuntura, reabilitação e cinesioterapia (terapia do movimento). Em apenas alguns casos, como na lesão completa do tendão, o tratamento é cirúrgico", detalha o ortopedista.

De acordo com o Dr. Marcelo G. Cavalheiro, se for diagnosticada a síndrome do impacto femoroacetabular, normalmente, a indicação é cirúrgica. "São muitas variáveis a serem consideradas para definir o tipo de tratamento. Quando se opta pelo tratamento não cirúrgico, medidas são empregadas para administrar o problema, procurando deixar o paciente assintomático. No entanto, por se tratar de um problema biomecânico do quadril, a resolução definitiva se faz com cirurgia, com o objetivo de abordar diretamente a causa, ou seja, corrigir a estrutura anatômica responsável pela lesão", esclarece. Nesses casos, o procedimento mais adequado é a artroscopia do quadril, uma cirurgia minimamente invasiva, realizada com uma câmera, uma ótica de 4 mm, e outros instrumentos cirúrgicos finos e estreitos e acompanhada por meio de de um monitor de vídeo.

"Os objetivos do tratamento são tirar a dor, restaurar a função do quadril em sua plenitude, permitir que o atleta volte com total desempenho e desenvolva o seu potencial durante as competições, além de dar um prognóstico melhor para a articulação, evitando que o quadril progrida para uma degeneração, ou seja, para uma artrose", revela.

Recuperação

O ortopedista ressalta que tanto no tratamento cirúrgico, como no não cirúrgico, há a necessidade de "poupar" a região e, portanto, a prática do esporte é interrompida momentaneamente. "Nessa fase, exercícios e atividades físicas são executados para favorecer a reabilitação e para manter o condicionamento físico. No caso de realização da artroscopia de quadril, a alta hospitalar é no mesmo dia. O pós-operatório depende do tratamento e dos procedimentos que foram feitos durante a cirurgia", explica.

"Infelizmente, a reincidência de lesões músculo-tendíneas em atletas é comum. Isso se deve ao retorno precipitado ao esporte, ainda sem a cicatrização completa da lesão. No caso de tratamento do impacto femoroacetabular, a correção tende a ser definitiva após a cirurgia", comenta.

Prevenção

A prevenção das lesões é feita com treinamentos com orientação, técnica e equipamentos adequados; preparação física paralela, com fortalecimento, alongamento, equilíbrio muscular, propriocepção, postura, descanso adequado e respeito ao tempo da adaptação do corpo ao progresso dos treinos; e condições ideais de treinamento, como local, vestimenta, alimentação e hidratação. "A prevenção minimiza a incidência de lesões, mas não impede de ocorrer. Uma vez diagnosticada, o indicado é iniciar o tratamento o quanto antes para não permitir um agravamento do quadro e para possibilitar uma resolução mais rápida", finaliza o médico.

Autor: Dr. Marcelo G. Cavalheiro (CRM-SP 87147) é formado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP).

    A Sindorme do impacoto é freqüentemente vista em pessoas que possuem atividades ocupacionais onde o braço é forçado a ficar consta...

Sindrome do Impacto em nadadores


    A Sindorme do impacoto é freqüentemente vista em pessoas que possuem atividades ocupacionais onde o braço é forçado a ficar constantemente na posição erguida, e também em atletas em que o gesto esportivo exija amplitudes de movimentos contínuas do ombro acima de 90º[5,7].

    Em 2002, Kralinger et al.[10] sugeriram que desportos diferentes impõem cargas de trabalho diferentes ao ombro, classificando-os de acordo com o envolvimento desta articulação em menor ou maior grau durante o gesto esportivo, da seguinte maneira: os esportes do tipo I são aqueles em que o ombro é pouco solicitado e não sofre tensões excessivas, como o ciclismo e a corrida; os esportes que ocasionam pressão moderada ao ombro são os do tipo II, incluindo o esqui, e a natação; os do tipo III são aqueles que oferecem grande sobrecarga ao ombro, ininterruptamente, como é visto no vôlei, no handball e no basquete.

    Entretanto, Ejnisman et al.[11] confrontam a idéia de que o nado proporciona um impacto moderado ao ombro. Devido aos movimentos baliísticos efetuados, esses autores afirmam que a natação é, conceitualmente, uma modalidade de arremesso[3], apresentando, apenas, uma variação biomecânica específica, porém, predispondo o ombro às mesmas lesões típicas daquelas do tipo III de Kralinger.

    A natação é o segundo esporte mais praticado no Brasil. Sua vantagem em relação a outras atividades é que o meio aquático tem ampla funcionalidade, propiciando desde espaços recreativos e educativos, até ambientes de campeonatos amadores ou profissionais. Dentro destes dois últimos grupos, uma diferença significativa de desempenho pode ser notada, uma vez que, indivíduos amadores nadam por prazer, sem exigência de performance técnica, enquanto que atletas profissionais são treinados para obterem o máximo de rendimento físico possível durante a prática esportiva[6,12].

    Em 1999, foi quantificado que, em média, competidores de elite perfazem cerca de 300.000 braçadas e percorrem aproximadamente 15.000 metros diários durante a fase pré-temporada[7]. Dentro deste contexto, cabem os achados de Souza et al.[12] , que, num estudo comparativo, observaram dores articulares em pelo menos um dos ombros em grande parte dos atletas de alto nível avaliados, o que não foi encontrado com a tanta freqüência nos indivíduos que nadavam de 2 a 3 vezes por semana.

    A expressão "ombro de nadador" foi descrita pela primeira vez em 1974 para designar um quadro doloroso causado por sucessivos estresses na região da cintura escapular durante o nado. Atualmente, a maioria dos estudos ainda demonstra que, em média, 65% dos nadadores queixam-se de dor nesta área[2,7,11,12,13,15,19].

    Apesar de a natação apresentar baixo risco traumático, seu próprio gesto esportivo pode contribuir para o aparecimento de lesões, principalmente se este não for orientado corretamente. Condições como trabalhar com o membro superior constantemente elevado, agregando padrões repetidos de rotações interna e externa, somados ainda à resistência imposta pela água, predispõem o ombro a sofrer microtraumas por sobrecarga[2,6].

    Em 2004, Busso[2] descreveu em seu estudo que o MR é uma estrutura que possui um papel crucial durante todo o ciclo das categorias crawl, borboleta e costas, da seguinte maneira: o supra-espinhal realiza tração, roda externamente e abduz o ombro na recuperação nos estilos crawl e costas; o infra-espinhal estabiliza a articulação no início da recuperação nos modos crawl e borboleta; o subescapular realiza tração, rotação interna nos estágios de propulsão, e adução do braço submerso nos nados crawl e borboleta; e o redondo menor age como estabilizador em todas as etapas .

    Para Cohen et. al.[14], o nado borboleta é o que mais representa riscos ao complexo do ombro, uma vez que o úmero roda internamente de 70 a 120º ao mesmo tempo em que se sustenta em abdução.

    Cohen e Abdalla[15], porém, relataram mais recentemente que durante a fase de tração do crawl, o braço também adota uma posição de desvantagem ao sair de uma adução com rotação interna para, em seguida, entrar em uma abdução.

    Maglischo[16] confirma esta tese quando sugere que o ombro faz uma rotação interna excessiva sempre que o nadador estende o braço contra a força da água para emergi-lo.

    Yanai et. al.[17], por sua vez, observando as orientações do membro superior durante o nado crawl, atestaram que o maior pico de sobrecarga recai sobre o ombro no momento em que há elevação máxima do braço (para que o mesmo entre na água) e quando o ângulo de rotação interna ultrapassa seu limite normal de amplitude ativa, o que ocorre na fase de recuperação.

    Dessa maneira, conclui-se, então, que séries de rotações internas máximas, tanto na fase de tração do crawl, como na fase de recuperação dos nados crawl e borboleta, prejudicam o ombro, podendo causar dor e desgaste articular[2,7,15,17].

    Na natação, diferente do que acontece em outros esportes, grande parte das injúrias é procedente dos treinos e não das disputas em si. Nessas circunstâncias, os mecanismos supracitados passam a ser ainda mais prejudiciais na medida em que são executados incessantemente durante os treinamentos, sem tempo para descanso e reparo das estruturas envolvidas, deixando-as mais vulneráveis a lesões[6].

    Estudos destacam que a combinação entre overtrainning e overuse é muito observada em nadadores durante o estágio de pré-competição, o que favorece o desencadeamento de traumas, visto que intensos treinamentos com cargas excessivas de trabalho, em busca de melhores resultados, podem levar o esportista à exaustão prematura e, conseqüentemente, provocar compensações indesejáveis[2,6].

    Sabendo-se que 90% da força de propulsão dos nadadores estão nos braços, a fadiga torna-se um elemento agravante, pois, os músculos ativos, além de serem exigidos dinamicamente em potência e resistência, também precisam cumprir um papel estático para preservar a estabilidade articular[2,6,18].

    A partir disso, um ciclo vicioso é provocado, quando o nadador, na tentativa de se manter com o mesmo condicionamento físico, passa a fazer uso de gestos compensatórios. Porém, o resultado é adverso, uma vez que condutas inapropriadas despertam desequilíbrios musculares, incoordenação de movimentos, disfunção escapulotorácica e mau alinhamento dos membros, podendo o atleta experimentar um declínio significativo em seu desempenho[6,18].

    Músculos e tendões em pressões constantes estão propensos a desenvolver microtraumas cumulativos. Em atletas competitivos de natação, essas agressões ocorrem, em particular, sobre o supra-espinhal e a cabeça longa do bíceps braquial, tendo, na maioria das vezes, como causa primária a instabilidade glenoumeral passiva (decorrente de lassidão ligamentar) ou transitória (decorrente da fadiga dos músculos estabilizadores)[6,11,12,13].

    A irritação e a inflamação músculo-tendínea, quando recorrentes, e mal tratadas, podem vir a se transformar em lesões crônicas degenerativas. A cronicidade desorganiza a sincronia dos grupos musculares, enfraquece a relação agonista-antagonista, e, assim, reduz a força do membro afetado. Todo esse processo patológico torna iminente a chance de lacerações, rupturas e conseqüente desenvolvimento da SI, modificando a mobilidade da cintura escapular e aumentando a incidência de dor no ombro, o que, nitidamente, limita o rendimento do atleta[4,6,13,18].

Retirado daqui

O basquete é uma das modalidades esportivas onde podem ocorrer mais lesões por ser um esporte dinâmico e de muito contato físico. Poderia ...

Joelho, um grande problema no Basquete



lesao-joelho


O basquete é uma das modalidades esportivas onde podem ocorrer mais lesões por ser um esporte dinâmico e de muito contato físico. Poderia citar várias, mas vou escrever apenas sobre a articulação do joelho, por ser uma articulação que tem alta freqüência de entorses.

O joelho tem uma importância muito significativa para os movimentos corporais. Ele é composto pelos ossos fêmur (coxa), tíbia (perna), patela (antigamente chamada de rótula), por ligamentos (colaterais e cruzados) e pelos meniscos (que absorvem o impacto do nosso corpo). Essas estruturas, quando lesionadas, impedem que o atleta tenha bom desempenho desportivo para alcançar seus objetivos.

Os ossos do joelho são conectados uns aos outros através de ligamentos e cápsulas articulares. Eles agem unindo os ossos para manter a estabilidade da articulação.

Uma lesão ligamentar, por exemplo, pode afastar um jogador por vários meses, pois deve-se respeitar o processo de reestruturação e cicatrização do tecido lesionado. Caso contrário, isso poderá trazer sequelas de difícil tratamento. O tempo para cicatrização é de, aproximadamente, 60 dias. Os ligamentos podem se regenerar espontaneamente, porém, com a fisioterapia esse processo é acelerado. O retorno do atleta ás atividades vai depender do grau da lesão:

colagem_joelho


  • Grau 1: ocorre lesão de apenas algumas fibras, sendo capaz ainda de manter a estabilidade da articulação.
  • Grau 2: ocorre uma ruptura parcial das fibras.
  • Grau 3: essa lesão ocorre quando há uma ruptura total do ligamento tornando a articulação instável, onde seria necessário a realização de cirurgia para a reconstrução do mesmo.

Qualquer trauma direto sobre o joelho ou uma mudança brusca de movimento (torção), pode acarretar em lesão. Em uma torção dos joelhos os meniscos podem ser afetados, como fraturas dos mesmos, tendo indicação de correção cirúrgica por vídeo artroscopia.

Sobrecarga (excesso) de treinamento pode causar inflamações (tendinites) no joelho do atleta. É de suma importância realizar fisioterapia preventiva com o fisioterapeuta para minimizar a ocorrência de lesões através de reequilíbrio muscular, ganho de flexibilidade e exercícios proprioceptivos.

Sempre que o atleta sentir dores e desconforto na articulação é necessário procurar orientação médica e fisioterápica para ter diagnóstico e iniciar o tratamento o mais precocemente possível.

Escrito por: Lilian Santos

A Fisioterapia, ou reabilitação, é um programa dinâmico de exercícios prescritos para prevenir ou reverter os efeitos deletérios da inativid...

Como é o trabalho do fisioterapeuta que trabalha com esporte?



A Fisioterapia, ou reabilitação, é um programa dinâmico de exercícios prescritos para prevenir ou reverter os efeitos deletérios da inatividade enquanto o indivíduo recupera seu nível de competição. Diferentemente da reabilitação convencional, na qual o retorno completo da função poderá não ser possível, a reabilitação atlética combina o exercício e as modalidades terapêuticas com a finalidade de restaurar os atletas ao seu nível normal de atividade. A reabilitação atlética não inclui apenas a restauração completa do desempenho irrestrito, mas se esforça também para um nível de condicionamento maior do que o nível que o atleta possuía antes da lesão.
 
Terá que levar em conta força muscular, potência, flexibilidade e resistência (endurance), assim como equilíbrio, propriocepção, momento apropriado e desempenho cardiovascular. Cada programa de reabilitação deve ser individualizado de forma a atender as necessidades individuais de cada atleta.
A fisioterapia desportiva, ou reabilitação atlética abarca principalmente a restauração das estruturas músculo-esqueléticas traumatizadas. 

Só raramente uma lesão é tão leve a ponto de tornar desnecessária alguma forma de reabilitação, e, como regra, quanto mais séria for a lesão, mais prolongada e necessária será a reabilitação. A eficácia da fisioterapia no período de recuperação, tanto após uma cirurgia quanto após um traumatismo, geralmente determina o grau e o sucesso da futura competição atlética. Além do mais, as lesões sofridas durante a participação atlética são em geral, produzidas em circunstâncias inerentes ao desporto especifico: portanto, o atleta pode ficar exposto a um traumatismo recidivante idêntico, o que torna mais provável uma nova lesão. Esse potencial para sofrer uma nova lesão torna necessária um tratamento fisioterápico exaustivo e completo.

Em qualquer lesão, ocorrem eventos fisiológicos específicos em resposta ao traumatismo. Cabe ao fisioterapeuta reduzir a gravidade desses efeitos fisiológicos, otimizar o tempo de cicatrização e devolver o atleta à competição o mais cedo possível sem comprometer seu bem-estar. Os objetivos de todo o programa de fisioterapia incluem:

1) Redução da dor;
2) Redução da resposta inflamatória ao traumatismo;
3) Retorno da amplitude ativa de movimento plena e isenta de dor;
4) Redução do derrame;
5) Retorno de força, potência e endurance musculares plenas
6) Retorno às atividades funcionais assintomáticas plenas no nível pré-lesão

Tumefação, dor e espasmo podem inibir a instituição precoce de um programa de fisioterapia. O uso de várias modalidades pode ser essencial no controle e na redução dessas respostas, permitindo ao atleta iniciar precocemente os exercícios de amplitude de movimento e de fortalecimento. No entanto, a modalidade propriamente dita nunca é considerada a cura para a maioria das lesões atléticas. Apenas através do exercício terapêutico será possível recolocar a parte ou as partes corporais lesadas em seu nível pré-lesão. Se um programa de reabilitação não for instituído em combinação com as modalidades terapêuticas, o ciclo da lesão poderá prosseguir.

O exercício precoce é essencial para a reabilitação. Os atletas podem aprimorar sua condição física em cerca de 1% ao dia , enquanto perdem de 3% a 7% de sua aptidão diariamente quando permanecem totalmente inativos. Portanto, quanto mais longo o período de tempo durante o qual o atleta permanece inativo, mais longo será o período necessário para completar o programa de reabilitação. O uso apropriado do exercício pode acelerar o processo de cicatrização, e a falta de exercício durante os estágios iniciais da reabilitação pode resultar em incapacidade permanente. Algumas limitações poderão ser necessárias para proteger um reparo cirúrgico ou permitir que ocorra a cicatrização adequada da lesão. As condições ideais para a cicatrização dependem de um equilíbrio delicado entre a proteção contra o estresse e o retorno à função normal no período mais precoce possível.

Cada programa de fisioterapia deve ser individualizado; não existe um programa de reabilitação do tipo "livro de receitas culinárias" para todas as lesões e que possa ser adotado para todos os atletas. Um programa de fisioterapia deve ser elaborado de forma a atender as necessidades do atleta, abordar as deficiências específicas e a levar em conta as demandas funcionais específicas do atleta para cada atividade esportiva, em vez de encaixar o atleta em um determinado plano de tratamento.

Os objetivos gerais da fisioterapia já foram mencionados. Antes de iniciar um programa de reabilitação, o fisioterapeuta, o técnico e o atleta deverão elaborar um conjunto de objetivos a curto, médio e a longo prazo baseados na lesão do atleta ou no procedimento cirúrgico realizado e na necessidade da competição. O uso do protocolos de reabilitação preestabelecidos como diretrizes para a progressão do atleta através do programo de reabilitação pode ser valioso. Os protocolos deverão fundamentar-se em princípios derivados da pesquisa sobre o tempo de cicatrização e cinemática articular. Os objetivos podem ser delineados em relação à amplitude de movimento, à sustentação do peso e à progressão dos pesos nos exercícios com resistência progressiva. Entretanto, os protocolos de reabilitação são apenas diretrizes e os indivíduos toleram a dor diferentemente e cicatrizam com ritmos variáveis. O avanço da reabilitação no atleta deverá basear-se na avaliação diária do fisioterapeuta quanto aos relatos subjetivos e achados objetivos. A progressão de uma fase para outra somente deverá ocorrer depois que o atleta alcançou os objetivos esboçados na fase atual.

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