As dores no ombro têm se tornado um problema comum entre os amantes do esporte, principalmente entre os jogadores de modalidades como, v...

Diagnóstico precoce é essencial na recuperação de lesões no ombro de praticantes de esportes



As dores no ombro têm se tornado um problema comum entre os amantes do esporte, principalmente entre os jogadores de modalidades como, vôlei, basquete, tênis e natação. Por ser a articulação de maior mobilidade do corpo humano, o ombro torna-se mais vulnerável a lesões. Segundo o médico ortopedista do Hospital Samaritano, de São Paulo, Nemi Sabeh Junior um dos problemas mais frequentes são as lesões do manguito rotador.

— O manguito rotador é formado por um conjunto de músculos que permitem os movimentos e estabilidade do ombro. Sua lesão pode ocorrer devido à degeneração ligamentar, traumatismo e pelo uso excessivo da articulação, ou seja, através de atividades realizadas com as mãos acima da cabeça — explica Sabeh Junior.

O especialista explica que a dor no ombro é o sintoma principal, ocorrendo durante as atividades que exigem a elevação do membro superior e no período noturno.

— Dentre as fases de evolução da doença podem ocorrer edemas, fibroses, inflamações e até mesmo a ruptura do tendão em casos mais graves. O seu tratamento consiste em retorno precoce a atividade, alivio da dor e força. Após o controle da dor e da melhora da mobilidade a fisioterapia na fase precoce é o principal tratamento. A cirurgia é algumas vezes necessária, quando a lesão é particularmente grave, — ressalta.

Sabeh Junior aconselha que aos primeiros sinais de dor, edema e, principalmente, perda da amplitude de movimento deve-se buscar uma avaliação médica com um ortopedista, que encaminhará o paciente para um serviço de fisioterapia caso seja realmente necessário.

— Uma detecção precoce pode ser fator crucial na reabilitação do paciente — destaca.

A Dor Muscular Tardia (DMT) é um fenômeno que acomete pessoas que iniciaram uma atividade física, reiniciaram com grande volume ou intensida...

Efeitos da Crioterapia na Dor Muscular Tardia



A Dor Muscular Tardia (DMT) é um fenômeno que acomete pessoas que iniciaram uma atividade física, reiniciaram com grande volume ou intensidade, ou mesmo naqueles sem o hábito de praticar atividade física que exercem uma carga de exercício muscular vigoroso.

A dor e o desconforto geralmente iniciam-se algumas horas após o término da atividade física, sendo mais intensa em torno de 24 a 48 horas. Não há história de episódio traumático e não é necessariamente relacionado com a fadiga muscular. Os efeitos das microlesões musculares geradas durante a realização de exercícios não habituais ou exercícios excêntricos são bem documentados na literatura médica. São muitos os fatores envolvidos na geração da dor muscular tardia (DMT), o que explica as limitações na prevenção e no diagnóstico preciso.

A DMT e os decréscimos na função muscular são alterações encontradas após a realização de exercícios excêntricos (tensão muscular maior do que a força de contração, gerando alongamento das fibras). A inflamação gerada após o exercício eleva-se à medida em que ocorrem microroturas de fibras musculares. As lesões induzem uma resposta inflamatória com migração de células e liberação de substâncias, que promovem a remoção dos tecidos lesados e estimula a reparação.

A duração e a intensidade da DMT, as alterações da contração muscular e a presença de substâncias químicas marcadoras da lesão na circulação sanguínea, podem variar dependendo da duração, intensidade e o tipo de exercício realizado.

Muitos pesquisadores tem procurado aliviar ou prevenir os sinais e sintomas decorrentes da lesão muscular induzida pelo exercício, que caracteriza a dor muscular tardia.

Dentre as estratégias de tratamento existem: o alongamento, os métodos de fisioterapia (ultrasom), a massagem, a suplementação com antioxidantes e a admnistração de antinflamatórios .

Mais recentemente ,a atenção tem sido dada à crioterapia (tratamento com gelo), no auxílio da recuperação da lesão muscular induzida pelo exercício.

A crioterapia pode ser considerada uma modalidade de tratamento interessante e de fácil acesso na abordagem da inflamação gerada pelas microlesões musculares induzidas pelo exercício. O propósito da crioterapia é reduzir o processo inflamatório, o edema (inchaço), a formação de hematoma e também reduzir a dor.

O papel da crioterapia na abordagem das lesões esportivas é bem documentado, embora as bases científicas de sua aplicação nas lesões musculares induzidas pelo exercício ainda permaneça incerta.

Alguns estudos tem focado no papel da crioterapia nos indices de lesão muscular após exercícios excêntricos de musculos isolados.

A imersao em agua gelada (10 a 15 graus), tão frequentemente utilizada nas modalidades do atletismo, apresenta beneficios relacionados à redução do edema, da tensão muscular e da atividade de algumas substâncias químicas.

Alguns indivíduos apresentam, após a imersão em água gelada, menor percepção de dor muscular até 48 horas depois do exercicio e apresentam um menor decréscimo da contração voluntária máxima. Alguns autores atribuem também a diminuição da percepção da dor muscular ao efeito analgésico da água gelada.

A redução da temperatura muscular entre 10 e 15 graus provoca redução da velocidade de condução nervosa, modifica a atividade do fuso muscular (estrutura importante na regulação do tônus muscular), podendo diminuir a dor

Os mecanismos precisos responsáveis pelo alívio dos sintomas após a imersao em água gelada, ainda precisam de mais estudos, embora a sensação de bem estar seja percebida pelo atleta após a realizaçação da técnica.

Exercícios de alongamento previnem lesões musculares? Definitivamente não, independente do que muitos ainda acreditem. Aliás, exercícios...

Exercícios de alongamento previnem mesmo lesões musculares


Exercícios de alongamento previnem lesões musculares? Definitivamente não, independente do que muitos ainda acreditem. Aliás, exercícios de alongamento não são apenas um desperdício de tempo, mas mas também podem facilitar a ocorrência de lesões musculares. A antiga idéia de que alongamentos com tempo de 20 a 30 segundos – conhecidos como alongamentos estáticos – está é absolutamente errada. Na verdade, alongar antes de praticar execícios físicos enfraquece os músculos levando-os a uma propenção maior a lesões.

Em um estudo recente realizado na Universidade de Nevada, em Las Vegas, os atletas estudados demonstraram uma capacidade menor de geração de força múscular das extremidades inferiores após o alongamento estático do que aqueles que não fizeram nenhum tipo de alongamento. Outros estudos encontraram que o alongamento muscular diminui em até 30 por cento a força muscular.

Há uma resposta neuromuscular inibitória ao alongamento estático. O músculo alongado torna-se menos reativo e fica enfraquecido por até 30 minutos após o alongamento, o que não é o que um atleta quer antes começar um treino.

O aquecimento correto tem duas funções: relaxar os músculos e tendões para aumentar a amplitude de movimento de várias articulações, e, literalmente, aquecer o corpo. Quando você está em repouso, há menos fluxo sangüíneo para os músculos e tendões, e eles ficam mais rígidos. Um bom programa de aquecimento começa aumentando a temperatura corporal e aumentando o fluxo sanguíneo. Os músculos quando aquecidos, e os vasos sangüíneos dilatados auxiliam na utilização do oxigênio encontrado na corrente sanguínea, e também utiliza o combustível armazenado nos músculos mais efetivamente.

Para elevar a temperatura do corpo, um aquecimento adequado deve começar com uma atividade aeróbica. A maioria dos treinadores e atletas já sabem disso há anos. Mas muitos atletas fazem essa parte do seu aquecimento demasiado intensa ou muito cedo. Um estudo feito em 2002 com jogadores de vôlei colegial, descobriu que aqueles que tinham aquecido e então voltaram a sentar no banco de reservas durante 30 minutos, apresentaram uma rigidez da coluna lombar muito maior do que apresentavam antes do aquecimento. Uma série de estudos recentes também demonstraram que uma rotina de aquecimento muito vigorosa simplesmente só faz você ficar cansado. A maioria dos especialistas aconselham a começar a sua corrida de aquecimento em cerca de 40 por cento de sua freqüência cardíaca máxima (um ritmo muito fácil) e então progredir para cerca de 60 por cento. O aquecimento aeróbico não deve tomar mais que 5 a 10 minutos, um período de recuperação de 5 minutos. (Sprinters requerem uma aquecimento maior, pois as cargas exercidas sobre os seus músculos são extremas.)

Enquanto o alongamento estático ainda é quase universalmente praticado entre atletas ele não melhora a capacidade dos músculos para executar atividades com mais potência. Você pode sentir-se capaz de alcançar mais perto dos chão após a realização de um alongamento dos músculos posteriores da coxa por 30 segundos, levando você a pensar que aumentou a disponibilidade músculo; mas na verdade, você só aumentou a sua tolerância mental para o desconforto do alongamento mas o músculo está na verdade mais fraco.

Alongar os músculos através da realização de movimentos ativos, é uma técnica conhecida como alongamento dinâmico, que aumenta a potência, flexibilidade e amplitude de movimento dos músculos. Os músculos aquecidos com movimento não recebem a mesma resposta insidiosa inibitória exercida pelo aquecimento estático, em vez disso recebem uma mensagem ativadora vinda do cérebro.

Alongamento dinâmico é ainda mais eficaz quando é relativo a esportes específicos. Ė necessário realizar exercícios de amplitude de movimento que ativem todas as articulações e o tecido conjuntivo que serão utilizados no esporte a ser praticado. Os atletas que precisam se mover rapidamente em direções diferentes, como jogadores de futebol, tênis ou basquete, po exemplo, devem fazer alongamentos dinâmicos que envolvem muitas partes do corpo.

Mas existem controvérsias sobre em que medida aquecimentos dinâmicos previnem lesões musculares. Estudos têm sido cada vez mais claros em demonstrar que o alongamento estático antes do exercício só faz pouco ou nada para ajudar. Um estudo publicado este ano pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, constatou que as lesões de joelho foram reduzidas quase pela metade entre jogadoras de futebol colegial, que seguiram um programa de aquecimento que incluiu exercícios de aquecimento dinâmico seguidos de alongamento estático. A maioria das lesões musculares ocorrem durante as contrações musculares dentro da faixa normal de movimento articular, o que levanta dúvidas sobre como aumento na variedade de movimentos pode diminuir o risco de lesões. O alongamento ajuda a manter a amplitude de movimento normal, que é importante, especialmente em pessoas com idade mais avançada.

Alguns estudos têm demonstrado os benefícios do alongamento. A maioria das pessoas que alongam, o fazem incorretamente, geralmente pulando e agachando, o que não aumenta a flexibilidade mas sim aumenta a tendência a lesões. Para alongar corretamente, você deve fazer o movimento lentamente aumentando a amplitude de movimento de uma maneira controlada.

Além disso, o alongamento pode ser prejudicial para os levantadores de peso, especialmente se eles realizam o alongamento logo antes ou entre as séries do treinamento de resistência. O alongamento reduz a resistência à ruptura das fibras musculares e está em contradição com a necessidade de uma forte contração do músculo para vencer a resistência e, assim, atingir o objetivo de fortalecimento.

Um aquecimento de qualidade promove intensidade suficiente para aumentar a temperatura intra abdominal sem causar fadiga ou diminuição no nos níveis e glicogênio nos músculos. Está claro que existem níveis ótimos de aquecimento, e que estes estão relacionados ao tipo de esporte, ao tipo físico do atleta e ao meio ambiente onde se está exercitando.

Conclusão

Se você alongar e, em seguida, fizer algum treinamento intenso, você não obterá bons resultados. Em vez disso, alongue ativamente, se possível utilizando movimentos que imitem os movimentos da atividade física a ser realizada.

O alongamento é essencial para se tornar mais flexível, mas tem que ser feito na hora certa e pelas razões certas. Se você ainda quiser alongar, alongue, mas faça com cuidado e somente depois que você estiver bem aquecido.

Fonte: Dra. Márcia Perretto (www.saúde-bem-estar.com)

 

Referências

Behm, D.G., D.C., and J.C. Butt. Factors affecting force loss with prolonged stretching. Can J Appl Physiol 26(3):261-272. 2001.

Burkett, L.N., W.T. Phyllips, and J. Ziuraitis. The best warm up for the vertical jump in college age men. J Strenght Condition Res 19(3):673-676.2005

Cramer, J.T., T.J. Housh, J. W. Coburn, T.W. Beck and G.O. Johnson. Acute efffects of static stretching on maximal eccentric torque production in women. J Strenght Condition Res 20(2):354-358. 2006.

Corn well, A., A.G. Nelson, and B. Sidaway. Acute effects of stretching on the neuromechanical properties of triceps surae muscle complex. Eur J Application Physiolol 86(5):428-434. 2002

Evetovich, T.K., N.J. Nauman, D.S. Conley, and J.B. Todd. Effect of static stretching on the biceps brachii on torque, electromyography, and mechanomyography during concentric isokinetic muscle actions. J Strenght Cond Res 17(3):484-488. 2003.

Faigenbaum, A.D., M. Bellucci, A. Bernieri, B. Bakker, and K. Hoornes. acute efffetcs of different warm-up protocols on fitness performance in children. J Strenght Cond Res 19(2):376-381. 2005.

Flexibility: Roundtable. NSCA J 6(4):10-22, 71-73. 1984.

Herbert, R.D. and M. Gabriel. Effects of stretching before and after exercise on muscle soreness and risk of injury: A systemic review. Br Med J 325:468-470. 2002.

Samuel, M.N., Holcomb, W.R., Guadagnoli, M.A., Rubley, M.D., Wallmann, H. Acute effects of static and ballistic stretching on measures of strength and power. J Strength Cond. Res 22(5):1422-1428. 2008

Shrier, I. Stretching before exercise: an evidense based approach. Br J Sports Med 34(5):324-325.2000.

US Department of Health and Human Services. Alternative Warm-up program reduces risk of ACL injuries for female college soccer players.

Li esse texto aqui e achei muito interessante. Logo, estou compartilhando: As tendinopatias são causas freqüentes de afastamento do esporte...

Exercícios Excêntricos Funcionais



Li esse texto aqui e achei muito interessante. Logo, estou compartilhando:

As tendinopatias são causas freqüentes de afastamento do esporte em atletas amadores e profissionais.  Ainda que os dados epidemiológicos atuais não são muito precisos com relação à incidência desta patologia, estima-se que a prevalência de lesões nos tendões de Aquiles em corredores é de até 11%, e nos tendões patelares pode chegar a um 30% de todas as lesões relacionadas ao esporte.

Histologicamente, esta patologia pode caracterizar-se por alterações degenerativas e ausência de sinais inflamatórios, demonstrando evolucionar de maneira crônica e progressiva. Micro traumatismos repetitivos, associados a falha nos processos de cicatrização tecidual podem ser os responsáveis pela desorganização das fibras de colágeno, aumento celular e formação de novos capilares sanguíneos imaturos que estão circundados por estruturas nervosas altamente sensíveis a sobrecarga mecânica.

Diferentes formas de tratamento têm sido propostas para o controle da dor e aumento da capacidade de cicatrização tecidual. Em 1986, Stanish y col. baseados no conceito de que o treinamento muscular concêntrico-excêntrico provocava adaptações estruturais e aumento da síntese de colágeno, descrevem os exercícios excêntricos como proposta terapêutica.

Atualmente, séries de exercícios realizados com cargas supra máximas têm apresentado evidências cientificas de ser o tratamento conservador mais efetivo no tratamento das tendinopatias não relacionadas à zona de inserção tendinea
 

Programas de 6-12 semanas, executados 2x /dia, com cargas máximas e com amplitude de movimento em "zona dolorosa" demonstraram promover aumento da síntese de colágeno, diminuição de neovasclarizaçao patológica e diminuição da dor em diferentes estudos com metodologias variáveis.

Respostas sincrônicas entre as estruturas muscular e tendinosa sugerem que o aumento de carga promove aumento de força muscular e melhora das propriedades mecânicas do tendão como o aumento da capacidade de deformação elástica.

Alguns fatores biomecânicos podem ser uma explicação plausível e lógica para a boa evolução dos pacientes que apresentam tendinopatias e são tratados com essa modalidade terapêutica.

 

Alterações no plano frontal, como o aumento do movimento de adução femoral e maior pronação subtalar, são fatores predisponentes para maiores sobrecargas mecânica nos tendões de Aquiles e patelares.

Durante a fase inicial do tratamento com os exercícios excêntricos, o terapeuta deve orientar o paciente a realizá-los de maneira lenta e controlada. Desta maneira, conseguimos observar além de uma melhoria estrutural na zona miotendinosa, uma melhora da capacidade de coordenação de movimento e controle neuro muscular de toda extremidade inferior.

Quando falamos em reabilitar um atleta, não devemos pensar somente em alterações de força muscular na zona lesionada. Outros fatores como resistência muscular, fatores psicológicos e padrões inadequados durante a execução do movimento desportivo devem ser identificados para uma reabilitação efetiva e segura.

Na minha opinião, falhas biomecânicas em determinados movimentos devem ser identificadas e corrigidas com exercícios funcionais adaptados a cada esporte. Com a utilização do trabalho de força excêntrica dentro de um processo de reabilitação funcional, conseguimos promover não só uma melhoria local na estrutura músculo-tendinea, mas também a correção de alterações biomecânicas durante o gestual desportivo.

Os exercícios excêntricos são uma realidade cientifica quando falamos em tratamento conservador das tendinopatias. Entretanto, o trabalho funcional associado pode promover diminuição importante dos fatores de risco que geralmente ocasionam a lesão.
 
por Pedro Fagnani
 

A profissão de fisioterapeutas foi regulamentada no Brasil no dia 13 de outubro de 1969, com o decreto-lei nº 938 a definiu como profissão...

Fisioterapia Esportiva no futebol


Imagem relacionada

A profissão de fisioterapeutas foi regulamentada no Brasil no dia 13 de outubro de 1969, com o decreto-lei nº 938 a definiu como profissão. O art. 2º definiu que os fisioterapeutas diplomados por escolas e cursos reconhecidos são profissionais de nível superior é o art. 3º definiu como sendo atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos é técnicas fisioterapêuticas com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente (MARQUES; SANCHES, 1994 apud CAVALCANTE et al, 2011). A fisioterapia surgiu no país a partir de 1929, com a criação do primeiro curso técnico na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Considerada uma profissão recente, com menos de quarenta anos de regulamentação, a formação em fisioterapia no Brasil evoluiu de forma lenta nas décadas de 1970 e 1980, elevou consideravelmente o número de cursos e de vagas na década de 1990 e atingiu acelerada expansão a partir de 1997, segundo Bispo (2009). A fisioterapia é uma das áreas mais jovens da saúde (CAVALCANTE et al, 2011).

A fisioterapia Desportiva é um componente da Medicina Esportiva e suas práticas e métodos são aplicados no caso de lesões causadas por esportes com o propósito de recuperar, sanar e prevenir as lesões. Muitas dessas lesões são causadas pelo desgaste crônico e lacerações, decorrentes de movimentos repetitivos que afetam os tecidos suscetíveis como aponta Negão (2002 apud PARREIRA, 2007).

A carência de estudos brasileiros, aliada à indefinição do papel do fisioterapeuta na equipe, pode contribuir para que haja diferenças entre as funções dos fisioterapeutas esportivos em seus diversos locais de atuação. Diferenças nos métodos de atuação e formação profissionais dos fisioterapeutas esportivos podem ameaçar a identidade desse profissional e atrasar o desenvolvimento dessa área (SAMPAIO et al, 2002). Galo (2005) chama a atenção para o fato de que o fisioterapeuta, além de estar inserido no mesmo contexto dos demais profissionais da saúde, ainda padece desse infortúnio de forma mais acentuada, já que este profissional e visto como "o profissional da reabilitação", ou seja, aquele que atua exclusivamente quando a doença, lesão ou disfunção já foi instalada.

Apesar de o fisioterapeuta esportivo ter formação e autonomia limitadas, segundo Waddington et al (2001 apud SILVA et al, 2011), no futebol inglês o médico somente comparecia ao clube uma vez por semana, cabendo ao fisioterapeuta o atendimento primário de lesões esportivas, assim como de outras doenças.

A fisioterapia esportiva certamente configura uma das mais promissórias áreas de atuação do profissional fisioterapeuta na atualidade. É sábio que o profissional que envereda pela área de reabilitação esportiva estará inevitavelmente sujeito a inúmeras e constantes pressões é cobranças em termos dos resultados de seu trabalho mediante um retorno funcional e no tempo possível do atleta à sua prática esportiva (GREGO; PREIS, 2005).

Atualmente o Brasil possui grandes tecnologias em equipamentos Fisioterapêuticos e se aperfeiçoam constantemente. Aparelhos como Biodex, que permiti a avaliação e treinamento de força, potência e resistência de diversos grupos musculares, bem como o Balance System e os equipamentos de eletrotermofototerapia (ALMEIDA, 2008). Um método utilizado é o isostretching também conhecido por ser uma cinesioterapia voltada para trabalhar o equilíbrio. As exigências físicas e psíquicas em termos de atividade profissional de um jogador de futebol têm aumentado ao longo dos tempos, resultando numa maior propensão dos tempos para lesões de acordo com Reilly et al (2000 apud COSTA; PEREIRA, 2009), razão pela qual cada vez é dada maior importância à presença de um fisioterapeuta junto das equipes.

Numa matéria realizada pela revista FisioBrasil no ano de 2008, em que foi entrevistado o fisioterapeuta Avelino Buongermino, de um clube de futebol na cidade de São Paulo, o mesmo enfatizou que o trabalho da fisioterapia esportiva é de fundamental importância para os atletas e para os clubes. Todos os atletas deveriam submeter-se a uma avaliação especifica, principalmente visando à prevenção de lesões e assim conseguindo um resultado final importante para o desempenho do esporte especifico, sempre partindo do princípio da individualidade biológica e de uma avaliação minuciosa de cada caso, mesmo eu atuando há mais de 20 anos, na área da fisioterapia desportiva, não se pode dar um prazo para o tratamento fisioterápico, e que os casos são sempre diferentes, "o importante na fisioterapia esportiva é não ter uma recidiva, mas temos que recuperar o atleta o mais precocemente possível" (ALMEIDA, 2008).

Fonte

Apesar do tênis de mesa ser um esporte de pouco impacto, não se deve descartar a ocorrência de lesões entre seus praticantes. Segundo ...

Tenistas de mesa não devem descartar ocorrência de lesões




Apesar do tênis de mesa ser um esporte de pouco impacto, não se deve descartar a ocorrência de lesões entre seus praticantes. Segundo estudo publicado Revista Fisioterapia e Pesquisa, os membros superiores e o tronco são os locais mais acometidos.

A pesquisa, que analisou 111 atletas participantes do Campeonato Paulista de Tênis de Mesa, mostra que durante uma partida de tênis de mesa, as bolas são enviadas em diferentes direções com velocidades e rotações igualmente variáveis, fazendo que os competidores realizem movimentos complexos em frações de segundo, envolvendo essencialmente deslocamento lateral e pequenos saltos com mudanças de direções que deixam os atletas expostos às lesões.

O treinamento foi o momento mais relatado de ocorrência das lesões. Os pesquisadores acreditam que muitas vezes treinadores e atletas extrapolam a fase de adaptação, resultando em exaustão e contribuindo para aparecimento de lesões.

Por Solange Bagdadi

A pliometria é um método de reabilitação física que se utiliza de alta velocidade e alta intensidade de movimentos articulares, enfatizand...

Pliometria e sua Abordagem em Reabilitação Física


23062012113359Pliometria.jpg

A pliometria é um método de reabilitação física que se utiliza de alta velocidade e alta intensidade de movimentos articulares, enfatizando o desenvolvimento de potência e coordenação muscular, utilizando o ciclo alongamento-encurtamento (CAE), aproveitando-se da força elástica produzida principalmente pelo tecido conjuntivo. [1] O CAE baseia-se no acúmulo de energia potencial elástica. O componente elástico de um determinado grupo muscular é precedido por uma ação excêntrica e a ação concêntrica resultante gera uma força maior. Quando um determinado grupo muscular é colocado em posição de alongamento em um período curto de tempo, gera-se a energia elástica no sentido de contrário ao alongamento, é o que se observa, por exemplo, em um salto sobre cama elástica, no qual o músculo tríceps é rapidamente alongado instantes antes do impulso, e rapidamente produz energia elástica para realização do salto [2].

A pliometria vem sendo denominada por diversos autores como movimentos explosivos com a finalidade de aumentar a potência muscular e a velocidade de um desempenho, de forma a produzir um tipo de resposta muscular explosiva e reativa [1, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13]. A pliometria é estruturada de forma a utilizar as características inerentes de estiramento e recuo do músculo esquelético, assim como sua modulação através do reflexo de estiramento ou miotático. A sobrecarga é aplicada ao músculo esquelético de forma a distender rapidamente o músculo imediatamente antes da fase concêntrica ou de encurtamento da contração [4, 9, 14, 15, 16, 17, 18].

Conforme relata Weineck [15] diversas denominações são encontradas para o termo pliometria: Treinamento Pliométrico, Treinamento Reativo, Treinamento de Elasticidade, Treinamento Excêntrico e Treinamento de Saltos em Profundidade. Fleck e Kraemer [19] denominam pliometria de Exercício de Estender e Flexionar e sugerem que os aspectos neurofisiológicos para pliometria estão relacionadas ao CAE.

Aspectos Neurofisiológicos
O CAE é utilizado em várias ações diárias como correr, andar e saltar, nas quais os músculos e tecido conjuntivo comportam-se de maneira a armazenar e transmitir energia elástica às articulações sobre os quais eles se articulam [1, 20, 21]. O modelo conceitual de Hill, citado por Cornu et al [5] e Ugrinowitsch e Barbanti [21], divide a estrutura muscular em três elementos básicos: o elemento contrátil, os elementos elásticos em série e os elementos elásticos em paralelo. O elemento contrátil, componente muscular, é a fonte geradora de energia, pois é constituído pelo complexo actina-miosina, componente responsável pela movimentação articular primária.

Os elementos elásticos em série são responsáveis por acumular e liberar energia potencial elástica, os elementos elásticos em paralelo são os responsáveis pela manutenção da estrutura muscular, opondo resistência ao movimento quando ocorre um alongamento muscular [5, 21]. O potencial elástico dos músculos é utilizado quando há um alongamento ou estiramento muscular. Perante essas situações, existe na ação muscular a produção de trabalho negativo, o qual tem parte de sua energia mecânica absorvida e armazenada na forma de energia potencial elástica nos elementos elásticos em série [22]. Com a passagem da fase excêntrica para concêntrica rapidamente, os músculos podem utilizar esta energia aumentando a geração de força na fase posterior com menor custo metabólico. Porém, se a passagem de uma fase para outro for lenta, a energia potencial elástica será dissipada na forma de calor, não se convertendo em energia cinética [8, 23].

De acordo com Hamill e Knutzen [2], o alongamento que precede a ação muscular concêntrica inicia a estimulação do grupo muscular pela potencialização reflexa. O reflexo de estiramento desencadeia uma atividade tônica nos fusos musculares levando a um aumento da descarga tônica sobre as fibras musculares, até então não ativadas e, deste modo, a um maior desenvolvimento de força na contração. Comentam ainda, que a base neurológica para a pliometria está no impulso do reflexo de estiramento pelos neurônios sensoriais tipo Ia. Quando o músculo é rapidamente alongado, ocorre excitação dos motoneurônios alfa, ocorrendo desta forma a contração reflexa daquele mesmo músculo. Essa excitação é aumentada com a velocidade do alongamento e atinge o máximo na conclusão de um alongamento rápido.

Tipos de Exercícios Pliométricos
Os exercícios pliométricos devem ser estruturados através da intensidade, do volume, da frequência e da recuperação [10]. Alguns exemplos de exercícios pliométricos para membros inferiores são citados: pulos sobre uma só perna, saltos em profundidade de várias alturas, saltitamento sobre degraus, pulos rápidos sobre duas pernas, saltos alternados, saltos sobre banco, saltos com contra movimentos, saltos com agachamento, saltos horizontais com dois pés, saltos laterais com cones, salto carpado, saltos com elevação de ambas às pernas, salto sobre cama elástica, saltos na caixa de areia, dentre outros tipos que são compostos de acordo com a necessidade e estrutura do local no qual se realizam os treinamentos/reabilitação física.

O treinamento pliométrico para membros inferiores é mais utilizado e mais difundido entre os Fisioterapeutas ao treinamento pliométrico para membros superiores, pode-se conferir isto a maior quantidade de lesões em joelho e tornozelo que acomete atletas de varias modalidades esportivas [10, 24, 25, 27]. As atividades pliométricas de membros superiores são descritas como arremessos de medicinebol para frente, arremessos de medicinebol para trás, flexão de braços, abdominais com bola de medicinebol, balanceamento dos braços com halteres, impulsos na parede/solo/bola suíça, movimentos instáveis com uso materiais que causam instabilidades nos membros superiores, dentre outros, cabíveis a cada paciente e disponível nos ambientes de tratamento.

As atividades de membros superiores podem ser melhor implementadas com materiais elásticos [2, 7, 10]. Indicações De acordo com Andrews et al [10], a pliometria foi utilizada inicialmente nos programas de treinamento de atletas fora da fase de competição e só recentemente passou a fazer parte da reabilitação terapêutica pós lesão articular, óssea, muscular ou tendinosa, podendo ser utilizada em programas de prevenção a lesões no esporte de alto nível. A pliometria pode ser indicada para aumentar a velocidade, a potência e a habilidade de movimento do atleta, sendo utilizada somente nos estágios avançados da reabilitação física [1, 10].

No basquetebol, por exemplo, diversas habilidades técnicas envolvem o poder explosivo de membros inferiores, sendo necessárias trabalhos repetitivo para o desenvolvimento da força como acontece no treinamento pela pliometria [24]. Conforme relata Reinold et al [12] em sua pesquisa sobre um programa de reabilitação para beisebol, tênis e golfe, a pliometria deve ser realizada três vezes por semana em dias alternados, sendo um programa essencial para o retorno do atleta à competição. Futebol, voleibol, futebol americano, lançamento de disco, salto à distância, natação, arremesso de peso, balé, entre outras modalidades esportivas, foram citadas na literatura como esportes nos quais se utiliza a pliometria [2, 5, 7, 11, 12, 22, 23, 24]. Fatores favoráveis para indicação da pliometria são o baixo custo, alta eficiência e fácil aplicabilidade [10,24].

Contra-Indicações
A pliometria deve ser usada criteriosamente, pois pode causar lesões por excesso de uso (overusing). Fazem parte das contra indicações absolutas, cirurgias recentes, instabilidades consideráveis, dor, atletas portadores de tendinites, entesites, lesão muscular, fadiga muscular e atleta fora de treinamento/sem condicionamento físico [10].

CONCLUSÃO
A partir da bibliografia consultada, verifica-se que a pliometria é de grande valia na fase final de reabilitação física de atletas das mais diversas modalidades, revelando-se como um tipo de treinamento eficaz, de baixo custo e fácil aplicação. A Fisioterapia necessita de mais pesquisas direcionadas ao uso da pliometria em reabilitação física para comprovação cientifica da sua eficácia com diferentes protocolos nas variadas modalidades esportivas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 Kisner C, Colby LA. Exercícios Resistidos. Exercícios terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. São Paulo: Manole;1998. 69-90.
2 Hamill J., Knutzen KM. Considerações Musculares sobre o Movimento Humano. São Paulo: Manole; 1999-86-7, 134-6.
3 Hewett TE, Stroupe AL, Nance TA, Noyes FR. Plyometric Training in Female Athletes Decreased Impact Forces and Increased Hamstring Torques. The American Journal of Sports Medicine 1996; 24:765-73.
4 MacArdle WD, Katch FI, Katch VL. Força muscular: Treinando os Músculos para se Tornarem mais fortes. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1998.414-5.
5 Cornu C, Silveira MIA, Goubel F. Influence of Plyometric Training on the Mechanical Impedance of the Human Ankle Joint. Eur J Appl Physol 1997, 76:282-8.
6 Sarkey JB. Condicionamento Físico e Saúde, Porto Alegre: ArtMed; 1998.176-177.
7 Dintiman G, Ward B, Tellez T. Pliometria. Velocidade nos Esportes: Programa nº 1 para Atletas. São Paulo: Manole; 1999. 122-56.
8 Greve J M D, Amatuzzi M M. Cinesioterapia. Medicina de Reabilitação Aplicada à Ortopedia e Traumatologia. São Paulo: Roca; 1999.71-2.
9 Witze K A, Snow C M. Effects of Plyometric Jump Training on Bone Mass in Adolescent Girls. Med Sci Sports Exerc 2000; 32:1051-7.
10 Andrews J R, Narrelson G L, Wilk K E. Introdução à Reabilitação. Reabilitação Física das Lesões Desportivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2001.136-8.
11 Diallo O, Dore P, Duche E, Praach V. Effects of Plyometric Training Programme on Physical Performance in Prepubescent Soccer Players. J Sports Med Phys Fitness, 2001, 41:342-8.
12 Reinold MM, Wilk KE, Reed J, Crenshaw K, Andrews JR., Internal Sport Programs: Guidelines for Baseball, Tennis and Golf. J Orthop Sports Phys Ther 2002; 32: 293-8.
13 Sizinio H, Xavier R, Pardini GA, Barros TE. Tratamento Fisioterápico para Membro Inferior. Ortopedia e Traumatologia - Princípios e Práticas. Porto Alegre: ArtMed; 1998.800-11.
14 Greg JW, Aron JM, Giorgi A. Weight and Pllyometric Training: Effects on Eccentric and Concentrci Force Production. Can J Appl Physiol 1996; 21:301-15.
15 Weineck J. Treinamento dos Principais Requisitos Motores. Treinamento de Força. São Paulo: Manole; 1998.271-7.
16 Cruz EM. Estudo do Salto Vertical: Uma Análise da Relação de Forças Aplicada. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas 2003.87-114.
17 Finnit, Ikegawa S, Lepola V, Komi PV. Comparison of - Velocity Relationships of Vastus Lateralis Muscle in Isokenetic and in Stretch - Shortening Cycle Exercises. Scandinaviam Physiological Society 2003, 177:483-491.
18 Dorita T, Komi PV, Hämäläinen I, Avelã J. Exhausting Sbatch - Shortening Cycle (SSC). Exercise Causes Greater Impairment in SSC Performance than in pure Concentric Performance. Eur J Appl Phisiol 2003, 88:527-34.
19 Fleck JS, Kraemer JW. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. Porto Alegre: ArtMed; 1999. 44-51.
20 Smith KL, Weiss LE, Lhmkuhl DL. Atividade e Força Musculares. Anesiologia Clínica de Brunnstrom. São Paulo: Manole; 1997. 168-71.
21 Ugrinowitsch C, Barbanti VJ. O Ciclo de Alongamento e Encurtamento e a "Performance" no Salto Vertical. Rev. Paul Educ Fis 1998, 12(1): 85-94.
22 Farley CT. Role of the Stretch - Shortening in Jumping. Journal of Applied Bromechanics. 19997; 3(4): 436-9.
23 Moreira A. Basquetebol: Sistema de Treinamento em Bloco - Organização e Controle. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas 2002. 91-116.
24 Santo E, Janeira A M, Maia J A R. Efeitos do Treino e do Destreino Específicos na Força Explosiva: Um Estudo em Jovens Basquetebolistas do Sexo Masculino. Rev. Paul Educ Fis 1997; 11(2): 116-27.

Autores:
Hugo Machado Sanchez*, Eliane Gouveia de Morais Sanchez**
* Mestre em Fisioterapia pelo UNITRI (Centro Universitário do Triângulo)
**Mestre em Educação pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia)

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 900 cursos online com certificado
http://www.portaleducacao.com.br/fisioterapia/artigos/14087/pliometria-e-sua-abordagem-em-reabilitacao-fisica/pagina-1#ixzz2DQMbUOqk




  Introdução A prática esportiva incita diversos tipos de lesões do sistema musculo-esquelético 1-6 . A formação dos profis...

Análise do perfil, funções e habilidades do fisioterapeuta com atuação na área esportiva nas modalidades de futebol e voleibol no Brasil


 

Introdução

A prática esportiva incita diversos tipos de lesões do sistema musculo-esquelético1-6. A formação dos profissionais envolvidos na abordagem dessas lesões bem como as competências e atribuições de cada profissional na área esportiva são extremamente variáveis de país para país7,8. Em pesquisa realizada em quatro divisões do futebol inglês, constatou-se que metade dos clubes tinha fisioterapeutas sem qualificação específica na área esportiva9. A maioria dos que não tinham qualificação específica era representada por técnicos em fisioterapia, dos quais grande parte eram ex-atletas. Segundo os autores, esses fisioterapeutas estavam em posição desfavorável para resistir às ameaças à sua autonomia profissional, particularmente aquelas que surgem da tentativa dos gerentes e dos médicos de influenciar na sua decisão clínica9.

Apesar de o fisioterapeuta esportivo ter formação e autonomia limitadas, Waddington, Roderick e Naik9 relataram que, no futebol inglês, o médico somente comparecia ao clube uma vez por semana, cabendo ao fisioterapeuta o atendimento primário de lesões esportivas, assim como de outras doenças9. Nesses casos, o fisioterapeuta prescrevia medicamentos, tratava os atletas baseado na cultura do futebol e aplicava injeções, quando necessário. Em sua maior parte, os tratamentos eram realizados sem nenhuma base clínica/científica e, muitas vezes, com pouca autonomia nas decisões. Esse comportamento contraditório da atuação do fisioterapeuta no futebol inglês reforça a necessidade de um melhor entendimento sobre as ações e responsabilidades de cada membro da equipe de saúde dentro do esporte.

Atualmente, ainda existem controvérsias quanto ao papel e à formação necessária de cada profissional de saúde na área esportiva. Entretanto, a equipe de saúde, incluindo o fisioterapeuta esportivo, parece atuar em pelo menos quatro grandes domínios: prevenção, atendimento emergencial, reabilitação funcional e retorno à atividade2,4,5,10-14. Em que pese essa definição internacional sobre as áreas de atuação do fisioterapeuta esportivo, a atuação desse profissional, no Brasil, parece ser heterogênea, sem uma definição clara do seu papel dentro da equipe que atende ao atleta15,16.

A ausência de estudos brasileiros, aliada à indefinição do papel do fisioterapeuta na equipe, pode contribuir para que haja diferenças entre as funções dos fisioterapeutas esportivos em seus diversos locais de atuação. Diferenças nos métodos de atuação e formação profissional dos fisioterapeutas esportivos podem ameaçar a identidade desse profissional e atrasar o desenvolvimento dessa área17. Nesse sentido, o entendimento sobre a inserção e atuação do fisioterapeuta esportivo brasileiro na equipe interdisciplinar pode contribuir para uma melhor organização de serviços e, consequentemente, melhor atendimento ao atleta. Portanto, o objetivo deste trabalho foi investigar o perfil do fisioterapeuta esportivo brasileiro no que tange à sua formação, grau de especialização, atuação e autonomia dentro da equipe interdisciplinar.

 

Materiais e métodos

Esta pesquisa possui um delineamento transversal e foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil, com o parecer de nº. ETIC 294/07.

Seleção dos participantes do estudo

Os potenciais voluntários deste estudo foram inicialmente contatados pessoalmente durante o I Congresso Internacional e III Congresso Brasileiro de Fisioterapia Esportiva (Ouro Preto, MG, Brasil, novembro de 2007) ou posteriormente por meio de e-mails direcionados aos clubes e aos membros da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva. Os critérios de inclusão foram: a) ser fisioterapeuta esportivo de clube/seleção brasileira, de ambos os sexos, com qualquer tipo de vínculo com o clube/seleção; b) ter nacionalidade e formação brasileira; c) atuar ou ter atuado, nos dois últimos anos, no futebol profissional masculino (1ª e 2ª divisões do Campeonato Brasileiro) e no voleibol masculino e feminino (Liga Nacional de Voleibol), bem como em seleções estaduais e nacionais de ambos os esportes.

Os participantes que cumpriam os critérios de inclusão e que aceitaram participar da pesquisa preencheram o questionário de maneira presencial (durante o Congresso) ou, no segundo caso, receberam outro e-mail, contendo um questionário sobre as habilidades e funções que exerciam no seu clube. A pesquisa utilizou um questionário estruturado para levantamento de: a) dados sociodemográficos, b) dados relativos ao ambiente de trabalho, c) dados sobre a prática clínica e os seus domínios. Na sequência, os voluntários receberam uma carta contendo outra selada em seu interior, para retorno do termo de consentimento livre e esclarecido, devidamente assinado, para aqueles que não o fizeram durante o congresso. Após responderem ao questionário, os participantes devolveram-no, também por e-mail.

Caracterização da amostra

Foram selecionados e analisados questionários referentes a 27 fisioterapeutas de clubes de futebol e a 22 fisioterapeutas que atuavam em clubes e seleções de voleibol, perfazendo um total de 49 fisioterapeutas. Cinco voluntários indicaram atuar tanto em clubes quanto em seleções de voleibol. Dessa forma, a dinâmica de trabalho relatada por esses voluntários, incluindo a relação com outros profissionais, foi considerada separadamente no sentido de caracterizar mais fidedignamente a atuação desses profissionais em seu local de trabalho. A maioria (44) era do sexo masculino e apenas cinco eram do sexo feminino, estando elas alocadas em seleções e/ou clubes de voleibol. Considerando todos os questionários analisados, dez respondentes foram de seleção de voleibol; 18, de clubes de voleibol e 27, de clubes de futebol, representando 91%, 50% e 68% da população de fisioterapeutas brasileiros distribuídos nas respectivas categorias. As margens de erro corrigidas para populações finitas foram de 9,8%, 16,8% e 10,9%, respectivamente, para as proporções em estudo. Considerando a amostra total, a margem de erro foi de 8,1% (considerando o nível de 95% de confiança). Os dados relativos à entrevista foram agrupados e analisados por meio do pacote estatístico SPSS 15.0. Neste estudo, foram realizadas análises descritivas da distribuição das respostas em cada dimensão avaliada pelo questionário. O teste de McNemar foi aplicado para comparar as proporções em variáveis medidas em toda a amostra, e o teste Z foi empregado para comparar diferenças nas proporções dos grupos de futebol e voleibol.

 

Resultados

Características do profissional e da profissão

A maioria dos entrevistados (89,1%) era do sexo masculino e 10,9% do sexo feminino, sendo que a idade variou entre 24 e 46 anos, com média de 32,2 anos. Os que trabalhavam em times de futebol corresponderam a 49,1% e, no voleibol, a 50,1% dos entrevistados. Em times de futebol, não houve profissionais do sexo feminino, uma vez que as poucas fisioterapeutas da amostra trabalhavam em times de voleibol (21,4%). As áreas de especialização mais citadas nas entrevistas estão descritas na Tabela 1.

A contratação do fisioterapeuta no clube/seleção, em sua grande maioria (78,2%), deu-se por meio de indicação, sendo que apenas um entrevistado ingressou por processo seletivo. Dados referentes a qual profissional indicava o fisioterapeuta, ao vínculo empregatício com o clube, à carga horária de trabalho, remuneração e aos rendimentos extras estão descritos na Tabela 1. A frequência das funções exercidas pelo fisioterapeuta no clube, como "presença em treinamentos e jogos", "viajar com a equipe" e "aplicação e/ou distribuição dos medicamentos prescritos" está descrita na Figura 1.

 

 

Atuação do profissional

A Tabela 1 indica a distribuição da participação dos fisioterapeutas nos domínios de atuação da fisioterapia esportiva citados na literatura. Pode-se verificar que todos os entrevistados atuavam no "retorno ao esporte após a lesão". Já o registro de lesões nos clubes era realizado por 89,1% dos fisioterapeutas entrevistados. Os 10,9% restantes afirmaram que o registro era feito por outro profissional, sendo que o fisioterapeuta sempre tinha acesso a ele. A Tabela 2 indica a frequência de aplicação de programas de prevenção de lesão, de avaliações para verificar a efetividade desses programas implantados, os profissionais que mais atuam com o fisioterapeuta na aplicação do programa preventivo e o uso de recursos na conduta preventiva. Destaca-se que 44% não responderam ao item tipo de avaliação para a efetividade do programa de prevenção, e 5% não souberam definir o tipo de avaliação.

A Figura 2 demonstra o(s) profissional(is) responsável(is) pelo atendimento emergencial em treinos e jogos. Na comparação entre as situações "treinos" e "jogos", a única diferença significativa foi para a diminuição de "fisioterapeuta" e crescimento de "médico e massagista" (p=0,063).

 

 

A técnica e/ou procedimento mais citado como utilizado no atendimento emergencial foi, em primeiro lugar, a "bandagem", com 70,9%, seguida de "cuidados com feridas, calos e bolhas", com 63,6% e de "enfaixamentos" com 60%. A aquisição do conhecimento em "bandagem" foi aprendida principalmente em cursos extracurriculares e práticas clínicas (34,5% e 36,4%); os "enfaixamentos", na graduação e em cursos (27,3% e 32,7%); as "terapias manuais", em cursos (38,2%); o "ABC do trauma", na graduação e em cursos (34,5% e 25,5%); a "ressuscitação cardiopulmonar" (RCP), em cursos (40%) e "cuidados com feridas, calos e bolhas", na prática clínica (49,1%). As técnicas e/ou procedimentos citados mais aplicados foram recursos físicos, citados por 98% dos pesquisados, técnicas manuais (62%), cinesioterapia e técnicas cinesioterapêuticas (58%) e técnicas de cadeias musculares e RPG (53%).

A prática de atividade física durante a reabilitação de forma a manter o condicionamento cardiorrespiratório era realizada por 89,1% dos clubes. A Tabela 2 indica a distribuição dos profissionais responsáveis por esse trabalho, sendo que 20% da amostra foi representada por outras interações entre profissionais.

Ao serem questionados sobre a quem cabia a decisão final sobre o retorno ao esporte após a reabilitação, em 74,5% dos casos, ela ficava a cargo do médico em conjunto com o fisioterapeuta; em 14,5%, somente a cargo do médico e em 10,9%, somente do fisioterapeuta. Os critérios citados que norteavam tal decisão eram "subjetivos da equipe de saúde" com 33%, seguido por "capacidades físicas, técnicas e funcionais ótimas" (22%), "critérios fisiopatológicos" (20%) e "necessidades do clube" (20%).

Testes ou avaliações para embasar a decisão de retorno ao esporte eram "sempre" realizados por 67,3% dos profissionais pesquisados, sendo que 27,3% afirmaram que isso ocorria "quase sempre" e 5,5% responderam "às vezes". Dos profissionais responsáveis pelo retorno gradativo do atleta às atividades funcionais de campo, os mais citados foram os fisioterapeutas em conjunto com o educador físico, com 70,9% das citações, em seguida, o fisioterapeuta isolado, com 27,3%. O restante (1,8%) foi representado por outras interações.

Análise da interdisciplinaridade no esporte

Os profissionais da saúde mais presentes nas equipes interdisciplinares e contratados diretamente pelos clubes são o preparador físico, com 94,5% das citações, o médico com 89,1% e o nutricionista com 69,1%. Entre os que são contratados para atuar de forma esporádica, o mais citado foi o cirurgião dentista, com 50,9%. Os profissionais que foram indicados como os menos presentes na equipe foram os podólogos, com 61,8%, e os profissionais de enfermagem, com 50,9%. A pesquisa destacou o trabalho do psicólogo e do nutricionista durante o processo de reabilitação de lesões. É interessante notar que 41,8% afirmaram que o atleta lesado nunca tinha acompanhamento psicológico, enquanto 22,2% não eram atendidos por nutricionista durante a reabilitação.

Analisando a frequência da interação do fisioterapeuta com outros profissionais, observou-se que mais de 70% dos fisioterapeutas afirmaram interagir com médicos e 69,1%, com técnicos, de forma constante. A interação com a diretoria segue um padrão um pouco diferente, sendo que somente 43,6% disseram que ela ocorre de forma constante. A autonomia do fisioterapeuta na equipe esportiva sofre restrições tanto pela diretoria quanto pelo técnico e pelo médico, sendo este último o responsável por níveis maiores de restrição (Tabela 3).

 

 

Análise por modalidade

Diferenças estatisticamente significativas foram encontradas em relação à forma de contratação, prestação de serviço e premiações diversas e estão apresentadas na Tabela 1. Houve uma maior frequência de profissionais que recebiam mais de dez salários mínimos em clubes de futebol (p<0,001) e de sete a dez salários mínimos nos clubes de voleibol (p<0,001). Houve uma maior atuação dos profissionais do voleibol no atendimento emergencial ao atleta (p<0,001), além de participação no desenvolvimento de programas de prevenção de lesões ou no suporte para o desenvolvimento deles (p<0,001).

 

Discussão

Para caracterização do perfil do fisioterapeuta com atuação na área esportiva, foram escolhidas as modalidades de futebol e voleibol por serem aquelas mais praticadas e com maiores investimentos18,19. Portanto, essas modalidades podem ser consideradas como referência nos esportes coletivos.

No presente estudo, detectou-se pequena presença de mulheres como fisioterapeuta do esporte, em comparação com os fisioterapeutas homens. A presença feminina foi exclusivamente no voleibol, revelando um possível preconceito contra a participação de mulheres fisioterapeutas no futebol profissional. A idade mais frequente dos fisioterapeutas esportivos foi de 28 anos, e esse fato reflete, possivelmente, o tempo necessário para, após o término da graduação, o fisioterapeuta realizar os cursos de especialização e aperfeiçoamento necessários para complementar sua formação na área de esportes20. No presente estudo, 78,2% dos entrevistados realizaram, pelo menos, uma especialização. Os dados relativos à formação do fisioterapeuta brasileiro no esporte divergem dos achados de Waddington, Roderick e Naik9, em que metade dos clubes ingleses tinha fisioterapeutas sem especialização. Entretanto, deve-se ressaltar que apenas metade dos fisioterapeutas analisados possuem especialização na área esportiva. Esse fato indica que, apesar de atuar no esporte, alguns profissionais não podem ser considerados como especialistas na área esportiva.

No Brasil, a indicação de fisioterapeutas para os clubes/seleções representa a principal forma de contratação, sendo a fonte de indicação diluída entre colegas fisioterapeutas, técnicos e médicos. Entretanto, este último profissional é quem mais restringe a autonomia dos fisioterapeutas entrevistados. Reportando novamente ao futebol inglês9, nota-se que a contratação de fisioterapeutas, na maioria das vezes, se dá por meio de entrevistas aplicadas por um gerente, sem consulta aos demais membros. Apesar de esse tipo de seleção poder ser mais frequentemente baseada em mérito, tal fato, se associado a uma baixa qualificação profissional, pode representar uma ameaça à autonomia dos fisioterapeutas, uma vez que os referidos gerentes de futebol, além dos médicos do clube, podem influenciar a decisão clínica desse profissional9.

A relação trabalhista mais frequente (54,5%) é a carteira assinada, sendo as demais representadas pelo trabalho autônomo como pessoa física e como pessoa jurídica. Esses dados divergem da pesquisa do DIEESE, realizada nas regiões metropolitanas do Brasil, em maio/2008, em que 44,5% trabalhavam com carteira assinada e 7,5% como autônomos21. A prestação de serviço como pessoa jurídica é uma característica comum no esporte profissional. O presente estudo demonstra que o fisioterapeuta esportivo vem sendo afetado por essa nova forma de relação trabalhista.

Os resultados demonstram que a maioria dos fisioterapeutas esportivos (83,7%) apresentavam salários acima do que é preconizado pela FENAFITO (Federação Nacional dos Sindicatos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) que, no momento da conclusão das entrevistas, era referente a 3,6 salários mínimos (R$ 1.468,00)22,23. Considerando o piso salarial sugerido e desejado pela mesma entidade (7,8 salários mínimos ou R$3.214,22), mesmo assim, têm-se 58,2% dos fisioterapeutas dentro ou acima dessa faixa salarial22. A carga horária dos fisioterapeutas entrevistados pode ser considerada elevada, já que 80% trabalhavam mais de 8 horas ou em regime de dedicação exclusiva para o clube. Esse fato está em desacordo com a Lei nº. 8856 de 1º de março de 1994, que define 30 horas semanais como carga horária máxima da profissão23. Isso faz supor que parte dos rendimentos extras percebidos pelos profissionais venha a compensar essa distorção. Além disso, o recebimento de "bichos" e "premiações" demonstra o quanto o fisioterapeuta é reconhecido pela direção dos clubes.

A atuação do fisioterapeuta é observada em todos os domínios de sua prática, sugerindo a sua participação em todas as funções possíveis de serem ocupadas. Destaca-se, inclusive, a atuação do fisioterapeuta na área de atendimento emergencial, em que culturalmente existe a figura do massagista no esporte brasileiro. Nessa área de atuação, nota-se a grande participação do fisioterapeuta, individualmente ou em ação com o médico, principalmente em treinamentos. Entretanto, existe ainda um grande potencial de mercado a ser conquistado pelo fisioterapeuta esportivo no atendimento emergencial em jogos. Para tanto, faz-se necessário a contratação de mais profissionais fisioterapeutas pelos clubes para atendimento a essa demanda, bem como uma formação mais sólida, aliada a uma política de reconhecimento, pelas federações e confederações, do fisioterapeuta como profissional que pode atuar de maneira científica e segura juntamente com o profissional médico.

Outra área importante de atuação do fisioterapeuta no esporte é a prevenção de lesões24-28. O processo de prevenção requer o registro das lesões e avaliação sistemática do efeito das medidas preventivas adotadas e a participação da equipe interdisciplinar no processo11,24. No presente estudo, observou-se que a grande maioria dos clubes possui registro de lesões, bem como incentivam programas de prevenção. Entretanto, a forma de avaliação do programa preventivo parece não ser sistematizada e está ausente em 44% dos clubes. Esse fato indica a necessidade de maior cientificismo no processo de prevenção de lesões. Os clubes que apoiam programas de prevenção também são aqueles que contam com maior presença dos profissionais médicos, psicólogos e nutricionistas, além de um número maior de outros profissionais integrando a equipe, o que reforça o caráter interdisciplinar da prevenção9,18,25,26.

Diferenças significativas foram detectadas nas comparações entre fisioterapeutas de voleibol e de futebol. A maioria das diferenças entre os profissionais e seus ambientes de trabalho decorre, possivelmente, da cultura e da organização de cada modalidade23. Por exemplo, devido à ligação do voleibol com empresas, nesse esporte, o fisioterapeuta é mais frequentemente contratado como prestador de serviço do que como funcionário com carteira assinada. Além disso, os fisioterapeutas que atuam no futebol são melhor remunerados e ainda recebem mais premiações. Esse fato reflete o maior poder econômico do futebol brasileiro em comparação com o voleibol. Por outro lado, o profissional que atua no voleibol possui maior participação no atendimento emergencial do atleta e maior atuação nos programas de prevenção. Isso pode ser explicado pelo número menor de outros profissionais que atuam no voleibol, se comparado com o futebol. Parece que a ausência de outros profissionais dilui a responsabilidade pela elaboração e execução dos programas de prevenção no futebol, concentrando mais essa tarefa na mão do fisioterapeuta no voleibol.

Na presente pesquisa, nessas áreas de convergência com outros profissionais, o fisioterapeuta esportivo demonstrou-se atuante. Os dados revelam uma boa participação do fisioterapeuta na manutenção de performance de atletas lesados (30,9% com o preparador físico e 21,8% sozinho), muito boa participação na decisão do retorno do atleta às atividades após a reabilitação (74,5% com o médico e 10,9% sozinho) e no veto ou liberação do atleta ao esporte (63,6% sempre participa) e excelente participação na reabilitação funcional (70,9% com o preparador físico e 27,3% sozinho). Isto possivelmente reflete o respeito dado ao papel do fisioterapeuta nos processos de reabilitação e retorno a competição dentro do esporte brasileiro.

Autonomia profissional pode ser definida como a capacidade de autogoverno que pode ser utilizada ou não, ou como sendo a liberdade de julgamento e de tomada de decisão frente às necessidades29,30. Os estudos acerca deste tema na profissão de fisioterapeuta têm sido mais frequentemente realizados a respeito da relação fisioterapeuta/médico, em que se observa uma indefinição das atribuições e competências dessas profissões, gerando conflitos internos e externos20. No presente estudo, 70% dos entrevistados relataram que tinham interação com os médicos em seus clubes. Entretanto, a restrição por parte desse profissional sobre a atuação do fisioterapeuta é maior se comparada com a de outros profissionais da equipe (diretores e treinadores). A autonomia profissional se desenha a partir das definições estabelecidas do que é prerrogativa e do que é instrumental à profissão28-30. O fisioterapeuta esportivo deve procurar uma delimitação concreta do que é próprio da fisioterapia, ou seja, daquilo que o caracteriza como profissional, e se estabelecer como membro integrante e distinto da equipe de saúde esportiva. Os recursos mais utilizados (e.g. eletroterapia 98% e técnicas manuais 62%), as habilidades que são exercidas pelo fisioterapeuta esportivo (e.g. prescrição de órteses e de palmilha 61,8%) e as funções exercidas no clube (e.g. prevenção e reabilitação funcional) ficaram nítidas nesta pesquisa. Dessa forma, as possíveis áreas de atuação do fisioterapeuta no esporte são amplas e podem produzir conflitos com diversos profissionais.

O processo de avaliação é também um grande definidor do papel do fisioterapeuta10,29. Infelizmente, somente 16% aplicam testes e avaliações para determinar os resultados da prevenção, enquanto 44% não responderam a essa questão. Além disso, na liberação do atleta após reabilitação de lesões, o caráter subjetivo da avaliação também sobrepuja os testes e avaliações aplicadas pelo profissional fisioterapeuta. A prescrição de equipamentos com intuito de prevenir lesões tem sido citada na literatura como sendo um procedimento muitas vezes necessário2,4,5,11,31,32. Portanto, órteses e palmilhas foram os procedimentos de prevenção mais indicados pelos fisioterapeutas entrevistados. Por outro lado, a indefinição, na literatura, sobre os resultados e benefícios da utilização de banheira com gelo ou banheira com água quente após jogos e/ou treinos gerou resultados conflitantes entre os entrevistados. A ausência de testes padronizados para avaliar os resultados das intervenções assim como a falta de consenso nas aplicações de procedimentos de intervenção revelam a necessidade de um melhor embasamento científico para atuação desse profissional.

Os resultados deste estudo se restringem somente à caracterização do perfil de fisioterapeutas que trabalham no futebol e voleibol profissional. Dessa forma, o perfil do fisioterapeuta esportivo em clubes amadores ou em outros esportes pode ser diferente do da realidade apresentada. Assim, novos estudos que envolvam fisioterapeutas atuantes em esportes individuais e em outros ambientes de trabalho, como academias e clubes sociais, devem ser incentivados.

 

Agradecimentos

Aos fisioterapeutas esportivos, quase sempre anônimos na sua atuação, mas atores principais nesta pesquisa.

 

Referências

1. McIntosh AS. Risk compensation, motivation, injuries, and biomechanics in competitive sport. Br J Sports Med. 2005;39(1):2-3.         [ Links ]

2. Bahr R, Krosshaug T. Understanding injury mechanisms: a key component of preventing injuries in sport. Br J Sports Med. 2005;39(6):324-9.         [ Links ]

3. Moreira P, Gentil D, Oliveira C. Prevalência de lesões na temporada 2002 da Seleção Brasileira Masculina de Basquete. Rev Bras Med Esporte. 2003;9(5):258-62.         [ Links ]

4. Thacker SB, Stroup DF, Branche CM, Gilchrist J, Goodman RA, Weitman EA. The prevention of ankle sprains in sports. A systematic review of the literature. Am J Sports Med. 1999;27(6):753-60.         [ Links ]

5. Griffin LY, Albohm MJ, Arendt EA, Bahr R, Beynnon BD, Demaio M, et al. Understanding and preventing noncontact anterior cruciate ligament injuries: a review of the Hunt Valley II meeting, January 2005. Am J Sports Med. 2006;34(9):1512-32.         [ Links ]

6. Simões NVN. Lesões desportivas em praticantes de atividade física: uma revisão bibliográfica. Rev Bras Fisioter. 2005;9(2):123-8.         [ Links ]

7. Childs JD, Whitman JM, Sizer PS, Pugia ML, Flynn TW, Delitto A. A description of physical therapists' knowledge in managing musculoskeletal conditions. BMC Musculoskelet Disord. 2005;6:32.         [ Links ]

8. Jull G, Moore A. Specialization in musculoskeletal physiotherapy - the Australian model. Man Ther. 2008;13(3):181-2.         [ Links ]

9. Waddington I, Roderick M, Naik R. Methods of appointment and qualifications of club doctors and physiotherapists in English professional football: some problems and issues. Br J Sports Med. 2001;35(1):48-53.         [ Links ]

10. Kulund D. The injured athlete. Philadelphia: J. B. Lippincott Company; 1988.         [ Links ]

11. Mellion M. Sports injuries & athletic problems. Philadelphia: Hanley & Belfus INC.; 1988.         [ Links ]

12. Prentice W. Modalidades Terapêuticas em Medicina Esportiva. São Paulo: Manole; 2002.         [ Links ]

13. Roi GS, Creta D, Nanni G, Marcacci M, Zaffagnini S, Snyder-Mackler L. Return to official italian first division soccer games within 90 days after anterior cruciate ligament reconstruction: a case report. J Orthop Sports Phys Ther. 2005;35(2):52-61.         [ Links ]

14. Junge A, Rösch D, Peterson L, Graf-Baumann T, Dvorak J. Prevention of soccer injuries:a prospective intervention study in youth amateur players. Am J Sports Med. 2002;30(5):652-9.         [ Links ]

15. Weidner TG, Noble GL, Pipkin JB. Athletic training students in the College/University Setting and the Scope of Clinical Education. J Athl Train. 2006;41(4):422-6.         [ Links ]

16. Ferrara MS. Globalization of the athletic training profession. J Athl Train. 2006;41(2):135-6.         [ Links ]

17. Sampaio RF, Mancini MC, Fonseca ST. Produção cientifica e atuação profissional: aspectos que limitam essa integração na Fisioterapia e na Terapia Ocupacional. Rev Bras Fisioter. 2002;6(3):113-8.         [ Links ]

18. Zachazewski J, Magee D. Athletics injuries and Rehabilitation. Philadelphia: W. B. Sauders Company; 1996.         [ Links ]

19. Bahr R, Reeser JC; Fédération Internationale de Volleyball. Injuries among world-class professional beach volleyball players: The Fédération Internationale de Volleyball beach volleyball injury study. Am J Sports Med. 2003;31(1):119-25.         [ Links ]

20. Nascimento MC, Sampaio RF, Salmela JH, Mancini MC, Figueiredo IM. A profissionalização da fisioterapia em Minas Gerais. Rev Bras Fisioter. 2006;10(2):241-7.         [ Links ]

21. Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Pesquisa de emprego e desemprego [internet]. Brasília: [acesso em 2008 Mar 13] Disponível em: http://www.dieese.org.br/ped/metropolitana/ped_metropolitana0108.pdf.         [ Links ]

22. Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de São Paulo. Convenção Coletiva de Trabalho - 2008 [internet]. São Paulo: [acesso em 2008 Abr 25]. Disponível em http://www.sindhosp.com.br/IMP_353D.htm.         [ Links ]

23. Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional.Piso salarial FENAFITO [internet]. Brasília: [acesso em 2008 Mar 20]. Disponível em http://www.coffito.org.br.         [ Links ]

24. Bahr R. No injuries, but plenty of pain? On the methodology for recording overuse symptoms in sports. Br J Sports Med. 2009;43(13):966-72.         [ Links ]

25. Andersen MB, Willians JM. A model of stress and athletic injury: prediction and prevention. J Sport Exerc Psychol. 1988;10(3):294-306.         [ Links ]

26. Shuer ML, Dietrich MS. Psychological effects of chronic injury in elite athletes. West J Med. 1997;166(2):104-9.         [ Links ]

27. Wilmore J, Costill D. Physiology of sport and exercise. Champaingn: Human Kinetics; 1994.         [ Links ]

28. Fonseca S, Ocarino J, Silva P, Aquino C. Integration of stresses and their relationship to the kinetic chain. In: Magee DJ, Zachazewski JE, Quillen WS. Scientific foundations and principles of practice in musculoskeletal rehabilitation. St. Louis, MO: Saunders Elsevier; 2007. p. 476-86.         [ Links ]

29. Gomes AMT, Oliveira DC. Estudo da estrutura da representação social da autonomia profissional em enfermagem. Rev Esc Enferm USP. 2005;39(2):145-53.         [ Links ]

30. Santos LAC, Faria L. As ocupações supostamente subalternas: o exemplo da enfermagem brasileira. Saúde Soc. 2008;17(2):35-44.         [ Links ]

31. Rodrigues A. Joelho no esporte. São José do Rio Preto: CEFESPAR; 1993.         [ Links ]

32. Gross MT, Foxworth JL. The role of foot orthoses as an intervention for patellofemoral pain. J Orthop Sports Phys Ther. 2003;33(11):661-70.         [ Links ]

 Autores:

Anderson A. SilvaI; Natália F. N. BittencourtII; Luciana M. MendonçaII; Marcella G. TiradoI; Rosana F. SampaioI; Sérgio T. FonsecaI

Na pele dos atletas, fitas pretas, azuis e laranjas parecem fazer parte do uniforme de jogo. O local de aplicação e a cor das bandagens...

Eficientes contra dor, fitas terapêuticas viram febre entre jogadores da praia



Na pele dos atletas, fitas pretas, azuis e laranjas parecem fazer parte do uniforme de jogo. O local de aplicação e a cor das bandagens são as únicas coisas que diferem. Conhecido internacionalmente como Kinesio Taping e eficiente na contenção de dor e câimbras, o método terapêutico ganha cada vez mais entusiastas do vôlei de praia e está presente em várias partidas do Circuito Brasileiro.

A técnica foi inventada nos início dos anos 1970 pelo quiroprata japonês Kenzo Kase e se baseava na crença de que músculos, ligamentos e tendões poderiam ser "ajudados" em suas funções com a ajuda de um suporte externo - no caso, fitas e bandagens. Com o passar dos anos, estudos científicos comprovaram a eficácia do método, que se difundiu pelo mundo e evoluiu com o desenvolvimento de materiais elásticos adesivos até chegar ao utilizado atualmente, chamado de kinesio tape.

vôlei de praia kinesio tape taiana, pedro solberg e evandro. (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)


Contratado da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), o fisioterapeuta Mark Adrian Hudson auxilia os atletas que desejam valer-se da técnica para aliviar a dor durante os jogos do Circuito. Especialista no método e instrutor de uma marca alemã no Brasil, ele explica que as funções da bandagem vão desde a ativação da circulação à inibição dos sensores de dor. Mas faz a ressalva de que o uso deve ser moderado, já que as fitas não tratam a causa do incômodo.

Lili vôlei de praia kinesio tape  (Foto: Helena Rebello / Globoesporte.com)

- A técnica tem excelentes resultados e dá ao atleta maior conforto para executar os movimentos em quadra. Eles precisam só tomar cuidado e ter consciência de que aquilo não vai resolver o problema deles, mas só adiar e solução e permitir que ele jogue. Se não ficar atento, corre o mesmo risco de quem toma um medicamento e, por ter os sintomas mascarados, não cuida da causa da dor - explicou.

Evandro, hoje parceiro de Vitor Felipe, foi apresentado às bandagens terapêuticas por Mark há três anos, quando sofreu um estiramento em um dos músculos do abdômen. Desde então, utilizou a técnica em diversas outras oportunidades. Mesmo agora trabalhando com outro fisioterapeuta, Guilherme Tenius, (que cuida do time feminino do Rio de Janeiro e da seleção masculina de vôlei e é mais conhecido como Fiapo), o carioca segue valendo-se deste recurso.

- Graças a Deus não sofro muitas lesões para precisar usar sempre mas, sempre que precisei, me ajudou bastante. Eu me dou bem com elas e só vejo os pontos positivos. Para mim não coça, não arranha, só me dá mais mobilidade. O Fiapo também gosta bastante e indica quando preciso. De qualquer forma, sempre ando com um rolo (da fita) na mochila.

Encontrar as fitas a um bom preço, no entanto, não é uma missão tão simples. Como o produto é importado, alguns atletas preferem encomendá-lo aos colegas que viajam para o exterior com mais frequência.


A Fisioterapia Aquática (Hidroterapia) auxilia na reabilitação de inúmeras patologias. O fisioterapeuta, por meio de técnicas associad...

Hidroterapia na reabilitação esportiva



A Fisioterapia Aquática (Hidroterapia) auxilia na reabilitação de inúmeras patologias. O fisioterapeuta, por meio de técnicas associadas às propriedades físicas da água, principalmente a pressão hidrostática, flutuação, viscosidade e aos efeitos do calor, utiliza a água aquecida para proporcionar aos pacientes efeitos fisiológicos que surgem imediatamente após a imersão.

Esta forma de terapia possibilita aos pacientes a realização de exercícios com mais facilidade que em terra. Isso ocorre porque, submerso em água, o peso do paciente fica reduzido.

Na reabilitação desportiva também se tem observado a importância da hidroterapia, pois o atleta lesionado pode realizar precocemente, e de forma segura, as atividades físicas, possibilitando a simulação do gesto desportivo, prevenindo o estresse no sistema musculoesquelético, diminuindo a incidência de lesões por sobrecarga e acelerando o retorno à prática esportiva de maneira satisfatória. As principais indicações são das áreas de ortopedia e traumatologia e medicina esportiva.

Dentre os principais benefícios da Hidroterapia, estão:

• Alivia a dor e os espasmos musculares;
• Melhora a circulação sanguínea;
• Aperfeiçoa o equilíbrio corporal e a coordenação motora;
• Favorece o aumento das amplitudes de movimento, direta e indiretamente;
• Promove o relaxamento muscular e emocional;
• Diminui os edemas (inchaços), favorecendo o retorno venoso;
• Estimula o trabalho respiratório, melhorando a capacidade pulmonar;
• Facilita o treinamento muscular e o condicionamento cardiovascular;
• Facilita a execução de movimentos que são difíceis de serem realizadas no solo;
• Nos casos de lesões com restrições de descarga de peso corporal no solo, facilita a movimentação sem que haja descarga total ou parcial do peso corporal.

Por Vanessa Moreira, fisioterapeuta (Crefito 3-38210).

No Brasil, o esporte paraolímpico teve um crescimento nos últimos anos, principalmente após os Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 20...

Aspectos das lesões esportivas em atletas com deficiência visual



No Brasil, o esporte paraolímpico teve um crescimento nos últimos anos, principalmente após os Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 2004. A divulgação pela mídia fez com que um maior número de pessoas com deficiência procurasse o esporte como forma de atividade física recreacional ou competitiva. Sendo assim, o aumento do número de atletas com deficiência praticantes de atividade física também gerou um crescimento no número de lesões esportivas decorrentes de sua prática.

Estudos epidemiológicos sobre lesões em atletas com deficiência são importantes para informar aos atletas e treinadores os riscos lesionais do esporte, prover informações para a equipe de saúde, assegurar atendimento adequado e dar base para a realização de um trabalho preventivo para reduzir a incidência de lesões esportivas nessa população(1).

Alguns estudos na área de lesão esportiva em atletas com deficiência já foram publicados(2-4), porém a maioria apresenta metodologia que agrega dados de diferentes deficiências e modalidades esportivas, tornando a amostra heterogênea e inespecífica(5).

A especificação desses dados, de acordo com o grupo de atletas com deficiência e modalidade praticada, pode informar a respeito das lesões esportivas que acometem uma modalidade ou um grupo de atletas com deficiência, auxiliando na aplicação de estratégias preventivas específicas. Diante desses fatos, esta pesquisa apresenta as lesões esportivas que acometem apenas atletas com deficiência visual.

Para competir, o atleta com deficiência visual passa por um processo de classificação visual composta de três categorias: B1 – cegos totais (podem ter percepção luminosa, mas são incapazes de reconhecer a forma de uma mão a qualquer distância em qualquer direção); B2 – deficientes visuais (reconhecem a forma de uma mão, sua percepção visual não ultrapassa 2/60 e seu campo de visão alcança um ângulo inferior a cinco graus); e B3 – deficientes visuais com maior visão (a percepção visual se situa entre 2/60 metros e 6/60 metros e seu campo visual alcança um ângulo entre cinco e 20 graus)(6).

Este estudo teve como objetivo principal analisar a frequência das lesões esportivas em atletas com deficiência visual, além de identificar as áreas corporais mais lesionadas, o mecanismo das lesões esportivas, as principais lesões esportivas que acometem os atletas com deficiência visual e verificar se o grau de deficiência visual apresenta relação com a incidência de lesões esportivas.

 

MÉTODOS

O projeto de pesquisa foi submetido para avaliação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Unicamp, com protocolo nº 340/2007, sendo aprovado em junho de 2007.

 

SUJEITOS

Participaram da pesquisa atletas de elite, de ambos os sexos, com deficiência visual, convocados para representar a delegação brasileira em competições internacionais, no decorrer dos anos de 2004 a 2008, nas modalidades de: atletismo, futebol de 5, goalball, judô e natação. Foram excluídos do estudo atletas com lesões não ocasionadas durante a prática esportiva e os atletas cujos dados estavam incompletos na ficha de avaliação. As lesões recidivas foram contabilizadas apenas uma vez, mesmo ocorrendo em competições seguintes.

Todos os atletas receberam a classificação visual de acordo com as regras internacionais, propostas pela IBSA (B1, B2 e B3), realizada pelos médicos representantes da federação (IBSA) nos eventos espor tivos realizados.

Os atletas foram informados sobre os benefícios e riscos da participação como voluntários no estudo, de acordo com os critérios propostos para pesquisas com humanos, como exemplificado no modelo do termo de consentimento. As referidas instituições organizadoras dos eventos esportivos foram informadas e autorizaram a realização do estudo.

Local de pesquisa

A pesquisa foi baseada na coleta de dados de competições internacionais de 2004 a 2008, sendo as seguintes: Jogos Paraolímpicos de 2004, Atenas (GRE); Jogos Pan-Americanos IBSA 2005, em São Paulo (SP); Jogos Mundiais IBSA 2007, em São Paulo (SP); Jogos Pan-Americanos 2007, Rio de Janeiro (RJ); Jogos Paraolímpicos de 2008, em Pequim (CHI).

Descrição do instrumento

Os dados foram coletados a partir de modelo utilizado pela coordenação médica do Comitê Paraolímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Desporto para Cegos, composto dos seguintes dados: nome, modalidade, idade, classificação visual (B1, B2, B3), local de lesão e diagnóstico da lesão.

Definição de termos

No presente estudo foi definida como lesão esportiva qualquer lesão que ocorra com o atleta durante prática, treinamento ou competição que cause a interrupção, limitação ou modificação de sua participação por um dia ou mais(7).

Para padronização quanto à localização das lesões, a pesquisadora considerou cinco segmentos corporais, com suas regiões específicas:

Cabeça: cabeça, face e pescoço.

Membro superior: cintura escapular, ombro, braço, cotovelo, antebraço, punho, mão e dedos.

Membro inferior: cintura pélvica, pube, quadril, glúteo, coxa, joelho, perna, tornozelo, pé e dedos.

Coluna: cervical, torácica e lombar.

Tronco: tórax e abdome.

Com relação ao mecanismo da lesão foi utilizada a denominação de lesão de sobrecarga e lesão de acidente esportivo tendo a seguinte definição(8):

A lesão de sobrecarga é caracterizada por microtraumas de repetição, resultantes da dosagem de cargas físicas de repetição com uma recuperação inadequada do sistema musculoesquelético.

A lesão por acidente esportivo ocorre de forma única, aguda, resultando em um impacto ou macrotrauma.

 

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados coletados foram transformados em algarismos e tabulados no programa Microsoft Excel 2007®. Utilizou-se a estatística descritiva para calcular a frequência total e relativa dos dados coletados. A normalidade dos dados foi avaliada por meio do teste de Shapiro-Wilk. A comparação dos resultados em relação ao sexo e a classificação visual foi feita através do teste t de Student para o sexo e mecanismo. Para a classificação visual foi utilizado o teste de ANOVA one way. Quando os dados não eram normais foram utilizados os equivalentes não paramétricos de Mann-Whitney (para o teste t) e Kruskal-Wallis (para ANOVA). Os dados da modalidade de futebol de 5 não fizeram parte das comparações por apresentar apenas atletas do sexo masculino e com classe B1. As análises foram feitas através do programa estatístico SPSS 14.0® para Windows®. Para a comparação múltipla do teste Kruskal-Wallis foi utilizado o teste de DUNN através do Bioestat 5.0®.

 

RESULTADOS

Participaram do estudo 131 atletas, sendo que 102 apresentaram alguma lesão esportiva. As tabelas 1, 2, 3, 4 e 5 e as figuras 1, 2, 3 e 4 apresentam os números de atletas participantes e lesionados por sexo e classe visual.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

De 315 lesões registradas no estudo, 27 (8,57%) eram lesões recidivas. A não sensação dolorosa pode estar relacionada à decisão de retorno precoce do atleta ao treinamento após uma lesão, não levando em consideração o processo de desadaptação causado pelo afastamento prolongado(9), podendo ocasionar a recidiva ou o agravo da lesão. Por esse motivo, no presente estudo, as lesões recidivas foram contabilizadas apenas uma vez.

É muito comum no esporte profissional, tanto olímpico quanto paraolímpico, a pressão sobre o retorno do atleta à prática esportiva após uma lesão. Porém, a equipe de saúde deve estar muito segura ao liberar o atleta, tendo como base a evolução do quadro, tempo de cicatrização dos tecidos, processo de reabilitação e o relato do atleta.

Foi possível verificar uma redução da porcentagem de atletas lesionados durante um ciclo paraolímpico (Jogos Paraolímpicos de 2004 e de 2008), mesmo com o aumento do número de participantes (Tabela 5). Essa redução está relacionada ao investimento nos atletas e na equipe de saúde (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos), que acompanharam os períodos de treinamento e competição, promovendo não apenas o tratamento de afecções, mas também orientações preventivas.

De forma geral, nas cinco competições avaliadas, dos 131 atletas participantes, 102 (77,86%) apresentaram lesão esportiva, com um total de 288 lesões (Tabela 5). O risco de lesão em atletas com deficiência visual é maior, já que apresentam um número elevado de lesões por competidor quando comparados a atletas com outras deficiências(7). Porém, este valor de referência não foi especificado para que uma comparação seja realizada com os dados encontrados.

A maior incidência de lesões esportivas em atletas com deficiência visual ocorreu nos membros inferiores (57,99%), seguidos de membros superiores, coluna, cabeça e tronco (Figura 2). Estes dados foram encontrados em outras referências(3,7,10,11).

Esse resultado pode ser explicado pelo motivo que a propriocepção em indivíduos cegos tende a ser pior que naqueles com visão parcial, afetando principalmente os membros inferiores e resultando em marcha e biomecânica anormais(4).

Uma grande variedade de regiões corporais foi afetada (Figura 3), e estruturas como músculos biarticulares (na região da coxa), articulações com maior grau de liberdade e mais instáveis (ombro e joelho) são também as com maior frequência de lesão. A modalidade esportiva também pode ser um fator determinante das regiões corporais acometidas já que cada esporte apresenta uma tática e técnica específica.

Os principais diagnósticos encontrados foram tendinopatias, contraturas e contusões. As lesões musculares e tendinosas são as mais frequentes em atletas no meio paraolímpico(12). As lesões contusas podem estar relacionadas com a deficiência visual, que deixa os atletas mais vulneráveis a colidir com outros jogadores, com barreiras na área de treinamento e competição ou com traves e outros objetos em campo(13,14).

Com relação à gravidade das lesões, encontramos que a maioria das lesões foram leves, com afastamento de zero a sete dias; lesões moderadas e graves foram menos frequentes. Estes foram os mesmos resultados encontrados em estudo anterior(15).

Com relação aos mecanismos de lesão, ocorreu um valor próximo entre lesões de acidente e sobrecarga (Tabela 2) sendo esta última a mais frequente. A lesão de sobrecarga é definida como um dano crônico ao tecido, resultado de diversos microtraumas que impedem a capacidade de recuperação do tecido(16).

Quanto menor a classificação visual do atleta, maior a sua chance de ser acometido por lesão esportiva (Tabela 1). Porém, a análise estatística (Tabela 3) revelou diferença significativa apenas entre as classes B1 e B3 (p = 0,018). Ao comparar os mecanismos das lesões por classe visual, encontrou-se diferença significativa apenas nas lesões de sobrecarga, nas quais atletas B1 lesionam mais que atletas B3, e atletas B2 mais que B3 (Tabela 4).

A capacidade de trabalho aeróbio de pessoas com deficiência visual é reduzida quando comparada com pessoas sem comprometimento visual(17,18). Com isso, atletas com deficiência visual gastam mais energia para exercer a mesma atividade, estando mais propensos a fadigar rapidamente(19) e serem acometidos por lesões de sobrecarga.

Além disso, o atleta B3 é capaz de realizar uma prévia observação do ambiente de treino ou competição (o que não é possível para o atleta B1), tornando-o mais suscetível a sofrer lesões por acidente esportivo.

Atletas do sexo feminino (83,33%) sofreram mais lesões do que atletas do sexo masculino (75,28%) (Tabela 2); porém, essa diferença não foi significativa (Tabela 3). As alterações do ciclo menstrual e o uso de anticoncepcionais têm sido relacionados como fatores desencadeadores de lesões esportivas em atletas do sexo feminino sem deficiência(20). Estudos futuros poderão verificar se existe essa relação também no esporte paraolímpico. O fato de atletas com deficiência visual do sexo masculino apresentarem melhor desempenho que atletas do sexo feminino, pode ser outro fator determinante, já que o menor desempenho desse grupo pode influenciar no surgimento de lesões esportivas.

Um estudo sobre o padrão de lesão entre atletas do sexo feminino e masculino, de 18 a 22 anos, sem deficiência, em sete modalidades, revelou não existir diferença significativa do padrão de lesão entre os dois sexos(21).

Atletas do sexo feminino são mais acometidas por lesão de sobrecarga; já os do sexo masculino, por lesões de acidente esportivo (Tabela 4). Porém, não foi encontrada diferença significativa para esses valores. Aspectos anatômicos, fisiológicos e psicológicos estão relacionados com a maior frequência de lesões por sobrecarga em atletas do sexo feminino(22). Os mesmos fatores podem estar presentes em atletas com deficiência visual.

Com o estudo foi possível concluir que os atletas com deficiência visual também estão suscetíveis a sofrer com lesões esportivas. Os membros inferiores desses atletas foram os mais acometidos, sendo coxa, joelho e ombro as regiões mais afetadas. Quanto aos diagnósticos, tendinopatia, contratura e contusão foram os mais frequentes. O sexo dos atletas não revelou ser fator determinante para o acometimento por lesão esportiva. Com relação ao grau de deficiência visual, atletas com menor capacidade visual (B1) são mais suscetíveis a lesionar em relação a atletas com melhor capacidade visual (B3). As lesões de sobrecarga acometem principalmente atletas com classe visual B1.

Espera-se que os resultados encontrados possam informar os envolvidos no esporte paraolímpico sobre os riscos lesionais, informar a equipe de saúde e assegurar atendimento adequado aos atletas e fundamentar um trabalho preventivo para reduzir a incidência de lesões esportivas nessa população.

 

REFERÊNCIAS

1. Hamer P. Disability Sport. In: Caine C, Lindner K, Caine D. Epidemiology of Sports Injuries. Illinois: Human Kinetics, 1996.         [ Links ]

2. Ferrara MS, Palutsis GR, Snouse S, Davis RW. A Longitudinal Study of Injuries to Athletes with Disabilities. Int J Sports Med 2000;21:221-4.         [ Links ]

3. Nyland J, Snouse SL, Anderson M, Kelly T, Sterling JC. Soft Tissue Injuries to USA Paralympians at the 1996 Summer Games. Arch Phys Med Rehabil 2000;81:368-73.         [ Links ]

4. Klenck C, Gebke K. Practical Management: common medical problems in disabled athletes. Clin J Sport Med 2007;17:55-60.         [ Links ]

5. Ferrara M, Peterson C. Injuries to Athletes with Disabilities: identifying injury patterns. Sports Med 2000;30:137-43.         [ Links ]

6. IBSA Medical Procedures. Disponível em: http://www.ibsa.es/docinteres/procedimientosdedepartamentomedico/ibsamedicalproceduresrevised.pdf. Acesso em: 25 de out. 2009f.         [ Links ]

7. Ferrara MS, Buckley WE, McCann BC, Limbird TJ, Powell JW, Robl R. The Injury Experience of The Competitive Athlete With a Disability. Med Sci Sports Exerc 1992;24:184-8.         [ Links ]

8. Sandoval A. Medicina do Esporte: princípios e prática. Porto Alegre: ArtMed, 2005.         [ Links ]

9. Platonov V. O Traumatismo no Desporto. In: Tratado Geral de Treinamento Desportivo. São Paulo: Phorte, 2008.         [ Links ]

10. Davis R, Ferrara M. Sports Medicine and Athlete with Disabilities. In: Depauw K, Gravon S. Disability and Sport Injuries. Illinois: Human Kinetics, 1995.         [ Links ]

11. Depauw K. Sport for Individuals with Disabilities: research opportunities. Adapt Phys Activ Q 1988;5:80-9.         [ Links ]

12. Vital R, Silva HGP, Sousa RPA, Nascimento RB, Rocha EA, Miranda HF, Maria Irany Knackfuss MI, Filho JF4. Lesões Traumato-Ortopédicas nos Atletas Paraolímpicos. Rev Bras Med Esporte 2007;13:165-8.         [ Links ]

13. Ferrara M, Davis R. Disability Sports and Medical professionals. Athletic Therapy Today, Champaign, p. 7-9, jan. 1997.         [ Links ]

14. Makris VI, Yee RD, Langefeld CD, Chappell AS, Slemenda CW. Visual Loss and Performance in Blind Athletes. Med Sci Sports Exerc 1993;25:265-9.         [ Links ]

15. Ferrara M, Buckley W. Athletes with Disabilities Injury Registry. Adapt Phys Activ Q 1996;13:50-60.         [ Links ]

16. Pecina M, Bojanic I. Overuse Injuries of The Musculoskeletal System. 2nd ed. Florida: CRC Press, 2004.         [ Links ]

17. Çolak T, Bamaç B, Aydin M,, Meriç B, Özbek A. Physical fitness levels of blind and visually impaired goalball team players. Isokinet Exerc Sci. 2004; 12:247-252.         [ Links ]

18. Longmuir, P. E.; BAR-OR, O. Factors Influencing the Physical Activity Levels of Youths with Physical and Sensory Disabilities. Adapt Phys Activ Q. 2000;17:40-53.         [ Links ]

19. Ferrara, M.; BUCKLEY, W.;PETERSON, C. Epidemiology of Sport related Injuries for Athletes with Disability. Athletic Therapy Today, Champaign, p.30-33, jan.1997.         [ Links ]

20. ZALUAK, B. et al. The Effects of the Menstrual Cycle on Anterior Knee Laxity. Sports Med. 2006; 36 (10): 847-862.         [ Links ]

21. Sallis, R. et al. Comparing Sports Injuries in Men and Women. Int J Sports Med. 2001; 22; 420-423.         [ Links ]

22. Ivković, Franić, Bojanić e Pećina. Overuse Injuries in Female Athletes. Croat Med J 2007; 48: 767-778.         [ Links ]

Autores:

Marília Passos Magno e SilvaI; Edison DuarteI; Anselmo de Athayde Costa e Silva I; Hésojy Gley Pereira Vital da SilvaII; Roberto VitalIII

IFaculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas – Campinas, SP
IIFaculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas– Campinas, SP
IIIFaculdade de Medicina, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal, RN

Faça Fisioterapia