Fisioterapia assume novo papel no judô brasileiro


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Pesquisa feita pela comissão técnica da seleção principal de judô do Brasil dá conta de que um atleta de alto rendimento passa, em média, 132 horas do ano fazendo fisioterapia. Mas está enganado quem pensa que a fisioterapia acontece apenas como parte da recuperação de traumas. Hoje, a ciência vai muito além e tem a função de diminuir a quantidade de lesões de um atleta ao longo da carreira. É a chamada fisioterapia preventiva.
 
"A fisioterapia preventiva é cada vez mais utilizada nos profissionais do esporte e, certamente, isto resultará em atletas mais preparados e com longevidade profissional. Importante que esta atuação se estenda para todas as pessoas, e não somente aos atletas. Cabe a todos envolvidos com a Fisioterapia demonstrar sua importância para toda a sociedade", afirma o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Mato Grosso do Sul (Crefito 13), Carlos Alberto Eloy Tavares.
 
Para Thiago Takara, um dos fisioterapeutas da comissão técnica da seleção, a fisioterapia pode entrar com outros elementos na preparação do atleta: “O elemento prevenção, o elemento postura, muitos outros elementos além de tratar aquela lesão pontual”, disse.
 
Também membro da equipe, o fisioterapeuta Marcus Vinicius Gomes concorda: “Hoje os atletas pedem que nós filmemos o processo preventivo que fazemos para levar para os seus clubes. Elas estão entendendo a necessidade desse tipo de atividade e o benefício que isso trará para a carreira deles, que é muito curta. Um dos benefícios que a fisioterapia preventiva traz é conseguir prolongar a vida competitiva em alta rendimento”.
 
A comissão técnica da seleção brasileira de Judô conta com dez profissionais da área. Além de Takara e Marcus Vinicius, atuam como fisioterapeutas da seleção principal Fábio Minutti, Priscila Marques, Roberta Mattar, Gláucio Paredes, Gabriel Bogalho, Camila Oliveira, Rafael Pereira e José Eduardo Arruda.
 
“Eu acho que nós temos profissionais muito competentes, cada um com uma especialidade diferente e acho que isso é bastante interessante porque um complementa o trabalho do outro, cada um tem um elemento a mais e, dependendo de cada necessidade, a gente direciona o atleta para outro profissional. Assim, a abordagem fica muito mais ampla”, disse Takara.
 
E para que a atuação dos profissionais seja completa, é necessário que os atletas conheçam a fundamentação da ciência. Por isso, durante a semana de concentração da seleção principal em São Paulo, os fisioterapeutas convocados para o treinamento tiveram a oportunidade de fazer uma explanação sobre o seu trabalho dentro da equipe.
 
“É uma possibilidade da gente mostrar a parte da ciência para os atletas. Muitas vezes, eles só veem o lado prático, mas com a palestra a gente pode apresentar a fundamentação. A gente tem explicado muito aos atletas que hoje há o profissionalismo e eles tem que se cuidar para aumentar a vida útil em alta performance. Quando percebem essa necessidade, eles passam a entender o processo, a valorizá-lo e ficam mais colaborativos”, disse Marcus Vinicius.
 
E uma das vantagens da equipe Confederação Brasileira de Judô (CBJ) é que a maioria são ex-atletas da modalidade, o que facilita o entendimento das necessidades dos atuais judocas da seleção principal. Isso ainda não é uma tônica dentro dos clubes e, por isso, a Confederação está desenvolvendo um guia com os procedimentos a serem adotados para os atletas de judô dentro de suas equipes.
 
“Nós já estamos fazendo uma série de protocolos para que todos os processos possam ser usados por todos os profissionais do judô, estamos desenvolvendo ciência dentro da CBJ”, completou Marcus Vinicius.
Fisioterapia assume novo papel no judô brasileiro Fisioterapia assume novo papel no judô brasileiro Revisado by Faça Fisioterapia on 14:03 Nota: 5