Hoje a maior parte dos atletas de elite em geral participa de treinamentos exaustivos, freqüentemente duas ou mais vezes ao dia, acarr...

Terapia do banho frio na recuperação após exercício de alta intensidade



    Hoje a maior parte dos atletas de elite em geral participa de treinamentos exaustivos, freqüentemente duas ou mais vezes ao dia, acarretando num acumulo da fadiga muscular entre o período de treinamento e as competições.
    Para superar isso é importante que os atletas mantenham um equilíbrio entre os treinamentos, as competições e a sua própria recuperação.
    A fadiga muscular é uma das inúmeras causas que afetam o desempenho dos atletas, acarretando em problemas como incapacidade de gerar força, estress físico e psicológico e segundo autores, a fadiga pode ser central ou periférica.
    Segundo Powers & Howley (2000) processo de fadiga central ocorre quando o Sistema Nervoso Central (SNC) interfere no mecanismo de fadiga, acarretando assim em uma redução da quantidade de unidades motoras envolvidas na atividade ou, por haver uma redução na freqüência de impulsos nervosos; o processo de fadiga periférica ocorre quando, além do SNC ha outros processos neurais, mecânicos ou energéticos impedem a produção de tensão muscular.
    Embora a fadiga tenha sido tema de inúmeras pesquisas, ainda não se sabe ao certo a sua origem, sua formação e suas causas exatas. (BOMPA, 2001). Mas sabe-se que uma má recuperação ou um intervalo muito curto de descanso entre os treinamentos e competições, pode resultar em reações bioquímicas e neurais que levam o atleta a fadiga, tendo como conseqüência disso a redução da capacidade do sistema neuromuscular em gerar força durante uma atividade física. (BOMPA, 2001).
    A necessidade de desempenho faz com que os profissionais da área corram em busca de novos conhecimentos para testar novos métodos, com objetivo de proporcionar uma melhora na recuperação da fadiga muscular, aprimorando cada vez mais as técnicas já existentes.
    A busca por métodos que otimizem o processo de recuperação ou, minimizem os impactos das sobrecargas de treinamento, tem conduzido os estudos mais recentes na direção de procedimentos de intervenção mais efetivos. A termoterapia de resfriamento, entendida no âmbito desta pesquisa como Terapia do Banho Frio, tem sido uma das técnicas estudadas.
    Estudos como o de Micholovitz 1996 (apud, COSTA& KOKUBUM, 2005) onde se realizou um experimento com ratos para explicar os efeitos da crioterapia na microcirculação concluindo que a crioterapia causa um aumento no diâmetro das vênulas permitindo assim uma maior absorção fluídica diminuindo o processo de formação de edemas.
    Essa terapia do Banho Frio consiste em o atleta ficar com o membro inferior de seu corpo submerso em um turbilhão de água por certo tempo, que pode ir de 5 a 30 minutos, estando esta com uma temperatura baixa de no mínimo 6ºC e máximo de 10ºC.
    Neste sentido, o intuito do estudo foi analisar se a melhora na recuperação da fadiga muscular em pequenos intervalos de tempo, após alta intensidade de treinamento, tende a contribuir no melhor desempenho dos atletas durantes as competições.
    Pensando neste pressuposto é que se buscou aplicar a terapia do banho frio em indivíduos treinados com uma boa aptidão física, residentes em de São Miguel do Oeste/SC, cuja idade foi de 17 a 21 anos.
    A aplicação dessa terapia nessa determinada faixa etária, se da devido às competições e eventos que ocorrem no estado de Santa Catarina tanto no âmbito do alto rendimento quanto no âmbito amador, que enfocam principalmente atletas dessa determinada faixa etária.
    Assim o estudo teve como objetivo os seguintes pontos:
  • Verificar o comportamento dos níveis de LaS com e sem a utilização da terapia do Banho Frio após treinamento.
  • Comparar o comportamento das variáveis LaS, PA e FC com e sem a utilização da terapia do Banho Frio em indivíduos treinados.
  • Analisar a percepção subjetiva de fadiga pós-esforço e 24 horas após o treinamento.
Revisão de literatura
    Atualmente várias são as técnicas disponíveis para a recuperação da fadiga, entender como usá-las e como agem no organismo humano e crucial para desenvolver um bom treinamento.
    Para Gayton (1986) a fadiga muscular resulta da incapacidade dos processos contráteis e metabólicos da fibra muscular em manter o mesmo funcionamento de forma continua, ou seja, o músculo recebe impulsos nervosos através de suas junções neuromusculares, porem sua capacidade de contração se torna cada vez menor devido à redução na produção de ATP na fibra muscular.
    Weineck (1993, apud DANTAS, 1995) relata que a fadiga muscular se da pela redução reversível da capacidade de desempenho físico, mas que, no entanto ainda a possibilita uma continuação da carga, embora com um gasto maior de energia e com a coordenação dos movimentos prejudicados.
    E o mesmo autor prossegue ao falar que a fadiga é um meio de proteção, pois esta impede a utilização da “energia de reserva” impedindo um esgotamento de energia do organismo evitando um perigo vital.
    Segundo Wilmore & Costil (2001) normalmente, utiliza-se o termo fadiga para descrever as sensações gerais de cansaço e concomitantemente redução do desempenho muscular proveniente da falência do sistema energético, do acumulo de subprodutos metabólicos, do sistema nervoso central e da falha do mecanismo contrátil das fibras musculares.
    Em termos gerais a fadiga é um processo agudo que interfere na produção de energia e desempenho do atleta, podendo ela à fadiga ser desencadeada por inúmeros fatores centrais e periféricos, que compreendem variáveis como nível de condicionamento físico até depletação de substratos metabólicos.
    Para Farinatti (2000) as causas da fadiga central incluiriam, deficiências na condução do estímulo nervoso pela medula, e o recrutamento dos motoneurônios. Embora a fadiga supostamente originou-se nos músculos, o Sistema Nervoso Central (SNC) exerce papel fundamental, uma vez que o SNC influencia em fatores psicológicos e físicos que afetam a fadiga.
    Segundo Wilmore & Costil (2001) o SNC pode causar fadiga talvez como um mecanismo de proteção. A fadiga precedida geralmente antecede a fadiga fisiológica e os atletas que se sentem exaustos normalmente podem ser estimulados psicologicamente para continuar.
    Um exemplo disso segundo Bompa (2001) é que o músculo esquelético produz força pela ativação de suas unidades motoras, sendo estas capazes de neutralizar a fadiga muscular até um determinado ponto, tendo como resultado, um maior período de desenvolvimento de força sob certo estado de fadiga, entretanto com o prolongamento do tempo de contração a freqüência com que as unidades motoras são acionadas diminui, mostrando que a fadiga se faz presente.
    Weineck (1999,) relata que a possível causa para isto é a concentração de esforços sobre um numero reduzido de fibras musculares, acarretando em um estresse agudo gerado pela tensão em demasia na fibra muscular e carência de nutriente, ocorrendo assim além de uma fadiga central uma fadiga periférica.
    Para Farinatti (2000) uma perspectiva periférica dos elementos da fadiga muscular, é aqueles que ocorrem apartir do momento que os estímulos nervosos chegam à junção neuromuscular.
    Segundo Foss & Keteyian (2000) existem algumas evidências tanto a favor quanto contra de que a fadiga é causada por uma falha na junção neuromuscular, para o autor a fadiga ocorre por uma incapacidade da junção neuromuscular em retransmitir os impulsos nervosos para as fibras musculares devido, a uma menor liberação de um componente químico a acetilcolamina por parte das terminações nervosas.
Segundo Fox (1989 apud BOMPA, 2001) outro fator que leva a uma possível fadiga periférica é o acumulo de acido lático no músculo devido à depletação do ATP, diminuindo a capacidade do músculo contrair-se em grau máximo.
    Para Wilmore &l Costil (2000) o acido lático é um subproduto da glicose e do ATP, que se acumula na fibra muscular após atividades de alta intensidade. Se não eliminado do músculo, o acido lático se dissocia transformando-se em lactato causando um acumulo de íons de hidrogênio, esse acumulo de H+ produz acidificação muscular resultando numa condição conhecida como acidose.
    Dantas (1998) relata que alem do acumulo de acido lático, a fadiga se da também devido à diminuição da concentração de potássio no liquido intracelular e a ineficiência dos sistemas de produção de energia.
    Para Sahlin (1986 apud BOMPA, 2001) quando a creatina fosfato do músculo que esta contraindo entra em falência ou o glicogênio muscular é todo consumido e ainda quando a reserva de carboidrato é esgotada. O resultado final desse processo é uma menor atividade de contração muscular propiciando a fadiga.
    Embora a fadiga muscular ocorra por conseqüência de inúmeros fatores a capacidade do atleta suporta - lá pode ser alterado, em função do estado de treinamento e a recuperação após este, assim a carga de treinamento e o tempo de recuperação devem sempre estar relacionados. (WEINECK 1999).
    Como já mencionado a recuperação é muito importante, por isso os métodos e técnicas de recuperação a ser aplicados devem estar baseados principalmente no que foi trabalhado durante o treinamento, sendo que o tempo de duração pode variar de acordo com a atividade que foi praticada.
    Atualmente a uma preocupação referente ao treinamento de atletas de elite, em como reduzir os efeitos fisiológicos e psicológicos negativos ao treinamento de alta intensidade, possibilitando aos atletas treinar dia após dia em seus níveis máximos de esforço. (WILMORE & COSTIL 2001).
    A terapia utilizada no estudo é uma aplicação terapêutica que poder ser utilizada em qualquer parte do corpo, causando uma redução na temperatura corporal.
Técnica do banho frio
    A técnica do Banho Frio é uma aplicação terapêutica que pode ser utilizada em qualquer parte do corpo, resultando numa retirada do calor corporal.
    A técnica do Banho Frio, também conhecida como Crioterapia é uma terapia aplicada intensamente na Medicina Esportiva dos países de primeiro mundo, e começa a ganhar espaço no Brasil.
    O Banho Frio é uma terapia utilizada para cobri o segmento corporal utilizando água misturada com gelo. Podemos utilizar essa técnica em extremidades como: cotovelo; antebraço; mão, tornozelo e também grandes áreas do corpo como o membro inferior.
    Em geral a técnica do Banho frio, dura em torno de 5min a 30min, é uma das técnicas mais utilizadas na atualidade, alem de ser uma técnica de baixo custo e fácil manuseio.
    Apesar de ainda ser motivo de muita discussão as técnicas que utilizam a crioterapia vem se expandindo e sendo aplicado de várias maneiras, sempre com o objetivo de auxiliar na recuperação pós treino.
    Para Baroni et al (2010) O efeito inicial da crioterapia se constitui na redução da temperatura. Com a imersão de grandes áreas corporais, esta diminuição é observada não só em nível local, mas também da temperatura corporal sistêmica. Também devido à aplicação de baixas temperaturas, ocorre a diminuição do metabolismo por uma reação do organismo em diminuir a demanda energética e de oxigênio do local, assim a principal efeito da crioterapia sobre a circulação é a vaso constrição, promovendo assim também uma sensação analgésica de vido a baixa excitabilidade das células nervosas de dor em baixas temperaturas, liberação de endorfina e inibição dos nervos espinhais.
    Além disso, as outras sensações que podem estar relacionados à crioterapia são diminuição do espasmo muscular e edema.
Caracterização da pesquisa
    Este estudo caracteriza-se como experimental. Para Gil (2001) a pesquisa de cunho experimental, parte de uma investigação empírica que objetiva o teste de hipóteses sobre o determinado assunto pesquisado, onde deve se selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciar no estudo, e definir as formas de controle e de observação do efeito destas sobre a pesquisa.
População / amostra
    A população foi selecionada de intencional e constituída por 07 indivíduos treinados do gênero masculino com idades de 17 a 21 anos residentes em São Miguel do Oeste – SC, cujas características são apresentadas na tabela abaixo:
Instrumentos de coletas de dados
    Para a coleta dos dados foi utilizados os seguintes instrumentos:
  • Ficha de coleta de dados
  • Lactímetro
  • Esfigmomanômetro
  • Estetoscópio
  • Sensor de Freqüência Cardíaca
  • Estadiômetro
  • Balança
Protocolos de coleta de dados
    O protocolo utilizado no estudo foi um protocolo de exaustão, sendo este realizado em forma de circuito com duas séries de 10 minutos intercalado por um intervalo de 5 minutos de repouso passivo.
    A coleta de dados foi realizada em dois momentos distintos com um intervalo de cinco dias, entre a primeira e a segunda avaliação. Foi realizado dois teste que se repetiram em cada etapa do projeto, onde a condição manipulada foi à recuperação imediata após esforço no protocolo intermitente de velocidade.
    As duas avaliações foram realizadas sob as mesmas condições:
  • Nos dois dias que antecediam cada etapa da avaliação os sujeitos não realizaram nenhum tipo de exercício físico com intensidade moderada ou forte.
  • As coletas foram realizadas no período da tarde e a refeição que antecedeu a cada avaliação foi realizada, no mínimo, 2h e 30 min. e no máximo, 3 horas antes dos testes.
  • Cada sujeito realizou dois testes; o primeiro foi um protocolo intermitente de velocidade, e o segundo um teste de quarenta segundos, em uma pista de 162 metros.
  • A coleta de dados foi realizada nas condições de repouso, exercício e recuperação nos dois testes descritos anteriormente, e foram avaliados durante estes a FC, PA e a concentração de lactato sanguíneo como mostra a Tabela 0.2 abaixo:
Protocolo de exaustão
    Protocolo de exaustão foi em forma de circuito com duas séries de 10 minutos para que o atleta atingisse seu ponto máximo de exaustão. Entre as séries dos exercícios utilizou-se um tempo de recuperação com duração de 5 minutos.
    O circuito de exaustão foi constituído de exercícios de deslocamentos curtos com variação de direção e executados em velocidade máxima.
    Durante a execução da pesquisa, houve dois grupos que realizaram o protocolo de teste; após a execução deste um dos grupos fez sua recuperação utilizando a técnica do Banho Frio e o outro grupo fez sua recuperação de forma passiva, descansando somente. Antes do inicio do teste foi coletado amostra de sangue em repouso de cada um dos participantes, e após o teste foi dado um intervalo de recuperação de 6 minutos e durante este, foi coletado amostra de lactato sanguíneo a cada 2 minutos e monitorado a freqüência cardíaco e a pressão arterial a cada 2 minutos também dos dois grupos, após se passar os 6 minutos as coletas de lactato sanguíneo e monitoramento FC e da PA foram analisadas aos 10 minutos, tendo uma duração total do teste de 35 minutos.
    No dia seguinte os mesmos indivíduos foram submetidos a um teste de quarenta segundos para avaliar seu desempenho após terem feito o teste de exaustão. Durante o teste de quarenta segundo foi coletados amostras de FC, PA, LaS em repouso, no término dos quarenta segundos e 2º, 4º 6º minutos após termino do teste.
    Passando uma semana, o protocolo foi realizado por todos os atletas novamente, mantendo o mesmo procedimento das coletas anteriores.
    A terapia utilizada consistia em os atletas mergulhar seu membro inferior em um turbilhão de água com gelo a uma temperatura de aproximadamente 6C° a 10Cº, onde permaneceram imersos por 6 minutos.
Protocolo de recuperação
    Para avaliar a influência da terapia do banho frio sobre a recuperação e desempenho dos indivíduos foi utilizado um protocolo de recuperação durante e após o treinamento de velocidade intermitente.
Durante o protocolo de recuperação eram feitas coletas de PA, FC, LA, no término do treinamento de velocidade intermitente como mostra a Tabela 0.3 abaixo:
Testes dos 40 segundos
    No dia seguinte da execução do treinamento de velocidade, foi aplicado aos indivíduos que realizaram o treinamento, um teste de quarenta segundos em uma pista de 162 metros para avaliar seu desempenho vinte e quatro horas após esforço físico, sendo coletado também no término do teste amostrar de PA, FC, LA como mostra a Tabela 0.4 abaixo:
Coleta de lactato sanguíneo
    O procedimento de coleta das amostras de lactato sanguíneo foi igual para todos os sujeitos.
    O protocolo de testagem compreendeu o registro de lactato sanguíneo em repouso de cada sujeito e após o período de teste.
    A medida do lactato é, foi feita através de punção, realizada no lóbulo direito da orelha do participante onde se retirou uma pequena amostra de sangue arterializado para análise dos dados.
    O protocolo de testagem compreende o registro de lactato em repouso (inferior a 2mmol/l). Quando se submete o avaliado a um esforço com aumento gradual da intensidade e interrupção para a dosagem da quantidade de lactato em cada estágio, estabelece-se a curva intensidade que poderá estar correlacionada com a FC e a PA no trabalho empregado.
Mensuração da pressão arterial
    Durante o protocolo de teste a mensuração da PA foi feita, primeiro em repouso em um período não inferior a 5 minutos e logo após o teste no período de recuperação.
    Durante a mensuração da PA o individuo manteve seu braço na altura do coração, livre de roupas, com a palma da mão voltada para cima e cotovelo ligeiramente fletido.
Mensuração da freqüência cardíaca
    Para o monitoramento da FC, o indivíduo fez uso de um frequêncimetro a fim de registrar os valores da FC de repouso e após o teste.
Tecníca de análise dos dados
    Para a análise dos dados foi utilizado o seguinte procedimento estatístico:
  • Estatística descritiva
  • Teste “t” de Student
  • Análise de Variância
  • Correlação de Pearson
Análise e discussão dos resultados
    O estudo teve como objetivo analisar a influência da Terapia do Banho Frio na recuperação, analisando as variáveis de Lactato Sanguíneo, Freqüência Cardíaca e Pressão Arterial, em indivíduos treinados com idade entre 17 e 21 anos residentes em São Miguel do Oeste - SC
    Na Tabela 5 são apresentados os dados de LaS, FC, PAS e PAD no repouso e ao final dos dois períodos de 10 min do protocolo de exaustão.
    Como pode ser observado, exceto para a PAD que se manteve estável durante todo o protocolo as demais variáveis apresentaram alterações estatisticamente significantes (p<0,001), do repouso para o exercício. Esse comportamento em relação a FC e a PAS são resultantes do amento no débito cardíaco como demanda do exercício.(FOSS & KETEYIAN, 2000). Já o aumento nas concentrações de LaS, são conseqüências do aumento da utilização da via glicolítica para suprir as demandas do exercício.
    Quando se analisa o comportamento das variáveis LaS, PAS e PAD ao final do 2º turno de 10 min do protocolo de exaustão somente o LaS apresentou uma variação significativa (p<0,001), em relação ao final do primeiro turno. A redução nas concentrações de LaS, segundo Rossi & Tirapegue (apud SNYDER 1998) se dá devido a depletação do glicogênio muscular, onde ocorre uma deficiência na produção glicolíticade energia que pode afetar a contraçãomuscular levando a fadiga.
    O gráfico 1 mostra o comportamento do Lactato Sanguíneo no período de recuperação com e sem a utilização da terapia do Banho Frio.
Gráfico 1. Variação do lactato sanguíneo (LaS/mmol/mg) durante o período de recuperação com e sem a terapia do banho frio
    O teste “t” não evidenciou uma diferença estatisticamente significantes para (p< 0,005) o LaS nas diferentes momentos de coleta com e sem o uso da terapia do banho frio.
    Segundo Foss & Keteyian (2000), a recuperação do lactato pós-esforço depende da intensidade do exercício. Neste aspecto, pode se observar que a Terapia do Banho Frio não promoveu diferença na recuperação do lactato sanguíneo em relação a recuperação passiva (sem imersão).
    O gráfico 2 nos mostra o comportamento da FC no período de recuperação com e sem a utilização da terapia do Banho Frio. Conforme pode-se observar à FC a Terapia do Banho Frio não produziu diferenças estatisticamente significantes em relação à recuperação passiva (sem imersão).
    Cabe salientar porem, que durante a recuperação com a Terapia do Banho Frio os valores da FC foram mais elevados em relação aos da recuperação passiva. Este fato pode ser explicado por Mcardle, Katch & Katch (1998), onde os autores relatam que em baixas temperaturas ocorre uma vasoconstrição periférica, que desvia o sangue da superfície da pele para áreas mais centrais; essa vasoconstrição do músculo aumenta o fluxo sanguíneo que conseqüentemente faz aumentar a FC a fim de conservar o calor interno do corpo.
Gráfico 2. Variação da Freqüência Cardíaca (Bpm) durante o período de recuperação com e sem a utilização da terapia do banho frio
    O gráfico 3 mostra a variação PAS e PAD no período de recuperação com e sem a utilização da terapia do Banho Frio.
Gráfico 3. Variação da Pressão Arterial Sistólica (PAS em mmHg) e Pressão Arterial Diastólica (PAD em mmHg) durante o período de recuperação com e sem a terapia do banho frio
    Através do gráfico podemos observar que tanto a PAS quanto a PAD imediatamente após o término do protocolo de exaustão atingem seu pico e depois diminuem de maneira semelhante durante todo o período de recuperação em ambos os protocolos.
    Essa redução gradativa da Pressão Arterial se da porque a um maior fluxo de sangue durante o pico do exercício, acarretando um aumento da Pressão arterial, em seguida a medida que a intensidade do exercício diminui a Pressão Arterial se estabiliza e começa a ter um declínio devido a diminuição da resistência periférica total havendo uma diminuição no fluxo sanguíneo e no debíto cardíaco. McARDLE, KATCH & KATCH (1998).
    A tabela 06 mostra a média e o desvio padrão do pico de lactato e da freqüência cardíaca no teste de quarenta segundos realizado 24 horas após o protocolo de exaustão.
    Como podemos observar as variáveis de lactato e freqüência cardíaca não apresentam diferenças significativas que possam interferir na distância percorrida em ambos os protocolos, pois seus valores respectivos são muito próximos.
    Mas se analisarmos somente à distância percorrida nos dois protocolos notaremos que à uma diferença estatística significativa com relação a distância (p<0,005). Quem fez sua recuperação no dia anterior com a terapia do banho frio teve um melhor rendimento no dia seguinte.
    Sabendo que a análise da concentração de lactato e um parâmetro confiável para avaliar a fadiga muscular e observarmos que em ambos os protocolos as concentrações de LA forma muito próximas não tendo diferença significativas entre ambos , deduzimos que a outros mecanismos que podam interferir no desempenho de atletas 24 horas após treinamento intenso.
Considerações finais
    Em relação aos objetivos propostos para a analise dos resultados podemos considerar que:
  • Não houve diferença significativa na redução da concentração de lactato sanguíneo entre os protocolos com e sem a terapia do banho frio.
  • Não teve diferença significativa nas variáveis de freqüência cardíaca e pressão arterial em ambos os protocolos com e sem a terapia do banho frio.
  • Vinte quatro horas após o protocolo de exaustão, no teste dos quarenta segundo houve diferença significativa na distância percorrida pelos atletas. O melhor desempenho se deu aos atletas que no dia anterior fizeram uso da Terapia do Banho Frio no período de recuperação.
  • Média da distância percorrida com a terapia, x 281,3, ±S 14,6, sem a terapia, x 270,4, ±S 18,4 .
  • O estudo mostro que em relação as variáveis análisadas a terapia do banho frio não se mostrou eficiente na redução variaveis no período de recuperação, mas que 24 horas após a aplicação da tecnicas os atletas respondiam melhor a teste de esforço, fazendo com que tivessemos algumas indagações referentes ao processo de recuperação das microlesões nas miofibrilas.
  • Será que devido a baixa temperatura da água utilizada na terapia do banho frio não gera uma vasoconstrição dos pequenos vasos capilares, gerando assim uma menor produção de edema muscular, minimizando assim os impactos do treinamento e estimulando o processo de recuperação da fibra muscular diminuindo a sensação de dor.
  • Devido a complexidade das variáveis analisadas, e a grande quantidade de técnicas de recuperação pós treino que surgem a todo momento, ve-se a necessidade de se aprofunção esse tema nos proxímos estudos para que possamos ter apontamentos mais conclusivos.
Referências
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  • BARONI et. al - Efeito da Crioterapia de Imersão Sobre a Remoção do Lactato Sanguíneo Após Exercício. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desenvolvimento Humano. 2010, 12(3): 179- 185.
  • BOMPA Tudor. O – Periodização: Teoria e Metodologia ao Treinamento, São Paulo: Phorte Editora 1º Edição, 2001.
  • BOMPA Tudor. O – Periodização do Treinamento Esportivo, São Paulo: Editora Manole 1º Edição, 2002.
  • DANTAS Estélio H.M – A pratica da Preparação Física, Rio de Janeiro: Editora Shape 4º Edição, 1998.
  • FARINATTI Paulo de Tarso V; MONTEIRO Walace. D – Fisiologia e Avaliação Funcional, Rio de Janeiro: Editora Sprit 4º Edição, 2000.
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  • GIL Antônio. C – Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo, editora Atlas 3º edição, 1991.
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Bem, antes de mais nada gostaria de agradecer ao Dr. Rogério Teixeira da Silva (www.medsports.com.br), médico ortopedista, coordenador do c...

Tênis: a relação entre o tipo de piso e a incidência de lesões


Bem, antes de mais nada gostaria de agradecer ao Dr. Rogério Teixeira da Silva (www.medsports.com.br), médico ortopedista, coordenador do comitê médico da Confederação Brasileira de Tênis, pela colaboração com idéias e informações fundamentais para o meu aprofundamento teórico no tênis. Um outro agradecimento a ser feito é ao idealizador do Fitvirtual, Marcio Atalla, que me incentivou a iniciar a prática deste esporte apaixonante. A primeira coisa que se pensa quando associamos tênis e fisioterapia é o lugar comum “tennis elbow”, também conhecido com epicondilite lateral do cotovelo, porém resolvi falar disso apenas na próxima coluna quando abordaremos o assunto raquetes e técnica, que têm interferência fundamental nesta patologia. Quem quiser se adiantar poderá ler na coluna medicina desportiva uma visão médica sobre o assunto. Existem vários tipos de piso para prática do tênis e eles são divididos classicamente em três: Grama, Quadra dura (Existem muitos tipos de piso que se enquadram na classificação quadra dura, tipo o Lisonda, o cimento e o carpete, entre outros) e Saibro; Essa diferença entre os tipos de piso determina ao tênis uma particularidade em relação a quase todos os outros esportes, um jogador profissional ou não, está sempre alternando de piso, vide os quatro torneios do “Grand Slam”, eles são jogados em tipos diferentes de piso, Austrália e US Open - quadra dura, Wimbledon – grama e Roland Garros – saibro. As grandes diferenças entre os pisos estão no quique da bola e na possibilidade ou não de deslizamento lateral. Na grama a bola sobe muito pouco e normalmente ganha uma aceleração importante após o quique, por conta disso o jogo tende a ganhar em agressividade no saque e na devolução, pois estes movimentos serão decisivos nas conclusões dos pontos, além disso, a grama não permite o deslizamento, vários atletas profissionais têm reclamado muito com seus patrocinadores dos solados de seus calçados de grama, pois eles estão agarrando demais; No saibro o quique da bola é mais alto, o que permite uma preparação relativamente longa para os golpes, mais trocas de bola no fundo de quadra associada a muitos deslocamentos laterais com deslizamento são necessárias para as decisões dos pontos, são duas formas distintas de se jogar tênis, tanto tática como fisicamente. A quadra dura apresenta uma combinação entre os outros dois tipos de piso, o quique é intermediário e o estilo saque-voleio muito utilizado para a definição dos pontos como na grama, porém ultimamente tem se observado de forma muito freqüente “rallies” de fundo de quadra como no saibro. Num trabalho publicado no periódico Medicine and Science in Tennis por Per Bastholt, um dos 5 fisioterapeutas que supervisionam os torneios da ATP, onde foram apresentados resultados de uma pesquisa realizada ao longo de três anos, onde os atendimentos médicos/fisioterapêuticos em torneios da ATP foram catalogados nos três diferentes tipos de piso. Em relação a área corporal as lesões de membro inferior foram as mais freqüentes 35-50%, seguidas da região da coluna 20%, membro superior 20% e outras áreas entre 15-30%. Em relação ao tipo de piso, levando-se em conta apenas atendimentos para o membro inferior, na grama e na quadra dura, quase 2 atendimentos médicos foram realizados para cada 5 jogos, sendo que apenas a metade foram realizados nos torneios em saibro, ou seja, 1 atendimento para cada 5 jogos. Porém, como vi num simpósio realizado no dia que antecedeu a Copa Davis aqui no Rio, a relação se inverte quando levamos em conta a coluna e os membros superiores, ou seja, no saibro a necessidade dos atendimentos é maior do que na quadra dura e do que na grama, respectivamente. E para que servem essas informações? Bem, com elas podemos tanto ajudar a prevenir lesões, como podemos acelerar o retorno do atleta (profissional, amador competitivo ou amador recreacional) a sua atividade esportiva. Sabendo da maior incidência de lesões no membro inferior em quadras duras, principalmente devido a uma alta intensidade nas freadas, acelerações, desacelerações e giros sobre uma superfície que não permite o deslizamento lateral, devemos realizar um bom aquecimento antes da partida e também enfatizar os alongamentos para o membro inferior antes e depois da partida, minimizando a possibilidade do aparecimento das diversas tendinites e tendinoses que perseguem os tenistas, além disso a utilização de “braces” de tornozelo podem estar indicadas para evitar as entorses. Já no saibro, onde a troca de bola demora mais tempo e há uma necessidade maior dos movimentos de torção do tronco para acelerar a bola, devemos enfatizar, além de um bom aquecimento, o alongamento da musculatura do tronco e dos membros superiores. Podemos colocar um atleta que se encontra em tratamento mais cedo da seguinte forma, se ele tem lesão dos membros inferiores, indicamos uns retornos no saibro onde as freadas são menos intensas e menos freqüentes, se o paciente tem lesão na coluna ou nos membros superiores, podemos indicar um retorno numa quadra dura, pois os pontos duram menos e o estresse nas estruturas em recuperação seria menor. É lógico que estamos apresentando linhas gerais, cada paciente deve ser avaliado e tratado de forma individualizada, onde o que é verdade para um pode não ser para o outro, uma dica que podemos generalizar é: Se você quer iniciar a pratica do tênis, primeiro prepare-se fisicamente, a grande incidência de lesões musculares e tendinosas dos atletas recreacionais ocorre devido à falta de condicionamento físico e de um bom alongamento muscular, e segundo, faça com um professor habilitado, ele será capaz de orienta-lo tecnicamente de forma a evitar várias lesões freqüentes relacionadas a técnica inadequada.

A imagem que se tem da fisioterapia aplicada à atividade física e ao esporte, é pura e simplesmente de reabilitar lesões sofridas em prátic...

Reabilitação acelerada: será que vale a pena?


A imagem que se tem da fisioterapia aplicada à atividade física e ao esporte, é pura e simplesmente de reabilitar lesões sofridas em práticas relacionadas a atividade física ou esportiva; e reabilitar o mais rápido possível, ou seja, quanto mais rápido o atleta voltar à atividade, melhor o profissional que o reabilitou. Porém, esta relação da curta duração do tratamento com a qualidade do profissional não é verdadeira, e muito menos se resume apenas ao tratamento de uma lesão. Atualmente, podemos afirmar que em relação ao esporte de alto nível, quanto menos se trabalha durante uma temporada, e quando digo trabalho, digo em relação à reabilitação de lesões, melhor o trabalho desenvolvido na pré-temporada e, aí sim, melhor é o profissional. Desde 1972, a American Orthopaedic Society for Sports Medicine, dentre outras instituições, vem desenvolvendo pesquisas e grandes avanços foram alcançados. Os cirurgiões têm melhorado suas intervenções cirúrgicas e os fisioterapeutas seus programas de reabilitação, possibilitando a esses profissionais especializados o tratamento de lesões graves, que em outra circunstância, terminaria com a carreira de um atleta. Num cada vez mais curto espaço de tempo, estes profissionais estão promovendo o retorno do atleta à atividade física ou esportiva. O rótulo reabilitação acelerada tem sido muito explorado pela mídia. Os programas de reabilitação realizados em atletas famosos, objetivando o retorno relâmpago, já foram transmitidos em cadeia nacional, principalmente, aqueles que envolvem investimentos astronômicos de patrocinadores. Além disso, ainda temos alguns dirigentes que dependem de resultado para se autopromover, temos atletas que dependem de estar em atividade para receber e, ainda temos, o que é pior, o profissional da área da saúde que vê na lesão do atleta uma oportunidade de aparecer. Com toda essa informação, o atleta recreacional que tem na atividade física sua válvula de escape, seu ponto de equilíbrio, já chega no nosso consultório perguntando "Quando volto pra minha pelada?", "Já posso correr?" ou então "Quando é minha alta doutor?" e temos que explicar que para um bom resultado terapêutico nós não temos que lutar contra o tempo, mas sim usá-lo como aliado em todo o processo. Toda lesão precisa ser avaliada com muito cuidado, principalmente por que ela não está ali isolada, há um indivíduo, um jogador de futebol ou um executivo, um corredor ou uma bailarina que estão sofrendo por não estarem praticando sua atividade de trabalho ou de lazer, ou então, por não estarem conseguindo desenvolvê-la plenamente. E então? Vamos lá trabalhar em três períodos, todo dia, pra acelerar o processo, ou trabalhar conservadoramente? Como já disse todo o paciente deve ser avaliado cuidadosamente. O fisioterapeuta que trabalha no esporte tem que sempre estar pensando em preservar e estimular a saúde do atleta, e deverá sempre perceber as interferências naturais ou patológicas da atividade física ou do desporto na gênese de uma disfunção ou de uma lesão, ou seja, para um mesmo problema, ou para um mesmo sintoma, podem ser prescritos tratamentos diferentes com o mesmo objetivo final. A meu ver, o grande problema do boom da reabilitação acelerada é a utilização indiscriminada de protocolos de tratamento de fulano ou beltrano, que antevêem os resultados no tempo e determinam a evolução do tratamento baseado nisso. Isto pode ser ao mesmo tempo um fator de aceleração indevida no processo terapêutico para uns, e um fator de atraso neste mesmo processo para outros. Vejam bem, quem sou eu para questionar o mérito de fulano ou beltrano, muito pelo contrário, é extremamente interessante que se conheça os protocolos, para que possamos alterá-los de forma a adequar o trabalho de reabilitação a cada paciente, a cada atividade e a cada esporte e, aí sim, acelerar o processo de reabilitação. Só que o processo não para por aí, o atleta que volta as atividades precocemente, precisa de contínua atenção para a perpetuação dos resultados terapêuticos, o que poderíamos chamar de reabilitação continuada.

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