No Brasil, o esporte paraolímpico teve um crescimento nos últimos anos, principalmente após os Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 20...

Aspectos das lesões esportivas em atletas com deficiência visual



No Brasil, o esporte paraolímpico teve um crescimento nos últimos anos, principalmente após os Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 2004. A divulgação pela mídia fez com que um maior número de pessoas com deficiência procurasse o esporte como forma de atividade física recreacional ou competitiva. Sendo assim, o aumento do número de atletas com deficiência praticantes de atividade física também gerou um crescimento no número de lesões esportivas decorrentes de sua prática.

Estudos epidemiológicos sobre lesões em atletas com deficiência são importantes para informar aos atletas e treinadores os riscos lesionais do esporte, prover informações para a equipe de saúde, assegurar atendimento adequado e dar base para a realização de um trabalho preventivo para reduzir a incidência de lesões esportivas nessa população(1).

Alguns estudos na área de lesão esportiva em atletas com deficiência já foram publicados(2-4), porém a maioria apresenta metodologia que agrega dados de diferentes deficiências e modalidades esportivas, tornando a amostra heterogênea e inespecífica(5).

A especificação desses dados, de acordo com o grupo de atletas com deficiência e modalidade praticada, pode informar a respeito das lesões esportivas que acometem uma modalidade ou um grupo de atletas com deficiência, auxiliando na aplicação de estratégias preventivas específicas. Diante desses fatos, esta pesquisa apresenta as lesões esportivas que acometem apenas atletas com deficiência visual.

Para competir, o atleta com deficiência visual passa por um processo de classificação visual composta de três categorias: B1 – cegos totais (podem ter percepção luminosa, mas são incapazes de reconhecer a forma de uma mão a qualquer distância em qualquer direção); B2 – deficientes visuais (reconhecem a forma de uma mão, sua percepção visual não ultrapassa 2/60 e seu campo de visão alcança um ângulo inferior a cinco graus); e B3 – deficientes visuais com maior visão (a percepção visual se situa entre 2/60 metros e 6/60 metros e seu campo visual alcança um ângulo entre cinco e 20 graus)(6).

Este estudo teve como objetivo principal analisar a frequência das lesões esportivas em atletas com deficiência visual, além de identificar as áreas corporais mais lesionadas, o mecanismo das lesões esportivas, as principais lesões esportivas que acometem os atletas com deficiência visual e verificar se o grau de deficiência visual apresenta relação com a incidência de lesões esportivas.

 

MÉTODOS

O projeto de pesquisa foi submetido para avaliação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Unicamp, com protocolo nº 340/2007, sendo aprovado em junho de 2007.

 

SUJEITOS

Participaram da pesquisa atletas de elite, de ambos os sexos, com deficiência visual, convocados para representar a delegação brasileira em competições internacionais, no decorrer dos anos de 2004 a 2008, nas modalidades de: atletismo, futebol de 5, goalball, judô e natação. Foram excluídos do estudo atletas com lesões não ocasionadas durante a prática esportiva e os atletas cujos dados estavam incompletos na ficha de avaliação. As lesões recidivas foram contabilizadas apenas uma vez, mesmo ocorrendo em competições seguintes.

Todos os atletas receberam a classificação visual de acordo com as regras internacionais, propostas pela IBSA (B1, B2 e B3), realizada pelos médicos representantes da federação (IBSA) nos eventos espor tivos realizados.

Os atletas foram informados sobre os benefícios e riscos da participação como voluntários no estudo, de acordo com os critérios propostos para pesquisas com humanos, como exemplificado no modelo do termo de consentimento. As referidas instituições organizadoras dos eventos esportivos foram informadas e autorizaram a realização do estudo.

Local de pesquisa

A pesquisa foi baseada na coleta de dados de competições internacionais de 2004 a 2008, sendo as seguintes: Jogos Paraolímpicos de 2004, Atenas (GRE); Jogos Pan-Americanos IBSA 2005, em São Paulo (SP); Jogos Mundiais IBSA 2007, em São Paulo (SP); Jogos Pan-Americanos 2007, Rio de Janeiro (RJ); Jogos Paraolímpicos de 2008, em Pequim (CHI).

Descrição do instrumento

Os dados foram coletados a partir de modelo utilizado pela coordenação médica do Comitê Paraolímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Desporto para Cegos, composto dos seguintes dados: nome, modalidade, idade, classificação visual (B1, B2, B3), local de lesão e diagnóstico da lesão.

Definição de termos

No presente estudo foi definida como lesão esportiva qualquer lesão que ocorra com o atleta durante prática, treinamento ou competição que cause a interrupção, limitação ou modificação de sua participação por um dia ou mais(7).

Para padronização quanto à localização das lesões, a pesquisadora considerou cinco segmentos corporais, com suas regiões específicas:

Cabeça: cabeça, face e pescoço.

Membro superior: cintura escapular, ombro, braço, cotovelo, antebraço, punho, mão e dedos.

Membro inferior: cintura pélvica, pube, quadril, glúteo, coxa, joelho, perna, tornozelo, pé e dedos.

Coluna: cervical, torácica e lombar.

Tronco: tórax e abdome.

Com relação ao mecanismo da lesão foi utilizada a denominação de lesão de sobrecarga e lesão de acidente esportivo tendo a seguinte definição(8):

A lesão de sobrecarga é caracterizada por microtraumas de repetição, resultantes da dosagem de cargas físicas de repetição com uma recuperação inadequada do sistema musculoesquelético.

A lesão por acidente esportivo ocorre de forma única, aguda, resultando em um impacto ou macrotrauma.

 

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados coletados foram transformados em algarismos e tabulados no programa Microsoft Excel 2007®. Utilizou-se a estatística descritiva para calcular a frequência total e relativa dos dados coletados. A normalidade dos dados foi avaliada por meio do teste de Shapiro-Wilk. A comparação dos resultados em relação ao sexo e a classificação visual foi feita através do teste t de Student para o sexo e mecanismo. Para a classificação visual foi utilizado o teste de ANOVA one way. Quando os dados não eram normais foram utilizados os equivalentes não paramétricos de Mann-Whitney (para o teste t) e Kruskal-Wallis (para ANOVA). Os dados da modalidade de futebol de 5 não fizeram parte das comparações por apresentar apenas atletas do sexo masculino e com classe B1. As análises foram feitas através do programa estatístico SPSS 14.0® para Windows®. Para a comparação múltipla do teste Kruskal-Wallis foi utilizado o teste de DUNN através do Bioestat 5.0®.

 

RESULTADOS

Participaram do estudo 131 atletas, sendo que 102 apresentaram alguma lesão esportiva. As tabelas 1, 2, 3, 4 e 5 e as figuras 1, 2, 3 e 4 apresentam os números de atletas participantes e lesionados por sexo e classe visual.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

De 315 lesões registradas no estudo, 27 (8,57%) eram lesões recidivas. A não sensação dolorosa pode estar relacionada à decisão de retorno precoce do atleta ao treinamento após uma lesão, não levando em consideração o processo de desadaptação causado pelo afastamento prolongado(9), podendo ocasionar a recidiva ou o agravo da lesão. Por esse motivo, no presente estudo, as lesões recidivas foram contabilizadas apenas uma vez.

É muito comum no esporte profissional, tanto olímpico quanto paraolímpico, a pressão sobre o retorno do atleta à prática esportiva após uma lesão. Porém, a equipe de saúde deve estar muito segura ao liberar o atleta, tendo como base a evolução do quadro, tempo de cicatrização dos tecidos, processo de reabilitação e o relato do atleta.

Foi possível verificar uma redução da porcentagem de atletas lesionados durante um ciclo paraolímpico (Jogos Paraolímpicos de 2004 e de 2008), mesmo com o aumento do número de participantes (Tabela 5). Essa redução está relacionada ao investimento nos atletas e na equipe de saúde (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos), que acompanharam os períodos de treinamento e competição, promovendo não apenas o tratamento de afecções, mas também orientações preventivas.

De forma geral, nas cinco competições avaliadas, dos 131 atletas participantes, 102 (77,86%) apresentaram lesão esportiva, com um total de 288 lesões (Tabela 5). O risco de lesão em atletas com deficiência visual é maior, já que apresentam um número elevado de lesões por competidor quando comparados a atletas com outras deficiências(7). Porém, este valor de referência não foi especificado para que uma comparação seja realizada com os dados encontrados.

A maior incidência de lesões esportivas em atletas com deficiência visual ocorreu nos membros inferiores (57,99%), seguidos de membros superiores, coluna, cabeça e tronco (Figura 2). Estes dados foram encontrados em outras referências(3,7,10,11).

Esse resultado pode ser explicado pelo motivo que a propriocepção em indivíduos cegos tende a ser pior que naqueles com visão parcial, afetando principalmente os membros inferiores e resultando em marcha e biomecânica anormais(4).

Uma grande variedade de regiões corporais foi afetada (Figura 3), e estruturas como músculos biarticulares (na região da coxa), articulações com maior grau de liberdade e mais instáveis (ombro e joelho) são também as com maior frequência de lesão. A modalidade esportiva também pode ser um fator determinante das regiões corporais acometidas já que cada esporte apresenta uma tática e técnica específica.

Os principais diagnósticos encontrados foram tendinopatias, contraturas e contusões. As lesões musculares e tendinosas são as mais frequentes em atletas no meio paraolímpico(12). As lesões contusas podem estar relacionadas com a deficiência visual, que deixa os atletas mais vulneráveis a colidir com outros jogadores, com barreiras na área de treinamento e competição ou com traves e outros objetos em campo(13,14).

Com relação à gravidade das lesões, encontramos que a maioria das lesões foram leves, com afastamento de zero a sete dias; lesões moderadas e graves foram menos frequentes. Estes foram os mesmos resultados encontrados em estudo anterior(15).

Com relação aos mecanismos de lesão, ocorreu um valor próximo entre lesões de acidente e sobrecarga (Tabela 2) sendo esta última a mais frequente. A lesão de sobrecarga é definida como um dano crônico ao tecido, resultado de diversos microtraumas que impedem a capacidade de recuperação do tecido(16).

Quanto menor a classificação visual do atleta, maior a sua chance de ser acometido por lesão esportiva (Tabela 1). Porém, a análise estatística (Tabela 3) revelou diferença significativa apenas entre as classes B1 e B3 (p = 0,018). Ao comparar os mecanismos das lesões por classe visual, encontrou-se diferença significativa apenas nas lesões de sobrecarga, nas quais atletas B1 lesionam mais que atletas B3, e atletas B2 mais que B3 (Tabela 4).

A capacidade de trabalho aeróbio de pessoas com deficiência visual é reduzida quando comparada com pessoas sem comprometimento visual(17,18). Com isso, atletas com deficiência visual gastam mais energia para exercer a mesma atividade, estando mais propensos a fadigar rapidamente(19) e serem acometidos por lesões de sobrecarga.

Além disso, o atleta B3 é capaz de realizar uma prévia observação do ambiente de treino ou competição (o que não é possível para o atleta B1), tornando-o mais suscetível a sofrer lesões por acidente esportivo.

Atletas do sexo feminino (83,33%) sofreram mais lesões do que atletas do sexo masculino (75,28%) (Tabela 2); porém, essa diferença não foi significativa (Tabela 3). As alterações do ciclo menstrual e o uso de anticoncepcionais têm sido relacionados como fatores desencadeadores de lesões esportivas em atletas do sexo feminino sem deficiência(20). Estudos futuros poderão verificar se existe essa relação também no esporte paraolímpico. O fato de atletas com deficiência visual do sexo masculino apresentarem melhor desempenho que atletas do sexo feminino, pode ser outro fator determinante, já que o menor desempenho desse grupo pode influenciar no surgimento de lesões esportivas.

Um estudo sobre o padrão de lesão entre atletas do sexo feminino e masculino, de 18 a 22 anos, sem deficiência, em sete modalidades, revelou não existir diferença significativa do padrão de lesão entre os dois sexos(21).

Atletas do sexo feminino são mais acometidas por lesão de sobrecarga; já os do sexo masculino, por lesões de acidente esportivo (Tabela 4). Porém, não foi encontrada diferença significativa para esses valores. Aspectos anatômicos, fisiológicos e psicológicos estão relacionados com a maior frequência de lesões por sobrecarga em atletas do sexo feminino(22). Os mesmos fatores podem estar presentes em atletas com deficiência visual.

Com o estudo foi possível concluir que os atletas com deficiência visual também estão suscetíveis a sofrer com lesões esportivas. Os membros inferiores desses atletas foram os mais acometidos, sendo coxa, joelho e ombro as regiões mais afetadas. Quanto aos diagnósticos, tendinopatia, contratura e contusão foram os mais frequentes. O sexo dos atletas não revelou ser fator determinante para o acometimento por lesão esportiva. Com relação ao grau de deficiência visual, atletas com menor capacidade visual (B1) são mais suscetíveis a lesionar em relação a atletas com melhor capacidade visual (B3). As lesões de sobrecarga acometem principalmente atletas com classe visual B1.

Espera-se que os resultados encontrados possam informar os envolvidos no esporte paraolímpico sobre os riscos lesionais, informar a equipe de saúde e assegurar atendimento adequado aos atletas e fundamentar um trabalho preventivo para reduzir a incidência de lesões esportivas nessa população.

 

REFERÊNCIAS

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22. Ivković, Franić, Bojanić e Pećina. Overuse Injuries in Female Athletes. Croat Med J 2007; 48: 767-778.         [ Links ]

Autores:

Marília Passos Magno e SilvaI; Edison DuarteI; Anselmo de Athayde Costa e Silva I; Hésojy Gley Pereira Vital da SilvaII; Roberto VitalIII

IFaculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas – Campinas, SP
IIFaculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas– Campinas, SP
IIIFaculdade de Medicina, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal, RN

Resumo O desempenho dos membros inferiores em tarefas dinâmicas pode auxiliar no entendimento do controle motor em indivíduos submetidos à...

Artigo: Desempenho dos membros inferiores após reconstrução do ligamento cruzado anterior




Resumo

O desempenho dos membros inferiores em tarefas dinâmicas pode auxiliar no entendimento do controle motor em indivíduos submetidos à reconstrução do LCA. Os objetivos do presente estudo foram investigar o déficit bilateral e a simetria entre os membros inferiores de sujeitos submetidos à reconstrução do LCA e comparar com sujeitos não lesionados. Vinte adultos jovens foram divididos em dois grupos (LCA e controle).

A tarefa consistiu na execução do exercício Leg Press (unilateral direita e esquerda e bilateral). O número de repetições máximas (RM) foi quantificado e então o déficit bilateral e o índice de assimetria foram calculados. Os resultados mostraram assimetria no número de RM realizada entre membros no grupo LCA (p=0,005) e apenas o grupo controle apresentou déficit bilateral (p=0,004). Conclui-se que indivíduos que realizaram a reconstrução do LCA apresentaram assimetrias entre membros, sem a presença de déficit bilateral.

Palavras-chave: Assimetria. Déficit bilateral. LCA.


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  Descrição das lesões O Triatlo é uma disciplina que inclui um desgaste avançado da cartilagem do joelho, de modo que as estrut...

Reabilitação de cirurgia artroscopia em atletas de Triatlon



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Descrição das lesões

O Triatlo é uma disciplina que inclui um desgaste avançado da cartilagem do joelho, de modo que as estruturas intra-articulares estão sob enorme tensão devido à alta demanda afeta ao desporto.
A lesão do corno posterior do menisco lateral aparece neste caso, sem qualquer trauma e se desenvolve devido ao excesso de treinos combinados, natação, ciclismo e corrida e da alta carga de trabalho prolongado para que o atleta desenvolve durante o treino.
É na corrida, onde encontramos um aumento do risco de desgaste do menisco e, especialmente, do corno posterior do menisco lateral.
Um aspecto importante deste caso, a dor do paciente agrave-se com a execução exercício, , de modo que o início da dor é gradual, até que finalmente se torna incapacitante. Isso acontece porque, no Triatlo, o atleta se adapta as suas sessões de treino de acordo com cada disciplina, por isso não reconhece o prejuízo imediato, pois ele pode continuar nadando ou a pedalar na bicicleta sem problemas. Assume especial importância o estudo da biomecânica e como os meniscos ficam sujeitos a pressão variável em cada etapa de treino.

Descrição do procedimento cirúrgico.

O paciente chegou á nossa clinica em12/06/2010 com dor aguda no joelho direito. Na anamnese, o paciente não consegue determinar a causa ou origem da dor, mas nos informa que 10 minutos de treino são suficientes para lhe causar uma dor intensa na face póstero-lateral do joelho direito que o impede de continuar correndo. Esta dor não aparece durante seu treinamento na água ou na bicicleta.

Após a exploração da articulação, vamos definir os testes necessários para identificar as estruturas afetadas no interior da articulação.
- Teste Apley
- Teste Mackintosh
- Teste de Steinman
- Teste Bragard

Depois de identificar a estrutura lesada, o paciente consultou o ortopeédista para confirmação diagnóstica.
- RM: 2010/06/16
- Primeira consulta com o cirurgião ortopédico 2010/07/05. O diagnóstico da Fisioterapia é confirmado e estabeleceu-se a realização de artroscopia do joelho para restabelecer a estabilidade.
- Cirurgia: 2010/07/15. Após a cirurgia, o paciente é liberado para casa.
- Trauma revisão: 19/07/2010.


Primeira fase
Inicio do protocolo de reabilitação: 2010/07/21
As seguintes variáveis foram obtidas com o método tradicional de goniômetro manual.
EVA (escala de dor analógica 0-10): 8
balança comum:
Flexão: 30 °
Extensão: 0 °
O paciente foi internado após a cirurgia com dor aguda referida em todas as articulações e perturbações do sono, posição antálgica e com a ajuda de duas muletas. Mostra a articulação com inflamação significativa no aspecto anterior do joelho operado sem derrame e sensação da pele engurgitada.
Nesta primeira consulta, decidiu-se a aplicação de Kinesio Taping (Kinesiotaping) para abordar a redução da inflamação e redução da dor, bem como fornecer a base para a manutenção de uma boa educação postural do paciente no uso de muletas e dos exercícios em casa.

1ª Aplicação Kinesiotaping
Os primeiros exercícios domiciliares prescritos são importantes na obtenção de apoio bipodal sem muletas de forma progressiva, fazendo a transição de cargas de uma perna para outra, sem forçar a flexão do pé do joelho. Assim, o objectivo de trabalho é proteger o abuso de outras áreas articulares durante o uso de muletas, por exemplo, a falsa aparência de uma dismetria dos membros inferiores devido à sobrecarga da articulação sacro-ilíaca contralateral.

Transferência de carga na marcha e exercícios para casa.
Após esta primeira fase .-
Nossa principal preocupação é focada em reduzir o processo inflamatório em primeira instância, refira-se à cirurgia em si, mas depois de quatro dias, notamos que, apesar da redução da dor na escala analógica (VAS 10/02), o saldo comum não tem melhorado. Durante estes dias, o paciente conseguiu fazer em casa exercícios de transferência da carga, sem quaisquer problemas e começou a caminhar com o auxílio de uma muleta. De Noite tem dor ou o desconforto permanece e não o deixa atingir um sono reparador.
Na sequência de uma acção conjunta de observação e palpação, decidimos encaminhar o paciente para uma segunda consulta com o ortopedista para a possível absorção de líquido sinovial em excesso.
Em 28/07/2010, procede-se à remoção do sangue coagulado no joelho do paciente, atraves de punção venosa, que foi produzido durante o curso da cirurgia /artroscopia. Este efeito secundário da cirurgia parece ser a principal causa da demora no ganho de articulação devido à impossibilidade de circulação devido ao esforço de flexão excessiva exercida na parte da frente do joelho.
Quando o paciente retorna à consulta naquele dia, decidimos fazer uma nova aplicação de Kinesio Taping para ajudar a absorção de inflamação residual.

2 º Aplicação Kinesio Taping malha (CrossTaping)
Biomecânica do menisco do joelho e sua relevância na corrida de longa distância .
Quando você passa do movimento de extensão para flexão, ocorre uma progressiva rotação interna da tíbia realizada automaticamente, provocando um movimento de aparafusar do joelho no seu comprimento. Este movimento de rotação é causada pela incompatibilidade dos côndilos femorais na sua zona posterior. Para nós, este aspecto deveria ter um significado especial porque este é o lugar onde o menisco, e particularmente o corno posterior começará a sofrer maior stresse. Por causa dos movimentos técnicos da corrida de longa distância do Triatlo, o progresso do atleta encurtado para proporcionar uma maior freqüência na etapa, conseguindo assim uma poupança de energia e melhor desempenho na prova. Um exemplo para mostrar este tipo de técnica de corrida seria a diferença na passagem entre um corredor de 100 metros e um atleta de maratona (muito comum nos atletas do Quênia), que aumentam a freqüência de amplitude de passada a perda de base, que superfícies articulares são preservados e o impacto é menor.
A Mobilidade no plano frontal do menisco deve ser reduzida, com valores relativos entre 10 º e 15 º, nem sempre a dobra é voluntária, para facilitar a adaptação do pé ás irregularidades do solo durante a execução.
Além disso, destaca-se como o menisco fez um movimento anterior do joelho durante a extensão, auxiliado por aletas menisco-patelar. Em flexão, encontramos o tendão do semimembranoso em interação com o corno posterior do menisco medial e o tendão do poplíteo arqueado ação oblíqua para o corno posterior do menisco lateral, o menisco esta em deslocamento posterior.


Segunda fase do trabalho. 2010/07/30 a 2010/08/08
Uma vez que o inchaço do joelho é controlado, nós começámos com a adição de exercício ativo para recuperar os valores dos movimentos articulares e o aumento gradual das cargas. Nesta fase, encontramos a evolução natural da lesão e a cartilagem começa a se regenerar. Aqui, consideramos a regeneração e a remodelação dos componentes do menisco em si, portanto a nossa intenção é induzir, através de exercícios, para melhorar a vascularização da articulação e começar a melhorar a propriocepção articular.
Da mesma forma, incluímos outra variável na aplicação de Kinesio Taping, desta vez para ajudar a contração muscular, afetando o vasto interno / exterior do músculo quadríceps.

3 ª Aplicação para o início da contração muscular, bandagem Neuromuscular.
Os exercícios descritos nesta fase incluem o trabalho na piscina e ginásio, começando com exercicio ativo na sala de musculação para terminar na piscina . Essa ordem é dada pelo efeito sedativo da ação da água no SNA e receptores articulares e permitindo uma melhoria no equilíbrio entre trabalho conjunto e liberalizados com efeito global massajando todo o pé e melhorando a circulação sanguínea . Além disso, desta forma, procuram incorporar o trabalho cardio-pulmonar necessário neste tipo de atletas que encontram no repouso em casa, um passo trás em seus esforços para melhorar rapidamente seu desempenho.
No ambiente aquático, a propriocepção tem um interesse maior, devido ao efeito contínuo de desequilíbrio que dá a água durante a operação, obrigando todos os mecanismos de estabilização do joelho para trabalhar de forma coordenada.
Descrição dos Exercício:
· Trabalhando com Theraband resistência média-baixa.
· Flexão do joelho e anca com barra de apoio por trás do pescoço.
· Marcha na mesa de apoio. 3 séries de 6-7 rep.
· 4 piscinas de 25 metros.
· cwrall Kick suporte em madeira
· Pontapé de volta na mesa plana

Os resultados parciais 2010/08/08
EVA (escala de dor analógica 0-10): 1
balança comum:
Flexão: 90 graus
Extensão: 0 °
Nota: no início desta fase o paciente e conseguiu andar sem apoio na muleta.


Terceira fase do trabalho: a partir de 17/08/2010 para 2010/09/08
O paciente revelou uma marcha normal, sem muletas e uma melhoria assinalável na redução dos seus desconforto durante o sono, nesta fase do protocolo de reabilitação é definida como principais objetivos o ganho máximo de amplitude da articulação do joelho, afetando também o fortalecimento muscular e desenvolvimento de movimentos técnicos.
A remodelação da cartilagem do menisco chega ao fim, de modo que o aumento da carga é tolerada sem produzir uma inflamação secundária. Além disso, a força de tração exercida pelo tendão infra-patelar, no momento da extensão a 0 º é tolerada e, começando a reduzir a atrofia muscular nos primeiros dias deste processo ocorreu.
Os Exercicios em casa continuam a progredir, desta vez usando plataformas de desestabilização para maior ativação dos fusos neuromusculares e OTGolgi através do sistema nervoso que transmitem o sinal necessário para ativar os reflexos do tendão.


Exemplo de exercícios em casa.
Outros campos de atividade, a piscina e sala de fitness irão auxiliar no progresso de ajustamento do esforço ajudando na evolução natural da lesão, de modo que, por exemplo, iniciou-se exerciciios com movimento do quadríceps no banco entre 15 -25 º na primeira vez e progradiu-se para um esforço final entre 20 º -45 º. Este ganho em graus de movimento aparece depois de uma fase de aquecimento antes do exercício de bicicleta, calibragem das diferentes alturas do assento para forçar o movimento de flexão. Nesta fase, o paciente pode fazer 10min de passadeira entre 4,5 a 8,5 km / h.

Destacamos, ainda, como o fortalecimento do quadríceps permite o uso de mais resistência no trabalho da piscina e melhora o apoio para fortalecer a propriocepção unipodal e educação postural do paciente.
A biomecânica da articulação do joelho é completada com exercícios de alongamento para os músculos da perna inteira, com ênfase especial no reto femoral e em decúbito lateral o PsoalIlíaco. Esse trecho também pode ajustar o limiar de dor e deixar que o triatlo começa a ter sensações óptimas para a recuperação a nível físico e psicológico, pois não devemos esquecer que a pratica desta disciplina requer uma grande capacidade de sacrificio .
Após essa fase, o paciente apresenta os seguintes resultados:
Dor Escala Analógica (VAS): 10/01
balança comum:
Extensão total de 0 º
120 º de flexão do joelho


Discussão e conclusões

Parece claro que a artroscopia do menisco não é considerada uma operação cirúrgica delicada, mas como muitos outros, pode causar efeitos secundários fora do protocolo de reabilitação. Portanto, a continuação da exploração do joelho do atleta a cada dia é necessário verificar que não há problema de aderência da pele ou irrigação após a cirurgia, especialmente nos primeiros quatro dias.

Um tópico de discussão que este caso levanta é saber se os parâmetros para a real remodelação reestruturação de regeneração da cartilagem são consistentes com a evolução da progressiva da carga e se os joelhos a podem suportar, pois há uma extensa literatura sobre mais ou menos protocolos conservadores. Acreditamos que esse aspecto precisa de mais estudos para unificar carga, intensidade e tempo de exercícios padronizados.

Parece óbvio que o paciente se recuperou todos os seus parâmetros normais sobre a biomecânica da articulação e da potência de seus músculos, embora a atrofia residual no músculo quadríceps (0,5-1 cm.) Ainda não foi resolvido, por isso esperar que nas próximas semanas, o protocolo de reabilitação é estendida para conseguir a simetria entre as pernas.
O esporte de triatlo é uma disciplina exigente, com a combinação de três fases de desenvolvimento que exigem a consideração pelo fisioterapeuta para adaptar o programa de reabilitação para cada disciplina, esta será uma estratégia terapêutica.


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 "Maitland Manipulação Vertebral" 7edición. Ed Elsevier. Autor: Geoffrey Maitland D.
 "Aquatherapy. Guia de Reabilitação e Fisioterapia na piscina. " Ed.Bellaterra. Autor: J. Kouri
 "A cirurgia do quadril." Ed. Universidade de Valladolid. Autor: Maria Sanchez Miguel Martin.
 "Fisioterapia aquática para o quadril e osteoartrite do joelho:. Resultados de uma amostra aleatória simples-cego" Phys Ther. 2007 Jan; 87 (1) :32-43. Epub 2006 01 de dezembro.
 "Treinamento aquático e destreinamento sobre a aptidão e qualidade de vida na fibromialgia." Tomas P-Carus, Hakkinen Um N, Gusi, Leal A K Hakkinen, Ortega Alonso A.Med Sci Sports Exerc. Jul 2007: 39 (7) :1044-50.
 "A reabilitação aquática da coluna vertebral." AJ Cole, Eagleson RE, M Moschetti, Sinnett E.Rehab Manag. Abril-maio de 1996: 9 (3) :55-60, 62. Review.
 "Valor da fisioterapia em traumatologia esportiva. Há Umsch julho 1998: 45 (7) :448-57.
 "Regeneração de Tecidos Moles". www.cerede.es. Autor: Manuel José Sanchez.
 "Novas tendências em força e condicionamento físico." Barcelona 1999. Autor: Julio Tous.
 "Hidroterapia: Princípios e practicse". Autor: Margaret Reid. Elsevier 1997 Ed.
 "Aceleração da Reabilitação na reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), utilizando o trabalho de sobrecarga progressiva excêntrica." José Manuel Sachs. www.cerede.es
 "A fisioterapia após a reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho." Lorza Blasco Gonzalo. FUB, Fundació Universitaria del Bages Manresa.
 "Associação de Quadríceps e Isquiotibiais Cocontraction com padrões Joelho Carregando. Riann Palmieri M-Smith, PhD, ATC, McLean Scott G, PhD, James A Ashton-Miller, PhD, e Edward Wojtys M., MD. J Train Athl. 2009 Maio-Jun; 44 (3): 256-263.
 Efeitos do exercício excêntrico progressiva início na estrutura muscular após reconstrução do ligamento cruzado anterior. Gerber JP , Marcus RL , Dibble LE , Greis PE , Burks RT ,LaStayo PC . J Bone Joint Surg Am 2007 Mar; 89 (3) :559-70.
 reabilitação aquática de base e de formação para o atleta de elite. Thein JM, LT Brody.Esportes Orthop J Phys Ther 1998 Jan; 27 (1): 32-41.
Autor: Rodrigo Betemps Cuartero

Alguma vez você ouviu falar sobre bandagem funcional? Já usou alguma vez? Certamente já reparou que os atletas da ginástica olímpica v...

Bandagem Funcional... Você sabe o que é isso?



Alguma vez você ouviu falar sobre bandagem funcional?

Já usou alguma vez?

Certamente já reparou que os atletas da ginástica olímpica vivem com os dedos e punhos enfaixados. E os atletas do vôlei? Além de dedos enfaixados, usam aquelas tiras coloridas no ombro. Isso também é comum entre corredores, que as usam muitas vezes nas pernas e pés.

Achou que era enfeite?

Não, são as bandagens funcionais, muito utilizadas na reabilitação desportiva.

Este é um instrumento terapêutico de enfaixamento que utiliza materiais específicos que podem ser rígidos ou elásticos, dependendo do caso a ser tratado.

Atualmente, os elásticos são os mais utilizados.

A esparadrapagem é o enfaixamento por esparadrapo, que é um material rígido e que prioriza a imobilização na região lesada.

O conhecimento anatômico é fundamental para a aplicação das bandagens, bem como o conhecimento etiológico das lesões, o que facilita o terapeuta na identificação de cada estrutura lesada, além da aplicação correta da técnica.

Desta forma, fica evidente que a auto-aplicação da bandagem não é aconselhável, exceto após uma cuidadosa orientação de profissional especializado.

Para a escolha do material, deve-se levar em conta a modalidade esportiva praticada e o objetivo que se quer alcançar dentro do tratamento.

O uso de materiais próprios e a aplicação correta das técnicas farão com que este recurso contribua para o êxito da recuperação do atleta.

Após a aplicação, a durabilidade do material pode chegar a até 5 dias, variando de acordo com o tipo de esporte praticado, a intensidade dos movimentos e a técnica de aplicação escolhida.

Algumas pessoas têm uma maior sensibilidade na pele e isso impede o uso por tempo prolongado, sendo necessária a sua precoce retirada.

As bandagens são excelentes auxiliares das técnicas de reabilitação em lesões articulares, ligamentares, musculares e posturais, dentre outras.

Podem ser utilizadas tanto na prevenção quanto no tratamento de lesões desportivas.

Oferecem suporte a uma estrutura lesada, limitam movimentos prejudiciais, permitem movimentos funcionais livres de dor, melhoram a circulação e ainda conseguem controlar o edema.

Este recurso permite continuar o condicionamento e fortalecimento corporal perdido durante a inatividade pós-lesão e mantém a habilidade e reação normais, prejudicadas devido a fatores inibitórios como a dor e o medo de lesar novamente.

Assim o atleta pode retornar o mais rápido possível à sua prática dentro dos limites fisiológicos pós-lesão.  E como é sabida, a volta precoce à atividade esportiva se torna imprescindível, pois evita uma grande perda de condicionamento cardiorrespiratório e muscular.

Outros objetivos das bandagens funcionais incluem a melhora do equilíbrio muscular, a coordenação e também o alinhamento articular, estático e durante o movimento.

Apesar de apresentar muitas vantagens, devemos ficar atentos para alguns cuidados ou contraindicações. São elas: utilizar bandagem após a ocorrência de uma lesão grave; se houver qualquer limitação funcional; na presença de grande edema associado a hematoma; após aplicação de gelo; em alterações de sensibilidade ou vascular.

O que se discute atualmente é se a bandagem é o recurso mais barato, como defendido até agora em comparação com outros, como órteses, palmilhas e tornozeleiras, pois há quem diga que as órteses podem ser reutilizadas e que isso faz com que o custo em longo prazo seja menor.

Também tem sido discutida a durabilidade da bandagem comparada às órteses, pois se acredita que ela perca mais rapidamente seu poder restritivo, especialmente se utilizado em piscina ou em modalidades de maior atrito. Ela tem efeito por tempo determinado e depende do local de aplica­ção, de qual atividade está sendo exigida, não sendo possí­vel afirmar que o efeito proprioceptivo será mantido por períodos longos.

Alguns estudos atuais indicam sua eficácia, mas não garantem seu efeito preventivo de lesão. E o que se discute ainda não é conclusivo, sendo necessária uma pesquisa mais profunda sobre o tema.

Fica claro afirmar então, que este é só mais um recurso da fisioterapia desportiva, que tem suas vantagens se for bem indicada e aplicada. E que, se associada a outras intervenções, pode ajudar, e muito, o atleta a retornar às suas atividades, o mais rápido possível.

Então, se este for seu caso, procure um profissional especializado para te orientar.

Ft. Ana Paula Pessanha


Instituímos após o Campeonato Pan-Americano, visando à preparação para o Campeonato Mundial, um programa de prevenção de lesões denomina...

Fisioterapia no Handebol de Areia - Beach Handball



Instituímos após o Campeonato Pan-Americano, visando à preparação para o Campeonato Mundial, um programa de prevenção de lesões denominado Programa Preventivo Beach Handball Brasil 8+, sendo composto de exercícios específicos de estabilização da escápulo-torácica, gleno-umeral, lombo-pélvica e quadril, de exercícios de fortalecimento dos músculos do manguito rotador e do quadril, e de exercícios sensório-motores de membros inferiores e superiores, divididos em 02 níveis de complexidade e evolução. Uma parte deste programa está disponível em vídeos gratuitos no youtube, no canal FisioBeachHandBrasil, no link http://www.youtube.com/user/fisiobeachhandbrasil?feature=results_main


Todo este trabalho foi aplicado em conjunto com a preparação física elaborada pelo Prof. Clodoaldo Dechechi. Esta foi periodizada em um mesociclo de 13 semanas de duração, sendo o primeiro microciclo composto de exercícios de resistência de força realizados na musculação e na areia, em dias alternados, durante 04 semanas. Nas 06 semanas seguintes, iniciou-se o segundo microclico, constituído de exercícios de hipertrofia de membros inferiores e superiores desenvolvidos na musculação. Nosso programa preventivo foi elaborado e adequado respeitando-se esta periodização, e foram aplicados antes dos treinos de musculação como aquecimento para atividade proposta no dia. O volume e a intensidade dos exercícios do programa preventivo foram maiores no primeiro microclico, reduzindo-os durante o segundo microciclo. O terceiro microciclo teve duração de 03 semanas e foi direcionado para exercícios de pliometria e de potência de MMSS e MMII, já realizados presencialmente com o grupo todo na fase de treinamento pré-competitivo em João Pessoa.

 

A nossa atuação durante esta fase foi direcionada, principalmente para a recuperação física dos atletas para os treinamentos. Como a programação do dia era comunicada antecipadamente pela comissão técnica (normalmente eram realizados treinos em 03 períodos, divididos em físico, técnico-tático e coletivo) e, dependendo do tipo, do objetivo, do volume e da intensidade dos mesmos, adequávamos todas as intervenções feitas pela Fisioterapia.

Realizamos atendimentos de Hidroterapia feitos com todo o grupo, através de trabalhos regenerativos, de relaxamento e de alongamentos musculares conforme a indicação no dia, e promovemos o tratamento fisioterapêutico propriamente dito quando houve alguma lesão e foi necessária a retirada momentânea do atleta de algum treino. O propósito da nossa atuação sempre foi de devolvermos o atleta lesionado o mais rápido possível para os treinos e em condições físicas seguras. Utilizamos muito, como condutas terapêuticas, o protocolo PRICE, além de técnicas de Terapia Manual, Massagem Esportiva, Cinesioterapia, Hidroterapia e Bandagens Elásticas (Kinesio Taping).

 


  

Acompanhamos, ainda, dentro da quadra, todos os treinos do dia, e realizamos o pronto-atendimento aos atletas quando foi necessário, na tentativa de minimizarmos ao máximo as possíveis repercussões das lesões instaladas e atuando, de forma imediata, no tratamento das mesmas quando era possível.

As lesões traumáticas mais comuns ocorridas foram as contusões musculares e ósseas, geralmente através do contato direto da bola com a face do atleta (especialmente os goleiros), da queda de um dos atletas defensores (geralmente o lateral ou o central) sobre o lateral atacante, nas ações de tentativa de bloqueio ou interrupção de um passe, ou ainda, em raras ocasiões, através do contato direto de um atleta contra outro de modo proposital ou intencional.

  

 

 

 

 

 

 

 

Outras lesões frequentes foram os traumas diretos ocorridos nos dedos das mãos (contato direto da bola com os dedos, em vários momentos, como na interrupção de um passe, tentativa de bloqueio, recepção ou no gesto de defesa do goleiro) e dos pés (contato direto com outro atleta da defesa, na areia ou nas fitas de demarcação da quadra).

Já as lesões de sobrecarga ocorreram mais frequentemente na articulação do ombro, sendo, em sua maioria, bursites, tendinites do manguito rotador e dores musculares de início tardio em deltoide, trapézio superior, romboides e rotadores laterais de ombro. Foram mais comuns no lado do braço de arremesso e estavam associadas ao aumento do volume e da frequência dos arremessos realizados pelos laterais, pivôs, goleiros e especialistas nos treinos técnico-táticos e coletivos durante o período pré-competitivo, e também pela manutenção constante dos membros superiores em abdução de ombro nos gestos defensivos e bloqueios, especialmente nos defensores centrais e goleiros. Quando estas ocorreram no braço oposto, tiveram uma relação mais direta com o apoio realizado pelo membro no solo após a finalização do arremesso em um salto com giro, principalmente pelos laterais atacantes.

 

Já nos membros inferiores, as lesões de sobrecarga ocorreram mais na perna de salto do atleta, principalmente dos laterais atacantes e pivôs, sendo as tendinites dos músculos flexores e adutores de quadril, dos extensores e flexores de joelho e as dores musculares de início tardio em coxa e tríceps sural as mais incidentes.

As lesões ligamentares de joelho e tornozelo no handebol de areia são incomuns, diferentemente do handebol de quadra, possivelmente pela própria adaptação do atleta e pelo aprimoramento da estabilidade dinâmica destas articulações ocorridas com o treinamento na areia. Porém, quando estas ocorreram, o mecanismo de lesão foi bem específico, decorrente do contato direto de um atleta defensor central ou de um lateral defensor contra o joelho ou tornozelo de um lateral atacante, pivô ou especialista durante a queda, em ações de disputa de bola e bloqueio.

As dores lombares e lesões dos músculos abdominais ocorreram, respectivamente, pelo volume e frequência de saltos solicitados nos treinos e pela própria biomecânica do arremesso no salto com giro.

Durante os 06 dias do Campeonato Mundial, foram realizados 02 jogos diários, com intervalo de 02 horas entre eles, sempre no período noturno em virtude das condições climáticas de Omã. As partidas foram realizadas com uma temperatura ambiente em torno de 35o C e uma umidade relativa em torno dos 25-30%. Portanto, a importância da hidratação antes, durante, entre e após as partidas era fundamental, não só para manutenção da performance, mas também para a saúde geral do atleta.

A rotina da fisioterapia na competição modifica muito pouco quando comparada á fase de treinamento pré-competitivo. A grande diferença percebida se deu na redução drástica do volume e frequência de saltos e arremessos ocorrida em virtude da interrupção dos treinos. Porém, a intensidade destes gestos esportivos aumenta muito durante as partidas, e as lesões de sobrecarga de ombro, coluna vertebral, joelho e quadril também se manifestam neste período. As lesões traumáticas também ocorreram, entretanto, em uma frequência bem reduzida, pois o contato direto nas competições é punido com faltas e exclusões, forçando o atleta a evitá-lo ao máximo.

Realizamos no período da manhã os atendimentos em grupo de Hidroterapia, propondo atividades de relaxamento e alongamentos musculares, porém com duração e intensidade menores e adequamos os horários de atendimento de fisioterapia conforme agendamento das refeições, vídeos, reuniões técnicas e jogos.

Mantivemos basicamente as mesmas condutas terapêuticas propostas na fase de treinamento, porém utilizamos a estrutura física da Clínica de Fisioterapia disponibilizada durante a competição. Aplicamos, em alguns casos específicos e com indicações bem precisas, o LASER e as Correntes Diadinâmicas de Bernard, além de continuarmos acompanhando todos os jogos em quadra e realizarmos o pronto-atendimento quando necessário.

        

 

 

 

 

 

 

 

        

 

Acredito tenha contribuído um pouco, compartilhando algumas informações sobre a nossa rotina diária de trabalho e todo o contexto envolvendo minha prática profissional junto ás Seleções Brasileiras de Handebol de Areia.


A satisfação pessoal e profissional, no final de tudo, fica evidente nas imagens abaixo destes guerreiros e guerreiras! 


Abraços!

Fabrício Rapello Araújo - CREFITO 3 / 66321-F

SONAFE 122

E-mail: fabricioaraujofisio@hotmail.com – Telefone: (13) 914106251


Originalmente aqui


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